“(Futuro) Não vejo. Quando diz que estou cá há muitos anos, é verdade. Eu estive quando o basquetebol era a segunda modalidade, a primeira modalidade do pavilhão. E, neste momento, é para aí a quinta. Portanto, vejo com muita tristeza o lugar em que deixaram o basquetebol ano após ano, mês após mês. Sinto-me triste por estar nesta situação. Eu e muitos colegas meus passámos a vida a lutar pelo basquetebol e outras pessoas deixaram o basquete resvalar para este lugar que está neste momento”, assumiu.
Em entrevista à agência Lusa, o experiente treinador, de 67 anos, diz que “a solução é vir sempre gente nova”, considerando que o presidente atual da FPB está “há muito tempo” no organismo e “não se vê melhorias”.
“É aquela história que se costuma dizer em termos de gestão, em que se quer obter resultados diferentes, fazendo as mesmas coisas e com as mesmas pessoas, é uma utopia”, disse um dos mais titulados treinadores do basquetebol português, que, no domingo, conquistou a Taça de Portugal pela 10.ª vez.
Contudo, Luís Magalhães não acredita que possa haver grandes mudanças nas eleições para os órgãos sociais da FPB, marcadas para 25 de abril, dizendo estar “muito interessado em, para já, acabar esta época, tentar pôr a equipa de Sporting a jogar o melhor basquete possível e fazer evoluir os jogadores”.
“Sabe que já não é para mim nada disto. Eu já dei o meu contributo e agora vou ficar expectante a ver o que é que vai acontecer, mas já não tenho aquela idade para acreditar que isto vai mudar substancialmente”, referiu.
Luís Magalhães considerou ainda que a chegada de Portugal ao Eurobasket também foi fruto do aumento de 16 para 24 equipas qualificadas – “aumentam 33% as possibilidades de ir ao Europeu” –, falando ainda na falta de apoios para as equipas portuguesas poderem disputar as competições europeias.
“Já pensaram porque é que a Ovarense e a Oliveirense não vão às competições europeias? Porque não têm meios. Eu lembro-me que há alguns anos a Ovarense foi a primeira equipa a conseguir passar a uma fase seguinte de uma competição europeia. (...) Acontece que nessa altura os apoios eram da FPB e da Câmara Municipal e, portanto, praticamente não entrava no orçamento do clube. Neste momento, a FPB põe-se de parte, paga uma verba irrisória aos clubes”, lamentou.
Assim, segundo o treinador, “quem tem menos meios como a Ovarense ou a Oliveirense, não participa, porque põe em causa logo a época toda, porque o dinheiro que se gasta nas competições europeias é uma data de dinheiro”.
“É muito difícil. Os clubes pagam, pagam, pagam, não recebem quase nada e é muito complicado para os clubes conseguirem fazer o que é que seja”, reforçou, afirmando que o Sporting terá gastado quatro a cinco mil euros para disputar a final da Taça e apenas recebeu cerca de 1.200 da federação.
