“Vejo com grande agrado. Assim que ganhámos o Mundial, fui falando da necessidade e importância de estes jogadores competirem perante um grau de adversidade maior. Isso impunha que jogassem mais acima (em relação aos sub-17) para, depois, poderem ter o nível que achamos que podem alcançar”, vincou o técnico, em declarações à comunicação social.
Bino Maçães falava à margem de uma gala anual promovida pelo jornal O Gaiense, em Vila Nova de Gaia, na qual vai ser homenageado pelos dois cetros arrebatados no ano passado com a seleção nacional de sub-17.
“É sempre importante, porque é o reconhecimento do trabalho feito, não por mim, mas pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), num excelente ano. Temos feito um grande trajeto e conquistámos dois grandes troféus”, referiu, lembrando o “objetivo maior” de formar futuros internacionais AA.
Satisfeito pela resposta dos jogadores às expectativas, Bino Maçães não se mostrou surpreendido pelo impacto imediato na equipa principal do Benfica do avançado Anísio Cabral, autor de dois golos em cinco partidas.
“Ele fez um grande Campeonato do Mundo e teve um trajeto muito bonito connosco. Ainda está em fase de crescimento e tem de ser muito mais regular se quiser atingir outros patamares de excelência. Isso é normal. Agora, estou muito contente pelos golos que fez. Não temos muitos pontas de lança em Portugal e podemos estar bem servidos no futuro”, analisou.

Segundo melhor marcador do Mundial, com sete golos, Anísio Cabral fez o único tento com que Portugal derrotou a Áustria na final (1-0), disputada em novembro de 2025, em Doha, no Qatar, conquistando um inédito troféu.
O dianteiro já tinha estado em evidência cinco meses antes, ao inaugurar o marcador e assistir para o segundo golo de Portugal na vitória sobre a França (3-0), no encontro decisivo do Europeu, em Tirana, na Albânia.
Esses dois êxitos contaram ainda com contributo do médio Mateus Mide, eleito melhor jogador do Campeonato do Mundo e à espera da estreia na equipa principal do FC Porto, líder isolado da Liga Portugal a oito jornadas do fim.
“Tenho estado atento a ele, mas também ao Bernardo Lima e ao Duarte Cunha. Acredito que vão corresponder, porque o talento e a qualidade estão lá. Muitas vezes, é só uma questão de oportunidade, mas tudo a seu tempo. Quem sou eu para dizer o que os clubes devem fazer? Tenho é uma grande vontade de que esta geração possa crescer e chegar o quanto antes a outros patamares, no clube e nas seleções”, reiterou Bino Maçães.
Dos 22 jogadores envolvidos nos dois êxitos, Daniel Banjaqui, José Neto e Anísio Cabral, cujo contrato foi renovado em fevereiro até 2031, fizeram a estreia nos seniores do Benfica, a exemplo de João Aragão no SC Braga.
Bino Maçães, de 53 anos, é um dos homenageados pelo jornal O Gaiense, tal como o espanhol Roberto Martínez, que conduziu em 2025 a seleção portuguesa à conquista da Liga das Nações pela segunda vez, após 2019.
A cerimónia vai incluir um tributo póstumo a Jorge Costa, antigo defesa-central internacional português e diretor do futebol profissional do FC Porto, falecido em agosto do ano passado, aos 53 anos.
