Ir para o conteúdo principal

Exclusivo com Diogo Ventura: “Quem joga no Sporting tem de estar preparado para vencer todos os jogos”

Diogo Ventura é um dos elementos mais importantes do Sporting e da seleção nacional de basquetebol
Diogo Ventura é um dos elementos mais importantes do Sporting e da seleção nacional de basquetebol Sporting CP/Flashscore

Diogo Ventura perspetivou o arranque de 2026/27. O base, que vai iniciar a oitava época seguida ao serviço do Sporting, afirma que os leões estão com fome de títulos, elogia a aposta no novo treinador, Bernardo Pires, e revela alguns dos segredos da seleção nacional de basquetebol, onde pontifica Neemias Queta. Um exclusivo Flashscore.

Acompanhe o Sporting no Flashscore

No dia em que defronta o FC Porto na Supertaça de basquetebol, o capitão leonino não deixou nenhuma questão por responder nesta conversa com o nosso site. O base mostrou-se confiante, não obstante a revolução que foi feita na construção do plantel, salientou que as equipas de Andebol e de Futsal, lideradas por Ricardo Costa e por Nuno Dias, respetivamente, são uma inspiração, elogiou o antigo treinador Luís Magalhães, destacou os métodos do nosso timoneiro Bernardo Pires, acredita que Portugal poderá carimbar uma vaga na fase final do Mundial e deixou um alerta relativamente às condições de trabalho. “Os pavilhões municipais que estão disponíveis no verão para treinarmos não têm ar condicionado e ficamos um pouco à mercê da meteorologia. Infelizmente é algo a que já estamos habituados", atira. 

Diogo Ventura é o capitão da equipa de basquetebol do Sporting
Diogo Ventura é o capitão da equipa de basquetebol do SportingOpta by Stats Perform, Sporting CP

"Temos os ingredientes para fazer aquilo que nos compete no Sporting: competir e ganhar todos os títulos em que participamos"

- Está a começar uma nova época, com novo treinador e uma grande renovação no plantel. Entrou mais tarde na preparação por ter estado ao serviço da seleção, mas como foram os primeiros dias e como está a sentir a equipa, que já teve alguns testes importantes?

Foi praticamente fazer um treino a sério, o treino do dia anterior ao jogo, e fomos diretamente para o torneio de Viana. Os jogadores que estiveram na seleção tiveram de ser um pouco geridos, porque tínhamos jogos no sábado e no domingo. Uns jogaram um jogo e outros o outro, para conseguirmos também descansar um pouco.

A seleção é sempre uma altura do ano muito exigente fisicamente e voltamos ao clube um pouco em baixo nesse aspeto. O Bernardo teve esse cuidado de nos gerir durante o fim de semana. Agora, finalmente, estamos a ter uma semana de treinos.

Portanto, tem sido um pouco difícil assimilar tudo muito rapidamente, porque já temos uma Supertaça para jogar e ganhar no dia 26 contra o FC Porto. Estamos num processo de assimilar as novas ideias do Bernardo o mais rapidamente possível e estes dias são sempre mais complicados e exigentes mentalmente. Mas encontrei um grupo impecável. Miúdos com vontade de trabalhar, americanos com muito potencial e, acima de tudo, bons rapazes, que ouvem e gostam de evoluir.

Acho que temos todos os ingredientes. Obviamente, ainda temos muito para trabalhar e evoluir, mas, quer ao nível dos jogadores, quer da equipa técnica, temos os ingredientes para fazer aquilo que nos compete no Sporting: competir e ganhar todos os títulos em que participamos.

- Tendo em conta aquilo que aconteceu na última época, quais são as expetativas para esta temporada? Houve um trabalho importante no recrutamento, e sabemos da importância de ter uma base sólida de jogadores portugueses, complementada depois com jogadores estrangeiros. Como olha para aquilo que foi feito pelo Sporting nos últimos meses?

Vejo com muito bons olhos. Sou da opinião de que as equipas em Portugal, para terem sucesso, têm de ter uma boa base de jogadores portugueses. Acho que essa é a fundação, o primeiro passo que as equipas devem dar, e o Sporting fez muito bem o seu caminho nesse aspeto. Temos, se não a melhor, uma das melhores bases de jogadores portugueses na nossa Liga este ano. Acho que isso, a longo prazo, vai ser muito positivo.

Infelizmente, pelo que percebi, não foi possível manter alguns americanos da época passada. Pelo que disseste, devido a constrangimentos orçamentais, porque a maior parte recebeu propostas muito superiores àquilo que era possível para o Sporting e para toda a Liga portuguesa. Também é um bom sinal que isso aconteça. Quer dizer que tínhamos jogadores americanos de muita qualidade na época passada. Mas acho que não vale a pena pensar muito em quem está ou quem não está. O que interessa é trabalharmos bem no dia a dia.

Respondendo também à questão das expetativas, temos de fazer perceber aos novos jogadores, principalmente aos estrangeiros, porque os portugueses por norma já o entendem, que estamos no Sporting Clube de Portugal. É um dos maiores clubes da Europa e do mundo ao nível do ecletismo e dos títulos. Portanto, quem joga no Sporting tem de estar preparado para vencer todos os jogos e entrar em todas as competições para ganhar.

As expetativas passam muito por aí. Obviamente, semana a semana e jogo a jogo. Ainda estamos numa fase de preparação em que os jogos não têm como objetivo principal ganhar, embora, no Sporting, mesmo nos amigáveis queiramos sempre vencer. Estamos numa fase de preparação com o foco na Supertaça, no dia 26, que é o primeiro título que podemos conquistar. Não sendo uma obrigação, é um grande requisito para quem está no Sporting entrar para vencer todos os títulos.

- Em relação aos reforços, ainda são poucos dias de trabalho, mas há alguém que te esteja a surpreender particularmente nesta fase inicial?

Quem mais me está a surpreender é Javion Davis, que já tinha jogado no Imortal e no FC Porto. Pela maneira de estar no treino e pelo profissionalismo, nesta fase inicial temos zero a apontar-lhe. Acreditamos que, a nível técnico e tático, vai ser uma grande ajuda para nós.

Está a surpreender-me imenso pela inteligência a jogar. Sendo um jogador grande e pesado, consegue movimentar-se bem, tomar boas decisões e ser, ao mesmo tempo, um bom passador. Está a surpreender-me muito pela positiva.

Os números do base nas últimas épocas
Os números do base nas últimas épocasFlashscore

- Falávamos da importância de ter uma base sólida de jogadores portugueses e o Sporting parece ter feito um trabalho de fundo nesse sentido. Como têm respondido os jovens à chamada, sabendo que vários podem treinar com a equipa principal, ter minutos na equipa B e manter essa porta aberta? O próprio Diogo passou por um processo semelhante quando esteve na formação do Benfica. Que importância tem esta aposta e qual é também o seu papel nesta fase?

O Bernardo faz muito bem essa ponte de integração dos jogadores mais jovens com a equipa sénior. Acho que isso é muito importante, tanto para o Sporting como para o basquetebol português. É importante haver mais treinadores com esta ideia e esta visão, porque os clubes têm de caminhar para um modelo mais sustentável.

Para teres uma boa base de portugueses, queres ter os melhores jogadores portugueses contigo, mas os outros clubes também competem e vão querer contratá-los. Se tiveres, dentro de casa, na tua formação, jogadores portugueses a chegar aos seniores, mais de meio caminho está feito.

Temos o caso do Sporting no futsal e no andebol, que são exemplos muito bem conseguidos, em que conseguem fornecer à equipa sénior jogadores da formação com muita qualidade. Acho que o Bernardo é o treinador certo para desempenhar esse papel.

Os miúdos têm sido impecáveis e muito trabalhadores. Têm muito para aprender e evoluir, mas acho que estão na equipa certa, no clube certo e com o treinador indicado para aprenderem e evoluírem.

- Já falou várias vezes do Bernardo. Como olhou para a chegada dele ao Sporting para substituir uma figura como Luís Magalhães, um dos treinadores mais marcantes da história do basquetebol português? E como têm sido estes primeiros dias de trabalho com ele?

Quem substitui um treinador como o professor Luís Magalhães tem sempre um papel um pouco ingrato e difícil. Vai substituir um treinador conhecido como o Papa Títulos. Não sei se é mesmo o treinador com mais títulos do basquetebol português, mas, se não for, deve estar muito perto. Estamos a falar de nomes como Carlos Lisboa, Mário Palma e Henrique Vieira. Deve estar por aí.

Luís Magalhães está no topo dos treinadores portugueses. Quem vier substituí-lo terá sempre um papel muito difícil, porque é um ganhador nato e deu muitos títulos e muito ao Sporting. Mas, tendo de existir um substituto para o professor Luís Magalhães, acho que o Sporting fez a escolha certa. O Bernardo vai ter espaço para trabalhar e acho que vai ter muito sucesso. Estou a gostar muito destes primeiros dias no campo, a ser treinado por ele. Ainda estamos muito no início, mas acho que as coisas têm tudo para correr bem.

- E que estilo de jogo podemos esperar deste Sporting de Bernardo? Uma equipa mais rápida e com maior aposta nas transições?

Sim. É engraçado porque eu já era muito fã da maneira como o Imortal jogava nos últimos anos. Gostava muito da intensidade que colocavam no jogo e da rapidez com que jogavam. Acho que podem esperar muito disso no Sporting. Uma equipa feliz a jogar, a correr no campo, com transições rápidas, agressiva defensivamente, com um jogo muito coletivo, muitos passes e muita movimentação de bola. Acho que vamos ter um jogo muito moderno.

Quem acompanha o basquetebol europeu hoje em dia percebe que já não existe tanto aquele jogo de cinco contra cinco, em meio-campo, devagar e com calma. Hoje é sempre a correr, com decisões rápidas, muito físico e muita velocidade. Acho que é isso que podem esperar do Sporting este ano. 

Sporting CP vai defrontar o FC Porto na Supertaça em Albufeira
Sporting CP vai defrontar o FC Porto na Supertaça em AlbufeiraSporting CP

Siga o FC Porto - Sporting no Flashscore

"Tenho muito orgulho no percurso que tenho vindo a fazer no Sporting"

- Esta vai ser a sua oitava época no Sporting. Tem mantido uma grande regularidade ao longo dos anos, é o capitão e o jogador mais antigo do plantel. Como olha para a sua evolução enquanto jogador e para a importância que tem hoje no balneário?  

Acima de tudo, tenho muito orgulho no percurso que tenho vindo a fazer no Sporting. Antes de falar de mim, tenho de agradecer a toda a estrutura do Sporting, ao Miguel Afonso, ao próprio professor Luís Magalhães, que foi quem me contratou em 2019, e, acima de tudo, a todos os adeptos do Sporting, que me acarinham muito desde o início e me fazem sentir realmente em casa.

Vim para o Sporting em 2019 sem ter um papel assim tão preponderante, pelo menos inicialmente. Era mais um jogador de rotação, para dar descanso aos jogadores americanos, e fui evoluindo e subindo o meu nível.

Trabalhei muito todos os verões, fiz muito trabalho extra e ainda faço. Sempre que posso, faço trabalho extra, seja de lançamento, seja para evoluir em aspetos que acho que tenho de melhorar ou que os próprios treinadores me indiquem. Passa muito por aí: nunca estagnar, nunca estar contente.

O basquetebol é um desporto em que aparecem constantemente coisas e ideias novas. De época para época, tudo evolui de uma maneira exponencial. Quem achar que fez uma boa época na temporada passada e que, se fizer tudo igual nesta, as coisas vão correr bem, está enganado. Temos de nos reinventar todos os anos, trabalhar coisas diferentes e trabalhar ainda mais aquilo em que já somos bons. Acho que o meu percurso passou muito por aí.

Quanto a ser capitão e à liderança, continuo a ser eu próprio. Já no primeiro e no segundo ano no Sporting, mesmo sendo dos mais novos e, se calhar, dos jogadores com menos experiência, sempre fui eu próprio. Sempre gostei de puxar pela equipa. Se achava que algum jogador estava um pouco em baixo, gostava de ir falar com ele e puxá-lo para cima. Isso é um pouco inato e não trabalhei nada disso. Acho que a minha maior evolução foi realmente nos aspetos técnicos e táticos.

- Acaba também por ser um dos rostos do Sporting desde o regresso do basquetebol sénior.

Hoje, o meu papel no Sporting passa muito por duas coisas. Em primeiro lugar, tenho de pensar em mim, porque ainda sou capaz de dar muito dentro do campo. Acho que continuo a ser um jogador muito válido. Mas também tenho de pensar na equipa, porque sou o capitão.

Tenho de perceber que, hoje em dia, os jogadores mais jovens não têm a mentalidade que eu tinha quando era jovem. Os americanos também não têm a mesma mentalidade que tinham quando eu era mais novo e com os quais aprendi. Isso também é uma questão de evolução. As coisas são diferentes de época para época.

Os americanos têm hoje uma mentalidade completamente diferente daquela que tinham antigamente. Portanto, temos de nos adaptar. Tenho de tentar fazer perceber aos americanos o clube em que estão inseridos. Não é uma tarefa fácil, porque, mesmo a nível cultural, existe um grande choque. A cultura desportiva nos Estados Unidos é completamente diferente da cultura desportiva na Europa.

Por exemplo, no futsal ou no hóquei, estamos muito à volta da cultura latina. Temos jogadores brasileiros e argentinos que entendem a rivalidade, a paixão fervorosa dos adeptos pelo clube e a necessidade, quase obrigação, de ganhar. Há aquele jogo que é obrigatório ganhar, aquela competição ou aquela Taça que não se pode perder.

Muitas vezes, os jogadores estrangeiros, principalmente os americanos, não entendem isso logo desde o início. É um trabalho que nós, jogadores portugueses, e principalmente eu, como capitão, temos de fazer. Há anos em que é mais fácil realizar essa tarefa e outros em que é mais difícil. Mas, melhorando a base de jogadores portugueses do Sporting, o nosso trabalho também fica muito mais facilitado na transmissão dessa mensagem e para que eles percebam o clube que estão a representar.

- É a tal mística?

Sim. O Sporting é um clube com muita tradição e milhões de adeptos. Às vezes, os americanos não percebem bem onde estão e nós temos de fazer esse papel.

Base já conquistou dez títulos ao serviço dos leões
Base já conquistou dez títulos ao serviço dos leõesSporting CP

- Estava a olhar para o seu número de títulos e já são dez. Como olha para esse palmarés? Ainda há mais fome de ganhar?

Na época passada, quando ganhámos a Taça da Liga, que foi o último título que conquistei pelo Sporting, estava no autocarro a regressar a Lisboa e fiz um pouco a contagem dos títulos que já tinha ganho. Quando comecei a contá-los, cheguei ao décimo e pensei: 'Pá, não acredito nisto. Já ganhei dez títulos.'

Em 2019, vim para o Sporting apenas com o sonho de ser jogador profissional e de ganhar um campeonato ou uma Taça, uma coisa assim. Hoje em dia, já ganhei 10 títulos. Acho que, quanto mais se ganha, maior fica o vício de competir e de ganhar. Este verão pensei: 'Vou para a oitava época com dez títulos. Agora tenho de ganhar mais dez para chegar aos 20, para fazer as duas dezenas.'

Obviamente, não sei se isso vai acontecer. Gostava muito que acontecesse, mas vai ser muito difícil, porque no basquetebol competimos contra um Benfica e um FC Porto que, a nível financeiro, investem muito mais do que nós. Mas, com trabalho e dedicação diária, vamos conseguir competir e ganhar títulos também. Espero aumentar o meu palmarés e, consequentemente, o do Sporting. É para isso que trabalho.

- Já falou sobre o que está a ser construído para esta nova época e também daquilo que se procura manter da temporada passada. Que mensagem pode deixar aos adeptos em relação a este novo Sporting?

A mensagem que deixo aos adeptos é quase sempre a mesma. Não prometo títulos, porque os títulos são impossíveis de prometer. Nunca sabemos como é que as coisas se vão desenrolar. Acho que nem a própria equipa de andebol, que tem uma hegemonia gigante e que, na minha opinião, é uma das melhores equipas de modalidades de sempre, pode prometer títulos. Nunca se sabe se a bola vai entrar ou não.

Aquilo que prometemos é muito trabalho diário, muita dedicação e uma mentalidade direcionada para ganhar títulos. Estamos a construir e queremos construir uma mentalidade ganhadora, muito baseada e assente no trabalho diário. Só tenho cinco treinos com a equipa deste ano, mas já consigo perceber e acredito que as coisas vão correr bem. Trabalhamos muito bem e vamos conseguir dar alegrias aos adeptos.

Depois há uma mensagem que já nem é preciso passar, que é pedir apoio. Os adeptos do Sporting acarinham-nos muito. Gostávamos de ter o pavilhão mais cheio. Acreditamos que, nesta época, as coisas vão ser diferentes e que vamos sentir muito o apoio no Pavilhão João Rocha. Estamos prontos para ir à luta.

- O que acha que falta para termos mais adeptos nos pavilhões? O Sporting consegue colocar regularmente dezenas de milhares de pessoas no estádio, mas, tirando os jogos de maior cartaz, é mais difícil encher o pavilhão. Falta criar uma maior cultura em torno das modalidades?

Não te consigo dar uma resposta concreta, porque teríamos aqui tema para falar durante um dia inteiro. Acho que é uma conjugação enorme de fatores. O principal fator, aquele que salta primeiro à vista, é a cultura desportiva de que falámos há pouco. Estamos muito virados para uma cultura futebolística. A bola tem de ser chutada e tem de haver golo. Quem não tem isso sofre muito.

E não estou a criticar o Sporting. Acontece em todos os clubes. São clubes capazes de encher estádios com 30, 40, 50 ou 60 mil pessoas e depois os pavilhões não têm sequer um décimo ou um vigésimo desse número. É muito uma questão de cultura desportiva. Mas acho que nós, enquanto jogadores, não podemos arranjar desculpas. A cultura é aquela que temos e temos de a aceitar. Depois, temos de ser nós a saber puxar pelos adeptos.

Temos, por exemplo, a equipa de andebol com os jogos completamente cheios na Liga dos Campeões. Nós temos de caminhar para aí. No basquetebol, temos de chegar a uma Liga dos Campeões, temos de ganhar ainda mais títulos, temos de ser campeões e, durante os jogos, puxar pelos adeptos. Nas redes sociais também temos de puxar por eles, em conjunto com o clube. Temos de controlar aquilo que conseguimos controlar. E aquilo que conseguimos controlar é o que fazemos dentro do campo e a relação que temos com os adeptos.

Temos de mostrar amor à camisola, que o temos, e os adeptos também têm de se rever em nós quando estamos a jogar. Portanto, muitas vezes também temos de ser nós a puxar por eles.

"Em 30 anos, fomos três vezes ao Eurobasket, agora estamos tão perto de nos qualificarmos para o Mundial"

- Vamos mudar um pouco o foco e falar da seleção. Como foi viver de perto aquela vitória histórica contra Espanha? Foi um dos jogadores em destaque e fez um grande jogo. O que sentiu e como foram os bastidores dessa vitória? Talvez, tirando as grandes competições, tenha sido uma das maiores vitórias de Portugal no basquetebol.

Acho que aquilo que nos levou a ganhar este jogo contra Espanha, e muitos outros jogos em que ninguém acreditava que pudéssemos ganhar, foi uma mudança de mentalidade. Só este verão fomos ganhar à Grécia e fomos ganhar a Espanha, dois dos países mais fervorosos no basquetebol e com um nível muito alto.

Aquilo que mudámos muito no basquetebol português foi deixarmos de ser os coitadinhos. Deixámos de ir para estes jogos, olhar para jogadores que atuam num nível mais alto do que nós, que se calhar têm mais talento, e inferiorizarmo-nos perante eles. A mentalidade que temos é esta: para nos ganharem, têm realmente de ser melhores do que nós, correr mais do que nós e saltar mais do que nós.

Mudámos muito aquela mentalidade do: 'Vamos lá ver, vamos tentar perder por pouco.' Não. Vamos jogar posse de bola a posse de bola, lutar por todos os ressaltos, por todas as defesas e as bolas divididas têm de ser nossas. Não vamos com medo de ninguém.

Obviamente, há dias melhores e outros piores. Fizemos um grande jogo contra Espanha e depois um jogo menos conseguido contra a Geórgia, mas isso faz parte do desporto. Ficámos muito contentes por termos ganho a Espanha, mas não festejámos em demasia, porque já sabíamos que o jogo contra a Geórgia seria ainda mais difícil. As coisas depois não correram bem, mas não pensamos demasiado nessas grandes vitórias que tivemos.

Ficamos contentes, obviamente, e sentimos muito o carinho de todos os portugueses. Agora estive em Viana e fui muito acarinhado por toda a gente. Todos nos deram os parabéns pela vitória contra Espanha. Só esperamos que isto comece a ser um pouco a normalidade no basquetebol português.

- E em relação às aspirações da seleção? Portugal continua a lutar pela qualificação para o Mundial. Ainda acredita que é possível chegar à fase final?

Aquilo que garantimos ao passar esta última fase de qualificação para o Mundial é que, no futuro, passamos diretamente para a última fase de qualificação do EuroBasket. Mas agora estamos 100% focados em tentar chegar ao Mundial. As coisas estão completamente em aberto. Acho que ficou tudo na mesma. A nossa vitória contra Espanha, se calhar, deu-nos a ilusão de que estávamos muito mais perto do que realmente estávamos. Se tivéssemos ganho à Geórgia, aí sim, estaríamos um passo mais perto. Nesta janela de qualificação, praticamente todas as seleções deram um passo em frente e, portanto, continuamos todos em igualdade.

- Ou seja, continua tudo em aberto?

Acho que nem quando ganhámos a Espanha as contas estavam muito mais fáceis, nem agora, depois de perdermos com a Geórgia, estão muito mais complicadas. Obviamente, havia aquela ilusão de que, se ganhássemos à Geórgia, aí sim, estaríamos muito perto. Mas continuamos perto. Agora vamos jogar contra a Ucrânia e contra a Geórgia. Contra a Ucrânia, vamos ter de ganhar o jogo em casa. Esse sim é praticamente decisivo.

Ganhando à Ucrânia, depois temos de ir à Geórgia batalhar também para tentar ganhar os dois jogos. Sabemos que ainda faltam quatro jogos. É possível. Passámos com um registo de 3-3 e agora estamos 4-4.

Sabemos que é possível haver seleções que passem com 6-6, mas aí já depende muito de outros resultados e já não dependemos apenas de nós próprios. Se conseguirmos fazer um 7-5, é muito possível. Ou seja, destes quatro jogos que faltam, se conseguirmos ganhar três, muito possivelmente, quase de certeza, fazemos história no basquetebol português e vamos ao Mundial. Mas também é importante que as pessoas tenham alguma noção de onde já estamos.

Agora parece que é uma obrigação. Às vezes passam pessoas por mim na rua e dizem: 'Vocês têm de se qualificar para o Mundial.' E eu respondo: 'Sim, vamos conseguir e vamos lá estar.' Parece que agora já é uma obrigação.

Nós nem ao EuroBasket conseguimos ir mais do que três vezes nos últimos 30 anos. Fomos em 2007, 2011 e agora no ano passado. Ou seja, fomos três vezes. Agora estamos tão perto de nos qualificarmos para o Mundial e sentimos, conseguimos cheirar essa oportunidade. Mas é importante que as pessoas percebam o nível em que estamos a jogar. É importante perceberem: 'Ok, perdemos com a Geórgia, foi uma desilusão, mas atenção à Geórgia que estava do outro lado.'

Diogo Ventura é presença assídua na Seleção Nacional
Diogo Ventura é presença assídua na Seleção NacionalOpta by Stats Perform, FPB

"Todos aumentamos o nosso nível quando jogamos ao lado do Neemias Queta"

- Falamos pouco de Mário Gomes e da importância que tem tido nos últimos anos. Como tem sido trabalhar com ele e que peso teve nesta evolução da seleção, nomeadamente na mudança de mentalidade do basquetebol português?

O professor Mário Gomes, antes desta geração, já estava na seleção há alguns anos, embora não saiba precisar quantos. As coisas não foram correndo bem. Infelizmente para todos nós, porque temos sempre de torcer pela seleção, essa geração não teve tanto sucesso. Quando esta nossa geração começou a ir à seleção, mudámos um pouco a mentalidade do basquetebol português.

Antigamente, havia muito aquela mentalidade de que o verão era para descansar, não era preciso treinar nem fazer muito trabalho extra. Nós mudámos completamente essa mentalidade. Vamos trabalhar para estar no EuroBasket e para competir com os melhores. E, para isso, temos de trabalhar muito e, acima de tudo, trabalhar bem.

Trabalhamos muito todos os verões e trouxemos muita seriedade à forma como encaramos a seleção. Toda a gente vai à seleção com muita vontade. O professor Mário Gomes teve o mérito de saber escolher os jogadores e, principalmente, de nos fazer acreditar que somos capazes de competir a um nível alto. Enquanto Mário Gomes estiver na seleção, vamos entrar em todos os jogos para ganhar. Não vamos entrar num jogo como coitadinhos, para perder por poucos. Acho que esse é o maior mérito do professor Mário Gomes.

- E Neemias Queta? Como é trabalhar com ele e que importância tem tido na Seleção nos últimos anos?

O Neemias é mais um de nós. Às vezes, as pessoas podem pensar que os jogadores da NBA têm uma atitude de estrela, que são autênticas vedetas. Acho que o Neemias é um exemplo para todos os jovens, não por estar na NBA ou por ter chegado lá, mas pelo processo e pela maneira como encara a equipa no dia a dia e se relaciona com todos. A forma como se integrou e como se integra sempre que regressa, depois de algum tempo, é realmente formidável.

Joga a um nível altíssimo e depois vem à seleção e é mais um de nós. Se for preciso, carrega bolas. Se for preciso, carrega águas. Acho que é um exemplo até para nós, colegas de equipa. Depois, a nível desportivo, não vale a pena aprofundar muito. Sabemos a importância que tem na nossa equipa.

Quando jogamos com ele, o nosso nível aumenta exponencialmente e todos nos tornamos melhores jogadores por termos o Neemias ao nosso lado. Principalmente nós, jogadores exteriores, podemos pressionar muito mais a bola, ser muito mais agressivos e atacar muito mais o cesto. Sabemos que, se o poste adversário vier ajudar, temos uma assistência muito mais fácil, seja num lob ou de outra maneira qualquer. Todos aumentamos o nosso nível quando jogamos ao lado do Neemias. Acho que esse é o maior elogio que se pode fazer a ele.

- Alguma vez pensou que irias ver um jogador português na NBA?

Não, nunca pensei. Comecei a acreditar, e vou ser honesto, pouco, porque achava difícil a NBA olhar para um jogador português. Mas o valor do Neemias é indiscutível e não houve hipótese nenhuma. Até acho que devia ter sido escolhido numa posição melhor do draft, mas isso pouco ou nada interessa. Já lá está, assinou agora um contrato de quatro anos, tem a vida e a carreira estabilizadas e vai continuar a dar o máximo todos os dias. E vai continuar a ser um excelente companheiro de equipa, que acho que, acima de tudo, é a maior valia dele.

Neemias Queta é a principal estrela da Seleção lusa
Neemias Queta é a principal estrela da Seleção lusaFPB

- Acredita que poderemos ter mais algum português na NBA? O Ruben Prey, por exemplo, fez um grande jogo contra Espanha e poderá ter o draft no horizonte. Achas que tem capacidade para lá chegar?

Eu não convivi muito com o Neemias antes de ele entrar na NBA. Como não acompanho muito a NCAA, não conhecia bem o trabalho dele. Depois, na primeira vez que me cruzei com ele na seleção, fiquei com todas as certezas. No caso do Ruben, esta já é a segunda vez que vem à seleção. Da última vez que tinha vindo, ainda jogava no Joventut Badalona, em Espanha.

Agora, quando voltou a estar connosco, vimos uma evolução extraordinária. Comentávamos entre todos que ele tem tudo para lá chegar e temos quase a certeza absoluta de que vai conseguir. Se continuar a trabalhar de forma séria, como trabalha no campo, se continuar a evoluir e a ser agressivo nos ressaltos, nas penetrações e, acima de tudo, na defesa, tem tudo para lá chegar. É um excelente defensor.

Melhorou muito também o lançamento exterior e acho que agora é uma verdadeira ameaça de três pontos. Está a lançar muito bem de fora. Acho que tem tudo para chegar à NBA.

- É também um jogador muito versátil, quase híbrido, algo que vemos muito na NBA. Consegue defender diferentes posições, desde jogadores interiores a exteriores. Essa polivalência pode ser uma grande vantagem?

Sim. Na universidade, o Ruben defende jogadores exteriores. E cá na Europa também consegue defender desde a posição um à posição cinco. Isso é uma grande vantagem que ele tem.

- Durante o estágio para os jogos contra Espanha e Geórgia, Mário Gomes deixou algumas críticas às condições de trabalho da seleção. Não faz sentido termos um jogador na NBA, eventualmente outro a caminho, clubes que investem e um campeonato que tem evoluído e depois depararmo-nos com este tipo de situações. Como olha para este problema?

Infelizmente, o professor Mário Gomes falou disso este verão, mas, na verdade, já passamos por isto há muitos anos. O próprio professor Mário Gomes já é selecionador há muitos anos e sabe que isto sempre foi assim. Infelizmente, faz parte daquela cultura desportiva de que falámos no início desta entrevista. Temos de passar por isso e, tal como o professor Mário Gomes disse, não estamos aqui para arranjar desculpas. Realmente, foi complicado este verão.

No verão passado, no EuroBasket, também estagiámos no Luso e apanhámos aquela onda de calor. Acho que passei toda a minha carreira a sofrer, no verão, em pavilhões em Portugal. Mas é o que é. Fomos a Istambul estagiar e fazer dois jogos de treino neste verão. Chegámos lá e também estavam mais de 30 graus, mas o pavilhão onde fomos treinar tinha ar condicionado. Não sofríamos aquilo que sofremos cá em Portugal.

É uma condicionante que todos os verões já sabemos que vai acontecer em Portugal. Infelizmente, a seleção não consegue treinar nos pavilhões dos três grandes, porque há muitas modalidades ao mesmo tempo e não existe disponibilidade. Os três grandes têm ar condicionado nos pavilhões e as coisas funcionam muito bem em todos.

Mas os pavilhões municipais que estão disponíveis no verão para treinarmos não têm ar condicionado e ficamos um pouco à mercê da meteorologia. Infelizmente, é algo a que já estamos habituados. Lembro-me de sofrer com isto nos sub-16, sub-18 e sub-20 e agora nos seniores. É um problema grave em Portugal, mas não vale a pena arranjarmos desculpas. O professor Mário Gomes também não arranjou desculpas. Quis passar uma mensagem e nós continuamos a trabalhar.

- Olhando para a sua carreira, tem um percurso vasto, passou por vários clubes e foi inclusive campeão pelo Benfica. Não jogou muito nessa época, mas fez parte da equipa campeã. Como olha para esse percurso?

Neste momento tenho dez títulos. Costumo dizer que tenho dez títulos mais um, porque, sim, fui campeão nacional nesse ano pelo Benfica. Apesar de ter jogado apenas um jogo, a verdade é que recebi a medalha e é um título que também conta.

Esse foi o meu primeiro ano a treinar em contexto sénior. Basicamente, ia tapar buracos. Fiz a pré-época com a equipa e, depois, durante a temporada, se houvesse alguma vaga por lesão ou indisponibilidade de algum atleta para treinar, muitas vezes ia eu. Houve uma semana em que realmente surgiu um lugar para mim nos 12 convocados. Equipei-me e joguei um jogo, que serviu para ser campeão.

Fazendo agora o paralelismo com aquilo de que falámos no início, sobre a mentalidade dos miúdos e dos americanos hoje em dia, nessa pré-época e durante os treinos que fui fazendo com os seniores aprendi imenso. Ia todos os dias para aprender e observava tudo aquilo que os portugueses e os americanos faziam.

Para mim, aqueles eram os melhores dias da minha vida. Estava a treinar numa equipa sénior profissional, com alguns dos melhores jogadores portugueses e também com jogadores americanos de altíssimo nível. Era a concretização de um sonho.

Muitas vezes, hoje em dia, a mentalidade já é um pouco diferente. Os miúdos querem tudo para ontem e não acreditam tanto no processo de primeiro apenas treinar, aprender e evoluir aos poucos. Acho que hoje querem tudo muito mais rapidamente do que nós queríamos na nossa altura. Nada contra, nem estou a criticar. Apenas temos de nos adaptar a estes novos tempos.

Voltando ao meu percurso, comecei a jogar num clube da Margem Sul, o Clube Recreativo do Feijó. Depois estive quatro anos no Benfica. Achava que já tinha valor para integrar o plantel sénior e o Benfica não entendeu assim, por isso resolvi seguir o meu caminho. Fui jogar dois anos para o Algés, já na Liga. Depois joguei sempre, até hoje, na primeira liga portuguesa. Passei pelo Sampaense, de Oliveira do Hospital, pelo CAB Madeira, pelo Eléctrico de Ponte de Sor e pelo Galitos. E aqui estou hoje, no Sporting, a fazer a oitava época.

Durante todo este percurso, até chegar ao Sporting, fiz também uma licenciatura. Já tinha começado a trabalhar no meu último ano antes de vir para o Sporting. Trabalhava durante o dia e treinava à noite. Consegui fazer uma boa época no Galitos, o Sporting fez-me uma proposta e aceitei logo.

- A licenciatura é em quê?

Gestão de Transportes e Logística.

- É uma área em que pensa trabalhar quando terminar a carreira ou imagina-se a continuar ligado ao desporto?

Agora, estando num clube grande como o Sporting, já há muitos anos na seleção e a jogar competições de nível muito alto, tenho algum bichinho e alguma vontade de continuar ligado ao desporto. Entretanto, também tirei uma pós-graduação em Gestão do Desporto. Fiz nos últimos dois anos, sensivelmente, e terminei este verão, em junho. Foi também para me formar e aprender mais sobre esta área da gestão desportiva.

Mas não sei. Nunca sabemos as voltas que a vida dá. Também não sei quando vou deixar de jogar. Espero que seja o mais tarde possível, porque gosto muito de jogar, de estar no campo e no balneário. Acho que essa é mais a minha praia. Portanto, neste momento, não sei qual será o futuro.

Diogo Ventura é um dos esteios da formação de Alvalade
Diogo Ventura é um dos esteios da formação de AlvaladeSporting CP

A história com o número 9 e as referências Dimitris Diamantidis, Steve Nash e Luka Dončić

- Quem são as suas grandes referências? Que jogadores mais o inspiraram e continuam a inspirar?

As minhas referências foram mudando com o tempo. Não porque umas tenham deixado de o ser por alguma razão, mas simplesmente porque, como digo, as coisas vão evoluindo e nós vamos atingindo níveis cada vez mais altos. Posso dizer que, quando tinha 14 anos, as minhas referências eram jogadores dos sub-16 do Feijó.

Ainda hoje, um dos meus melhores amigos era um desses jogadores. Também jogava com o número 9 e é uma das razões pelas quais eu uso esse número. É o Hélder Oliveira. Depois também tive como referência o Diogo Correia.

Mais tarde, as minhas referências começaram a passar mais por jogadores internacionais, porque também comecei a ver mais jogos. Passou a ser o Ricky Rubio, porque o vi jogar no Europeu de sub-16. Depois, o Dimitris Diamantidis, que jogava no Panathinaikos. Também gostei muito do Steve Nash. E, nos últimos anos, adoro o Luka Dončić. O Luka é uma coisa estratosférica. Portanto, as referências foram mudando muito. Depende um pouco dos tempos.

- E se tivesse de escolher um cinco ideal, com jogadores com quem jogou ou que mais admira, quem escolheria?

Acho que há dois jogadores que tenho de colocar e não há muito que justificar. Um deles, obviamente, é o Neemias e o outro é o Travante Williams. O Travante, para além de hoje em dia ser um amigo, foi um jogador que também elevou o meu nível. O facto de treinar com ele todos os dias e jogar com ele todos os fins de semana aumentou realmente a minha capacidade.

Na posição quatro, gosto muito de jogar no Sporting com o JP, o João Fernandes, e gosto muito de jogar com o Miguel Queiroz na seleção. Portanto, vou dar 20 minutos de jogo a cada um. Fica o Neemias a cinco, a quatro o Queiroz e o JP, a três o Travante e, a dois, o Francisco Amarante. Para mim, é uma máquina e gosto muito de jogar com ele. E a base meto-me a mim.

- Gosta mais de jogar a um ou a dois?

Gosto mais de jogar a um. Mas jogo a dois sem problema nenhum, sem frete nenhum.

Diogo Ventura em exclusivo ao Flashscore
Diogo Ventura em exclusivo ao FlashscoreSporting CP

- Lembra-se do seu primeiro jogo enquanto profissional?

Sim. O meu primeiro jogo enquanto profissional acaba por ser aquele pelo Benfica. Lembro-me perfeitamente contra quem foi. Foi contra o Barreirense. Na altura, fiquei, não diria triste, mas um pouco: 'Ó pá, estreei-me e não consegui marcar nenhum ponto.'

No dia seguinte, o treinador adjunto da equipa sénior, que era o treinador principal dos sub-20, Goran Nogic, disse-me uma coisa que me marcou muito. Disse-me: 'Pá, nos três minutos que jogaste, fizeste um grande jogo.' Fiquei assim: 'Ah, bom, obrigado.' E ele explicou: 'Fizeste dois ressaltos, duas assistências, um roubo de bola, uma falta sofrida. Ou seja, encheste a estatística nas coisas mais importantes.'

Acho que essas palavras acabaram por me moldar muito para o resto da carreira, principalmente em relação à marcação de pontos. Para mim, marcar pontos é completamente secundário. Hoje em dia, para os miúdos, é muito importante marcar muitos pontos e encher a estatística nesse aspeto, quando, para mim, os pontos são 10%. Tens outros 90% de coisas com que podes contribuir e que podes fazer.

- E, para terminar, qual foi o jogo mais épico da sua carreira? Aquele de que, se terminasse hoje ou daqui a dez anos, se iria sempre lembrar e falar?

Há jogos de que ainda hoje me lembro, mas acho que agora o de Espanha foi muito marcante. Não foi o último jogo oficial que fiz, porque esse foi contra a Geórgia, mas o jogo em Espanha foi, para mim, muito marcante.

Escolha o Flashscore no GoogleVeja os nossos artigos mais vezes
AdicioneAdicionar no Google