"A minha mentalidade? Dizer a ti próprio que consegues mudar o rumo de um jogo, jogues 30 minutos ou apenas 10", resume o espanhol numa entrevista à AFP.
"Aqui, todas as noites defrontas jogadores capazes de marcar 25 pontos. Só tens de aceitar o desafio e não levar as coisas para o lado pessoal. Mesmo que façam um afundanço por cima de mim, não me incomoda!", acrescenta.
Escolhido no ano passado na 28.ª posição pela franquia mais titulada da história (18 anéis da NBA), Hugo González, formado no Real Madrid, conquistou um lugar na rotação do seu treinador, Joe Mazzulla, e no coração dos adeptos dos Celtics, cativados pela sua energia e agressividade.
À primeira vista, as suas estatísticas (4,0 pontos, 3,4 ressaltos de média por jogo) estão longe de rivalizar com as dos melhores rookies da sua geração, mas é no plano coletivo que o seu contributo se torna mais evidente.
"A mentalidade certa"
"O Hugo desempenha o mesmo papel que eu tinha como rookie: ser o jogador que traz energia e defesa a uma equipa que luta por ser primeira ou segunda da sua conferência", elogiou o seu colega Jaylen Brown, que liderou os Celtics durante toda a época na ausência da estrela Jayson Tatum, que regressou recentemente após uma longa lesão.
"O que não sabia era até que ponto o Hugo é atlético. Vai ter uma grande carreira na NBA, tem talento e a mentalidade certa. Ter um rookie que influencia tanto as nossas hipóteses de vitória é realmente fantástico", acrescentou Brown.
O contributo do jovem madrileno para um bloco coletivo sólido, com o núcleo dos campeões de 2024 (Brown, Tatum e White), permitiu a Boston contrariar todos os prognósticos na Conferência Este e voltar a assumir o favoritismo com o regresso da sua grande figura.
"Diz-se que os títulos ganham-se a defender, e eles têm 18. Alguma coisa devem saber!", recorda González, cuja formação no Real Madrid o preparou de forma ideal para assumir este papel.
"Tive muita sorte em integrar uma cultura que me permite evoluir e que faz sobressair as minhas melhores qualidades", considera.
"Ainda não conquistámos nada"
O internacional espanhol (dois jogos), sabe também que representa mais do que o seu país numa Liga cada vez mais internacionalizada: "Acredito que estamos a mostrar que os talentos europeus são, em muitas situações, tão fortes como os norte-americanos, e que conseguimos competir com eles".
"O facto de ter sido formado no Real, de jogar ao mais alto nível desde pequeno, com a paixão e a obrigação de vencer, ajuda nos jogos de grande pressão ou quando chegas aos play-offs, mesmo sendo rookie", explica o número 28 do gigante verde.
"Nunca teria imaginado desempenhar um papel tão importante. As coisas estão a correr mesmo bem para mim, mas só disputámos 70 jogos, ainda não conquistámos nada, e eu não fiz nada a nível individual", ressalva.
Pelo seu caráter, González – que conseguiu um duplo-duplo, 18 pontos e 16 ressaltos, frente a Milwaukee – pode tornar-se um dos líderes da renovação da geração dourada liderada por Pau Gasol e que levou o basquetebol espanhol a viver a melhor fase da sua história.
Nesse grupo, além de Hugo, está o outro espanhol da NBA, Santi Aldama, consolidado nos Grizzlies, e uma fornada de jovens que se destacaram no recente campeonato universitário, com Mario Saint-Supéry, Álvaro Folgueiras e, sobretudo, Aday Mara.
O gigante aragonês (20 anos, 2,21 m de altura) da universidade de Michigan, a quem muitos comparam a Nikola Jokic pelo seu estilo de jogo, tornar-se-á este sábado no primeiro espanhol a disputar a Final Four da NCAA.
