Os campeões em título enfrentaram os Knicks num duelo emocionante que manteve o público do Madison Square Garden em suspense. Com menos de três minutos para o fim, o jogo prometia um desfecho eletrizante quando Boston perdeu a bola e Jayson Tatum lançou-se para a recuperar – mas a sua perna direita cedeu, e caiu imediatamente na quadra, em agonia.
Ao pedir um desconto de tempo e puxar uma toalha sobre a cabeça, Tatum ficou imóvel enquanto a arena se silenciava. Todos perceberam de imediato que algo estava muito errado. Tatum foi retirado do campo, e os Celtics perderam o jogo por 121-113. Estavam à beira da eliminação, a encarar de frente o fim da época. No entanto, naquele momento, essa não era a maior preocupação da equipa. Todos os pensamentos estavam centrados na estrela de Boston.
“Neste momento, estou preocupado com o Jayson. Isso é o mais importante para mim. O resto, logo se resolve. Mas só espero que ele esteja bem”, afirmou o poste dos Celtics, Al Horford, após o jogo.
Notícia devastadora para Boston
Algumas horas depois, o diagnóstico brutal abalou o mundo do basquetebol – Tatum tinha rompido o tendão de Aquiles. A lesão grave terminou imediatamente a sua época e colocou em risco a seguinte. Os Celtics perderam a série e foram eliminados. Mas a grande questão era: como iriam atuar sem o seu franchise player (jogador-franquia, ndr)?
Além de Tatum, a equipa perdeu outras peças valiosas durante o defeso. Al Horford assinou pelos Golden State Warriors, Kristaps Porzingis foi trocado para os Hawks e Jrue Holiday para Portland. O agente livre Luke Kornet aproveitou uma oportunidade nos San Antonio Spurs. Apesar de Boston ter acrescentado juventude e talento ao plantel, as expectativas eram modestas.
Muitos analistas previam que os Celtics iriam lutar apenas para chegar aos play-offs... Mas superaram praticamente todas as previsões.
Cinco meses após o início da época 2025–26, ocupam o segundo lugar na Conferência Este — uma posição que poucos anteciparam. Em vez de lutar por um lugar nos play-offs, os Celtics estão a caminho de receber uma série da primeira ronda. A liderar está Jaylen Brown, a realizar uma campanha digna de MVP, com médias de 28,9 pontos, 7,2 ressaltos e cinco assistências por jogo. Derrick White e Payton Pritchard também elevaram o seu nível para ajudar a colmatar a enorme ausência de Tatum. Neemias Queta teve mais minutos e afirmou-se como um dos melhores postes da Liga.
O que era suposto ser uma época de sobrevivência transformou-se discretamente em mais um ano de candidatura ao título. E, de repente, o futuro tornou-se ainda mais promissor. Apenas 10 meses após a cirurgia para reparar o tendão, Tatum regressou. E voltou em grande estilo.
Regresso a casa após a lesão
Quando as fontes internas divulgaram a informação na quinta-feira, adeptos de todo o mundo ficaram em suspense. De repente, todas as atenções estavam voltadas para o jogo de sexta-feira à noite – Boston recebeu os Dallas Mavericks no seu pavilhão, e o que era um encontro rotineiro tornou-se um evento de destaque. O seis vezes All-Star e duas vezes medalha de ouro olímpica aqueceu. E quando o anúncio do cinco inicial ecoou pelo TD Garden, os adeptos explodiram de alegria e entusiasmo. Ele está de volta!
“Acho que vai ser um dia especial, e sei uma coisa: O meu primeiro jogo de regresso será em casa, será no TD Garden,” disse Tatum em setembro. “Provavelmente vai ser emotivo, mas é algo que estou ansioso por viver, correr naquele túnel e voltar ao campo com todos os nossos adeptos, partilhando esse momento com eles”. O seu desejo concretizou-se.
Tatum registou 15 pontos, 12 ressaltos e 7 assistências em 27 minutos – a ameaçar um triplo-duplo na estreia pós-lesão. Os Celtics venceram os Mavericks por 120–100 e mostraram-se mais confortáveis do que nunca. Como se nunca tivessem perdido o seu melhor jogador.
Superar obstáculos físicos e mentais
Um tendão de Aquiles rompido exige cirurgia e muitos meses de reabilitação. O tempo de regresso pode variar; o mínimo ronda os dez meses, mas alguns jogadores ficam afastados muito mais tempo. Kevin Durant esteve fora durante 18 meses após romper o tendão em 2019. O processo de recuperação vai além da cura física. Há também o lado mental, incluindo confiar no corpo e superar medos. Uma lesão deste tipo pode terminar uma carreira.
“Fiquei em choque e assustado. Parecia que tudo passou diante dos meus olhos. Tudo o que fiz na minha carreira, naquele momento, senti que tinha chegado ao fim. Foi devastador. Só pensava: ‘Será que vou voltar a jogar?’ Para ser sincero, nessa altura, não tinha esperança. Sempre fui otimista, sempre senti que podia superar tudo, mas isto era diferente,” relatou Jayson.
O lado positivo para Tatum foi que a lesão aconteceu em Nova Iorque, onde pôde receber os melhores cuidados médicos de imediato. As primeiras 24 horas são cruciais: reparar o tendão cirurgicamente nesse período pode encurtar significativamente o tempo de recuperação.
“Há dados bastante sólidos que mostram que, se fizeres a cirurgia ao tendão de Aquiles nas primeiras 24 horas após a lesão, os resultados são melhores,” explicou o cirurgião de Tatum, Dr. Martin O’Malley. Tatum lesionou-se na noite de segunda-feira e foi operado na manhã de terça-feira, antes de haver inchaço.
Esta ação imediata poupou-lhe cerca de um mês de recuperação. Três meses depois, assistiu a um jogo dos Patriots sem bota ortopédica. Drake Maye perguntou-lhe como estava. “Estou a melhorar,” respondeu Tatum. No final de setembro, Boston realizou um dia para a comunicação social. Nessa altura, Tatum já partilhava vídeos a correr e a lançar. Estava a mostrar o seu progresso e a dar esperança aos adeptos, deixando claro que não sentia pressão para regressar o mais rápido possível.
“Sem pressão. Já o disse. Não há pressão para voltar antes de estar 100 por cento saudável. Sem pressão do presidente de operações Brad Stevens, do treinador Joe Mazzulla, da equipa, da organização. O mais importante é estar 100 por cento saudável quando regressar", afirmou na altura.
Boston teve um início atribulado, enquanto tentava encontrar um sistema sem Tatum. Três derrotas no arranque, frente a Philadelphia na estreia, depois contra New York e Detroit, antes de finalmente dominar Nova Orleães e somar a primeira vitória do ano. A partir daí, encontraram rapidamente a sua identidade. E desde então, só têm melhorado.
Durante seis épocas, Tatum liderou a equipa em lançamentos. A sua ausência obrigou os Celtics a reinventar a abordagem ofensiva, distribuindo essas oportunidades pelo plantel. À medida que os meses passaram e Tatum progrediu discretamente na reabilitação, Boston continuou a evoluir. E, após dez meses de separação forçada, voltaram a unir-se.
Perseguir o título novamente
No domingo, defrontaram os Cavaliers em Cleveland. Os Celtics superaram a equipa da casa por 109–98; Tatum contribuiu com 20 pontos, 3 ressaltos e 2 assistências, além de converter um triplo decisivo com menos de dois minutos para o fim, travando a tentativa de recuperação de Cleveland.
O reencontro provou que Boston não precisava de mais ajustes para competir com Tatum novamente. Quase parece que nunca saiu. Os Celtics já eram candidatos antes do regresso da sua estrela. Agora, o teto da equipa aumentou ainda mais. O objetivo de Tatum sempre foi jogar basquetebol com significado. E, estando à frente do previsto e 100 % saudável, não fazia sentido esperar pela próxima época para voltar a lutar pela vitória.
Com o objetivo de chegar longe nos play-offs, atingir o topo e erguer o troféu Larry O’Brien, Boston mantém o seu grande objetivo.
Tatum tem agora a oportunidade de escrever um dos maiores regressos de sempre.
