“Os clubes e associações hoje vivem, segundos os próprios, o pior momento de que há memória”, salientou o parlamentar socialista durante um debate de urgência promovido pelo seu partido, na sede do parlamento, na cidade da Horta, a propósito dos atrasos no pagamento de apoios relativos à época 2024/25, que só foram pagos “já depois da época ter terminado”, provocando “o sufoco financeiro e o endividamento” de alguns clubes.
A situação de dificuldade de tesouraria de algumas associações e clubes desportivos da região, devido ao atraso no pagamento de apoios por parte do executivo açoriano de coligação (PSD/CDS-PP/PPM), foi também abordada por António Lima, deputado único do Bloco de Esquerda.
“Os atrasos e a imprevisibilidade nos pagamentos criam problemas na atividade dos clubes, criam problemas nas direções, e comprometem, naturalmente, a sustentabilidade e a própria existência dos clubes desportivos”, lamentou o parlamentar bloquista.
A secretária regional da Educação, Cultura e Desporto, Sofia Ribeiro, admitiu em plenário, que houve atrasos no pagamento de apoios ao desporto açoriano, na anterior época, em parte devido à exigência dos projetos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas garantiu que os apoios da nova época 2025/2026, “estão pagos a 100%”.
“Pela primeira vez, processou-se 100% do apoio destinado às viagens e apoios complementares, no âmbito da atividade competitiva nacional, de regularidade anual, e de campeonato de futebol dos Açores, numa única tranche”, frisou a governante, adiantando que esses valores foram já “processados e pagos à data de hoje”.
O executivo açoriano entende que a prioridade, em matéria de investimento no desporto açoriano, deve ser feita nas classes de formação, sem descurar a aposta na alta competição, mas José Pacheco, líder parlamentar do Chega, lembrou que esse investimento tem custos elevados para a região.
“Temos de perceber se temos dinheiro para pagar isso tudo! Se não temos, teremos de o arranjar. Agora, com parcos meios, nós estamos a minar a confiança dos dirigentes desportivos”, lamentou o parlamentar do Chega, lembrando que os subsídios ficam, muitas vezes, aquém das expectativas dos clubes.
Por sua vez, Nuno Barata, da Iniciativa Liberal, lembrou que os apoios desportivos também podem vir da Europa, e não apenas do Orçamento Regional, e deu como exemplo um projeto comunitário destinado às camadas de formação, ao qual, aparentemente, ninguém se candidata.
“Quantos eventos na Região Autónoma dos Açores, para jovens e juvenis, já foram financiados pelo ‘Erasmus + Sport’, por exemplo? Se calhar, nenhum! Mas a verdade é que esse instrumento está aí disponível deste 2021”, frisou o parlamentar liberal.
Carlos Rodrigues, deputado do PSD, lembrou que durante muitos anos, houve investimentos “megalómanos” no desporto açoriano, que quase levaram alguns clubes à falência: "Nós temos clubes na região que devem milhões. Alguns foram até causadores de quase falência de algumas empresas e agências de viagens nas ilhas todas".
Pedro Pinto, deputado do CDS-PP, advogou, porém, que o desporto açoriano não vive apenas de subsídios e defendeu que é preciso continuar a apostar na boa gestão dos clubes e associações desportivas do arquipélago.
Durante o debate parlamentar de urgência sobre os apoios ao desporto açoriano, falou-se também da falta de manutenção de alguns dos equipamentos desportivos que existem na região, uma situação que, segundo os partidos que apoiam o Governo Regional, “já vem dos tempos dos governos socialistas”.
