Belenenses sonha com a Taça Ibérica de râguebi: “Este ano queremos que a vitória caia do nosso lado”

David Wallis é uma das figuras da equipa de râguebi do Belenenses
David Wallis é uma das figuras da equipa de râguebi do BelenensesOs Belenenses

A equipa de râguebi do Belenenses está a poucas horas de um dos momentos mais marcantes da época. Este domingo, o Restelo é palco da final da Taça Ibérica frente aos espanhóis do El Salvador e David Wallis, figura histórica do clube com 16 anos de ligação aos azuis, destacou ao Flashscore a ambição de conquistar o troféu e o peso especial de disputar a decisão em casa.

"Taça Ibérica é um troféu especial e jogar no Restelo é a cereja no topo do bolo"

- No próximo domingo, o Belenenses defronta o El Salvador, de Espanha, na Taça Ibérica. Que significado tem este jogo para vocês enquanto grupo? O que é que podemos esperar desse encontro?

A Taça Ibérica é sempre uma competição muito importante para nós. Apesar de já termos conquistado vários campeonatos nacionais, esta taça tem-nos escapado quase sempre. Já participámos em muitas edições e só conseguimos vencer uma.

É um troféu especial, que adoramos disputar, porque jogar contra equipas espanholas é sempre diferente. No fundo, é quase como representar Portugal. São jogos muito intensos, físicos, com um nível competitivo alto. O nosso objetivo é claro: vencer. No ano passado estivemos muito perto... Perdemos apenas no prolongamento, por dois pontos. Este ano queremos que a vitória caia do nosso lado.

- E que tipo de jogo espera, David? Mais físico, rápido, tático?

Acima de tudo, físico. Eles têm uma avançada muito forte, e nós também. Acredito que grande parte do jogo vai decidir-se aí. Taticamente estamos muito bem preparados. A nossa equipa técnica estudou e analisou muito bem o El Salvador. Sabemos o que temos de fazer para ganhar e o que devemos evitar. Temos trabalhado bastante nas últimas semanas para corrigir erros do passado.

- O Belenenses é bicampeão nacional. Como é que a equipa lida com esse estatuto e o que pode fazer a diferença neste jogo?

O desequilíbrio pode surgir a partir dos três-quartos. Temos jogado juntos há mais tempo, temos mais entrosamento e isso conta muito. No râguebi, qualquer falha coletiva nota-se logo, sobretudo na defesa. Por isso, essa coesão pode ser decisiva.

Quanto ao estatuto de bicampeões, é algo de que nos orgulhamos muito. O clube nunca o tinha conseguido. Mas isso já passou - festejámos na altura certa. Agora o foco é total na Taça Ibérica e no que vem a seguir.

- Jogar no Restelo, em casa, tem um peso especial?

Sem dúvida. Numa Taça Ibérica, jogar em casa faz diferença. E no Restelo é a cereja no topo do bolo. Quando ganhámos o primeiro campeonato destes dois, a final foi lá, com cerca de quatro mil adeptos, e foi inesquecível. Queremos repetir isso. É um grande sentimento.

- E para si, pessoalmente, que significado tem vestir as cores do Belenenses?

O râguebi é diferente de muitas outras modalidades, ainda existe muito amor à camisola. O Belenenses, para mim, é mais do que um clube. É uma segunda família. A maioria dos meus amigos vem do râguebi, e é esse espírito que nos faz continuar mesmo nos momentos mais duros da época. Estamos todos a lutar pelo mesmo símbolo.

David segura a taça de campeão nacional
David segura a taça de campeão nacionalOs Belenenses

O caminho da profissionalização: "Se não acontecer, vamos perder o barco"

- Nos últimos tempos o râguebi português tem vivido uma fase positiva: a seleção principal voltou a qualificar-se para o Mundial, os sub-20 são bicampeões europeus… Que leitura faz deste momento da modalidade?

Estamos a crescer, sem dúvida. Depois do Mundial de 2023 tentou-se criar uma estrutura mais profissional, mas ainda não foi possível. Esse é o caminho. Não é preciso profissionalizar tudo de imediato, mas pelo menos criar uma base semi-profissional.

Se isso não acontecer, será difícil manter o nível e vamos perder o barco. Não há milagres. Há jogadores de grande qualidade, mas a diferença entre quem treina a tempo inteiro e quem trabalha durante o dia é enorme. Há planos para isso, mas falta investimento. O Estado, o IPDJ e os privados precisam de investir mais. Sem isso, será difícil estarmos presentes nas competições grandes.

- O que significa para si vestir as cores de Portugal?

É um orgulho enorme. Jogar pela Seleção é o máximo. Já tive a oportunidade de ser capitão num jogo, o que foi especial — não esperava, porque há outros jogadores com mais experiência. Mas foi um privilégio. Representar Portugal é representar tudo o que somos, dentro e fora de campo. Espero continuar a representar Portugal durante muitos mais anos, pelo menos até 2027 (ano do Mundial).

- O David começa no futebol, mas acaba por seguir o râguebi. Que mensagem deixaria aos jovens que pensam experimentar a modalidade?

O desporto em geral traz sempre coisas boas, mas o râguebi ensina valores muito próprios: humildade, espírito de equipa e capacidade de lidar com as dificuldades. É um desporto que forma o caráter. Aprende-se a gerir as dificuldades.

E, acima de tudo, cria amigos e laços fortes. No râguebi, as amizades nascem dentro de campo e duram para a vida. Acredito que qualquer jovem que entre no râguebi vai ganhar isso. Ou seja, vai ganhar uma família e um propósito comum.

David deixa apelo aos adeptos para marcarem presença no Restelo
David deixa apelo aos adeptos para marcarem presença no ResteloOs Belenenses

Mensagem aos adeptos: "Apoio nas bancadas é essencial"

- Se o râguebi fosse uma pessoa e a encontrasses na rua, o que lhe dirias?

Agradecia-lhe por tudo o que me deu e por tudo o que me ensinou. Foi, sem dúvida, uma das melhores decisões da minha vida.

- Para terminar, que mensagem deixas aos adeptos para este domingo no Restelo?

Que venham apoiar-nos! Vai ser um grande jogo de râguebi, muito disputado e bonito de ver. O apoio nas bancadas é essencial. Nos momentos difíceis, ouvir o público a puxar por nós faz toda a diferença.