Ciclismo: Efapel reforçada procura contrariar prolongada supremacia da Anicolor-Campicarn

A equipa da Efapel
A equipa da EfapelEfapel

A reforçada Efapel assume-se como única rival à altura da supremacia da Anicolor-Campicarn, novamente reconfigurada no apoio a Artem Nych, na época velocipédica de 2026, que começa no sábado ainda mais órfã de referências.

O ciclismo português atravessa uma das mais complicadas fases das últimas décadas e as perspetivas são verdadeiramente desanimadoras após uma pré-temporada com vários abandonos e na qual nenhum nome sonante aterrou em Portugal.

Assim, a Anicolor-Campicarn, que mudou de designação pelo terceiro ano consecutivo e que promoveu nova revolução no seu plantel – saíram oito corredores e entraram nove -, permanece como a incontestável líder do pelotão nacional, até por ter nas suas fileiras o bicampeão em título da Volta a Portugal.

Ninguém parece conseguir rivalizar com Artem Nych, o afável russo que chegou à formação de Águeda em 2023 e, desde então, tem estado na luta pelas mais importantes provas do calendário nacional, com o seu principal rival a vestir as mesmas cores fluorescentes.

No ano passado, o francês Alexis Guérin chegou, viu e venceu, impondo-se no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela e no Troféu Joaquim Agostinho antes de ser segundo na Volta a Portugal, onde deixou transparecer alguns laivos de ambição, que pode querer concretizar esta época.

Apenas uma equipa terá, em teoria, argumentos para enfrentar o esquadrão flúor, que manteve também o capitão Rafael Reis e contratou o ex-WorldTour Enzo Leijnse.

Depois de dispensar Mauricio Moreira, a Efapel fez contratações cirúrgicas, que tornaram o seu plantel invejável, entre a mistura da experiência de Tiago Antunes, quinto e melhor português na última Volta, ou Joaquim Silva, à juventude de Lucas Lopes, Diogo Gonçalves (24 anos), Tiago Leal (26), Gonçalo Tavares (21) ou Rafael Durães (19).

Além de ter contratado Lopes, o melhor jovem da Volta2025 que, aos 22 anos, é provavelmente o mais promissor ciclista a alinhar em território nacional, a equipa liderada por José Azevedo roubou ainda o explosivo trepador Jesús David Peña ao Tavira.

Azevedo tinha ameaçado não correr em Portugal, mas a perspetiva da obrigatoriedade de ter de alinhar com pelo menos cinco ciclistas em cada uma das provas nacionais, posteriormente não concretizada pela Federação Portuguesa de Ciclismo, condicionou as opções internacionais da formação laranja, que terá de contentar-se com a missão de contrariar o domínio da Anicolor-Campicarn.

Desfalcados estão o Tavira, desprovido esta época de patrocinadores adicionais – o que complicará, certamente, os objetivos da mais antiga formação do pelotão mundial, que foi uma das sensações de 2025 –, e o Feirense-Beeceler, amputado de líderes depois da saída de Byron Munton, o terceiro classificado da Volta 2025, da suspensão por doping de António Carvalho e da contratação fracassada de Mauricio Moreira.

O vencedor da Volta 2022, e vice no ano anterior – foi segundo atrás de Amaro Antunes, entretanto suspenso por anomalias no passaporte biológico -, anunciou surpreendentemente o final da carreira em meados de dezembro, apesar de ter um pré-acordo com a equipa de Santa Maria da Feira, como confirmou à agência Lusa.

A formação candidata a superar estas duas equipas será o Feira dos Sofás-Boavista, que construiu o seu plantel de raiz – manteve apenas um ciclista da época passada -, desviou o impressionante Pedro Silva e Fábio Costa da Anicolor, apostou no regresso ao preto e branco do histórico clube e ainda trocou de diretor desportivo, com o decano José Santos a dar lugar ao antigo ciclista André Cardoso.

É sobre os axadrezados que recaem as maiores expectativas, já que a Aviludo-Louletano-Loulé, com o seu omnipresente Nicólas Tivani – o camisola verde das últimas duas edições da Volta e rei da montanha da passada Volta ao Algarve -, a jovem e combativa Credibom-LA Alumínios-MarcosCar e a Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua, com o seu comboio do sprint ainda mais reforçado, são apostas seguras para animar a temporada.

Com um orçamento mais modesto, a Gi Group-Simoldes-UDO confia no colombiano Adrián Bustamante para lhe dar alegrias, tendo contratado também José Neves.

A época do ciclismo português arranca este sábado, com a Clássica da Figueira, uma semana depois do previsto, uma vez que a Prova de Abertura foi adiada para 14 de março devido ao mau tempo.