Boxe: Médica legista não está convencida de premeditação no suicídio do ex-campeão Ricky Hatton

Hatton faleceu em setembro de 2025
Hatton faleceu em setembro de 2025ichard Sellers/Sportsphoto/APL / Mary Evans Picture Library / Profimedia

Uma médica legista disse esta sexta-feira não ter "ficado satisfeita" quanto à teoria de suicídio premeditado do antigo campeão mundial de boxe Ricky Hatton, com o inquérito à sua morte a revelar que ele tinha feito planos significativos para o futuro.

Hatton, com 46 anos, foi encontrado inconsciente em sua casa pelo empresário a 14 de setembro do ano passado. O inquérito concluiu que a causa oficial da morte foi enforcamento.

Alison Mutch, média legista principal de South Manchester, declarou ao tribunal que não foram encontrados quaisquer notas de Hatton e que não havia informações recolhidas pela polícia que indicassem que ele tinha planeado tirar a própria vida.

Os testes mostraram que o grande nome do boxe britânico estava muito acima do limite de álcool permitido para condução no momento da sua morte. Foram também detetados vestígios de consumo anterior de cocaína e canábis.

O exame post-mortem revelou alguns danos no cérebro, identificados como encefalopatia traumática crónica (CTE), associada ao boxe.

"Ele tinha feito planos significativos para o futuro e não foram encontradas notas que indicassem intenção de tirar a própria vida. Ouvi com muita atenção todas as provas. Ao juntar tudo, não posso estar satisfeita de que ele tenha tido intenção de tirar a própria vida. Por isso, não é possível, legalmente, concluir suicídio. Concluí um veredicto narrativo. A sua intenção permanece incerta, pois estava sob influência de álcool, e o exame neuropatológico post-mortem revelou sinais de encefalopatia traumática crónica", afirmou Mutch na conclusão do inquérito.

Vários familiares de Hatton estiveram presentes para ouvir o veredicto.

O antigo boxista foi descrito como um pai dedicado, bem-disposto e no melhor estado em "anos", apesar dos problemas passados com álcool e drogas, segundo a família relatou ao tribunal de Stockport, perto de Manchester.