Schrempf salienta impacto da NBA na Europa antes da estreia na Alemanha: "Tornou-se global'

O antigo jogador dos Portland Trail Blazers Detlef Schrempf (ao centro) com o diretor dos Portland Trail Blazers, Joe Cronin
O antigo jogador dos Portland Trail Blazers Detlef Schrempf (ao centro) com o diretor dos Portland Trail Blazers, Joe CroninImagn Images / ddp USA / Profimedia

Na véspera do primeiro jogo da época regular da NBA na Alemanha, o pioneiro do basquetebol europeu Detlef Schrempf sente-se "orgulhoso" do papel que desempenhou ao transformar a liga num fenómeno mundial.

"A NBA tornou-se global," afirmou Schrempf à AFP a partir de Berlim, onde os Memphis Grizzlies e o Orlando Magic vão defrontar-se na quinta-feira.

Três vezes All-Star da NBA, Schrempf é considerado a primeira verdadeira estrela europeia na NBA, tendo popularizado o desporto no seu país natal, a Alemanha, e em toda a Europa.

Quatro décadas depois, os jogadores internacionais – sobretudo os europeus – estão firmemente estabelecidos no topo do basquetebol. Em 2023, a Alemanha eliminou os Estados Unidos a caminho de conquistar o título de campeã mundial masculina da FIBA pela primeira vez.

O prémio de MVP da NBA, atribuído anualmente ao melhor jogador da liga, não é conquistado por um norte-americano desde 2018. Com o francês Victor Wembanyama e o esloveno Luka Doncic a juntarem-se aos múltiplos vencedores de MVP Nikola Jokic, da Sérvia, e ao Greek Freak Giannis Antetokounmpo como grandes estrelas da NBA, a presença europeia veio para ficar.

"Já havia talento assim no passado, mas não tinham as oportunidades," comentou Schrempf sobre as novas estrelas, acrescentando que algumas infraestruturas eram tão más que "ninguém queria que o seu filho jogasse basquetebol ali todos os dias".

"Quando fui escolhido no draft, talvez estivessem dois olheiros e um treinador no Campeonato Europeu antes do draft. Hoje em dia, cada equipa da NBA tem vários olheiros espalhados pelo mundo à procura de talento", indicou.

Schrempf "abriu caminho" para postes habilidosos

Grant Hill, sete vezes All-Star e agora co-proprietário dos Atlanta Hawks, afirmou que Schrempf "abriu caminho" para os jogadores modernos da NBA: postes habilidosos, capazes de driblar e lançar.

Escolhido pelos Dallas Mavericks, uma equipa atenta ao talento europeu como Doncic e o antigo MVP alemão Dirk Nowitzki, a carreira de Schrempf disparou quando foi transferido para os Indiana Pacers em 1989. Ao mudar-se para os Seattle Supersonics em 1993, Schrempf chegou às finais da NBA em 1996, levando os Chicago Bulls de Michael Jordan, dominadores do mundo, a seis jogos.

"Não gosto de comparar épocas diferentes, mas eram muito difíceis de vencer. Tinham muitos jogadores de grande qualidade, sabiam o que tinham de fazer e contavam, provavelmente, com o melhor jogador de sempre. Tivemos as nossas oportunidades, mas simplesmente não conseguimos concretizar", disse Schrempf.

Com 2,08 metros de altura (6'9"), Schrempf, apelidado de Det the Threat, mudou a perceção de que os jogadores europeus eram frágeis – e ajudou a transformar o jogo em geral.

"Era isso que todos diziam, e eu respondia sempre: 'Não me parece'. Sempre disse que é muito mais difícil disputar Campeonatos da Europa, Mundiais ou Jogos Olímpicos do que jogos da NBA. Viam jogadores altos a lançar de fora em vez de jogarem de costas para o cesto. Diziam: 'estes não querem lutar lá dentro'. Nunca pensei realmente que o meu objetivo fosse mudar a mentalidade ou a perceção sobre o que são os jogadores europeus. O que queria era jogar basquetebol", atirou.

Desenvolvimento do basquetebol americano "limitado"

Graças a Schrempf e ao também membro do Hall of Fame da FIBA Nowitzki, os postes habilidosos são agora o modelo do jogador moderno da NBA. Schrempf, que vive em Seattle desde que terminou a carreira, questiona se teria atingido tal nível se tivesse crescido nos Estados Unidos.

"Normalmente, os jogadores altos (da Europa) eram mais completos porque aprendiam tudo desde cedo: drible, passe, lançamento, compreensão do jogo. Nos EUA, se eras alto, ficavas de costas para o cesto. Os meus filhos, ao crescerem, assim que eram os mais altos da equipa, diziam-lhes para ficarem debaixo do cesto... em vez de trabalharem as suas capacidades, o lançamento, o drible e o passe", apontou.

Jokic, três vezes MVP e amplamente considerado o melhor jogador da NBA, é o exemplo perfeito.

"Com o Jokic, é um nível completamente diferente, o que ele traz ao jogo. Um jogador alto que consegue dominar em tantos aspetos. É simplesmente impressionante", classificou.

Apesar do sucesso dos jogadores europeus, Schrempf não espera mudanças significativas nos Estados Unidos, onde a competição é muitas vezes limitada ao nível do secundário e universitário.

"Boa sorte com isso – estão a lidar com entidades grandes e lentas, que nunca mudaram. Hoje em dia, um jovem pode aprender o jogo muito melhor noutro sistema, não necessariamente nos Estados Unidos. Está tudo tão limitado. Na Europa, pode-se treinar três vezes por dia. Se quiseres mesmo evoluir, consegues", finalizou.

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