Desde o momento em que chegou ao Utah, deixou claras as suas intenções. Não veio para participar na história; veio para a escrever. Está numa missão – conduzir a BYU a uma época que fique para a história.
“Quando cheguei cá pela primeira vez, parecia irreal porque olhas para fora e há montanhas por todo o lado. É simplesmente um sítio lindíssimo para estar".
A maioria dos caloiros só chega ao campus no final de agosto. AJ não quis esperar. Mudou-se para Provo no final de abril – na verdade, assim que terminou o último trabalho do secundário, fez as malas e partiu para a BYU. Nem sequer foi à cerimónia de finalistas e pediu à escola para lhe enviarem o diploma por correio.
Dybantsa não quis desperdiçar o verão. Em vez disso, começou logo a frequentar aulas universitárias e a treinar com os preparadores da BYU. Quem precisasse dele, só o encontrava em dois sítios – no pavilhão ou na sala de aula.
“Os meus treinos de verão começavam por volta das 07:30. Fazia musculação, treinava, ia à sala de estudo e depois tinha aulas por volta das 15:00. E repetia isto todos os dias”, contou AJ.
Passou a pré-época a aperfeiçoar o seu jogo, a melhorar a finalização junto ao cesto, a ser mais consistente no lançamento de meia distância e a tornar-se letal nos triplos. Um marcador de três níveis.
Todos à volta de Dybantsa sabem que ele é viciado no trabalho árduo. Se ouvirem críticas, certamente não será pela sua ética de trabalho, esforço ou dedicação. Para ele, o basquetebol é mesmo vida.
“Na verdade, não tenho outros passatempos”, disse Dybantsa. “Não jogo videojogos. Se não estou a jogar basquetebol, estou a ver basquetebol. Se vejo uma série na Netflix, adormeço a meio. Não consigo ver mais nada".
Dybantsa cresceu nos arredores de Boston, sempre a praticar desporto e a treinar com o pai. Mas só durante a pandemia da covid-19, em 2020, percebeu o quanto amava o jogo.
Com tudo encerrado, o basquetebol foi a única coisa que ficou. Dybantsa dedicou-se por completo. Durante o verão da pandemia, ainda teve um crescimento de cerca de 13 centímetros.
Quando tudo voltou ao normal e os jogos de basquetebol recomeçaram, Dybantsa já não era o mesmo. Transformou-se num extremo prototípico da NBA – 2,03 metros, atlético, fluido, elegante. A sua envergadura ultrapassava os 2,13 metros.
“Quando os torneios voltaram, ultrapassei todos em altura. Tinha mais técnica do que qualquer outro. Foi aí que percebi que tinha uma oportunidade".
No seu primeiro ano do secundário, fez médias de 19,1 pontos, 9,8 ressaltos e 2,5 desarmes de lançamento por jogo. Foi eleito Jogador do Ano Gatorade do Massachusetts.
Mais tarde, transferiu-se para a Prolific Prep em Napa, Califórnia, onde passou duas épocas antes de terminar o secundário na Utah Prep, em Hurricane, Utah. A época de sénior não correu como planeado – a Utah Prep não conseguiu a qualificação para os nacionais.
Ainda assim, Dybantsa entrou no ciclo de recrutamento como o 1.º prospect do país, despertando o interesse de programas de referência como Duke, Kansas, North Carolina e Kentucky.
Inicialmente, a BYU nem fazia parte das suas escolhas finais. O programa nunca chegou a uma Final Four e, na altura da sua visita, os Cougars não enviavam um jogador para a NBA há 15 anos. No papel, não fazia sentido.
Mas uma visita mudou tudo. AJ apaixonou-se pela BYU e decidiu seguir um caminho menos percorrido – não apenas integrar um programa já de si respeitado, mas criar o seu próprio legado enquanto elevava o programa.
“Sendo totalmente honesto, nunca me imaginei na BYU. Não pensei que ia estar no Utah esta época”, confessou. Mas acabou por escolher a BYU pela sua cultura e ambiente familiar.
“Senti-me em casa quando cá estive na visita. Pensei: ‘Não posso deixar de vir para aqui'".
Um percurso que para muitos não fazia sentido, mas para ele era o mais lógico.
Pode ter havido outra influência subtil. Em criança, Dybantsa idolatrava Kevin Durant. As comparações – envergadura, fluidez, versatilidade na marcação de pontos – surgiram naturalmente.
Há dois anos, a BYU contratou Kevin Young como treinador principal após quatro épocas como adjunto nos Phoenix Suns, onde trabalhou de perto com Durant. Dybantsa quis saber mais e decidiu contactá-lo.
Assim, enviou uma mensagem a KD. “Ele disse-me: ‘Vais gostar dele, por isso faz a visita e vê como te sentes em relação a isso'".
E o seu ídolo tornou-se amigo e mentor. Durant deu-lhe outro conselho fundamental: manter-se focado e obcecado pelos seus objetivos. Depois da visita, AJ percebeu rapidamente que a BYU era o ambiente ideal para isso.
Para a BYU, este é um momento único numa geração. Um talento geracional a representar o azul-marinho e branco é algo raro.
Mas Dybantsa quer abrir caminho para futuros recrutamentos e colocar a BYU no mapa do basquetebol como candidata regular. O extremo não teme os holofotes.
“Ele já está habituado. Está no radar desde o 8.º ano. As câmaras, os media, os microfones. Já nada disto o afeta. E tudo porque se mantém humilde”, afirmou o seu pai, Ace Dybantsa.
O filho conquistou de imediato os adeptos e treinadores da BYU pela sua ética de trabalho, intensidade em campo e espírito de equipa e isso nota-se.
A BYU ocupa atualmente a 19.ª posição no ranking nacional, sendo sétima numa Big 12 Conference recheada de equipas cotadas. Mas a equipa já provou que pode competir com os melhores. Perdeu com o Arizona por três e sete pontos e venceu o Iowa State.
O objetivo é atingir o auge na altura certa, com março a aproximar-se. As expectativas de Dybantsa continuam ambiciosas. “Queremos chegar à Final Four ... e depois disputar a final nacional”, disse Dybantsa. “Não queremos outra coisa. Não aceitamos menos do que isso".
Em média, o prodígio regista 25,1 pontos, 6,8 ressaltos e 3,8 assistências por jogo, com 53% de eficácia nos lançamentos de campo e quase 37% nos triplos. Lidera o país em pontos marcados e tem sido consistente e fiável ao longo da época.
Dybantsa nunca relaxa em campo e compete em ambos os lados do campo. Com 2,06 metros, é o sonho de qualquer equipa da NBA. O natural de Boston é apontado como provável 1.º escolhido do draft em junho.
“O objetivo máximo é chegar à NBA, e se lá chegares, tens oportunidade de fazer o que quiseres”, afirmou AJ. “Mas 1.º escolhido? Tenho de o conseguir".
Tem todas as ferramentas para singrar no próximo nível e continua a trabalhar nas suas fragilidades. O seu percurso está longe de ser comum. E, enquanto se prepara para a NBA, mantém-se presente e focado na tarefa imediata: vencer na BYU.
“Quero ser recordado aqui como alguém que abraçou a cultura, que se entregou aos adeptos. Mas, dentro de campo, como um jogador que veio para ganhar e proporcionou um espetáculo emocionante ao público".
