Será a sexta tentativa de Pogacar para conquistar o primeiro Monumento da temporada, o único, juntamente com a Paris-Roubaix, que ainda lhe escapa, e que durante muito tempo foi dominado pelos sprinters antes de se tornar numa das provas mais prestigiadas do calendário.
Os adeptos do ciclismo estão ansiosos por ver o pelotão a lançar-se com tudo pela Cipressa e pelo Poggio, as duas subidas emblemáticas dos últimos 25 quilómetros desta corrida, que tem um encanto especial e faz lembrar o ciclismo a preto e branco.
Depois de partir de Pavia, na periferia cinzenta de Milão, a Primavera oferece uma longa procissão até à Riviera, muitas vezes sem grande interesse, antes de um final eletrizante. Seis horas de música de sala de espera de consultório dentário para meia hora de rock pesado.
Este cenário único é elevado pela busca de um homem habituado a vencer em todo o lado, menos aqui, e que, com os seus impulsos desesperados para conquistar La Classicissima, chegou mesmo a alterar a forma como se disputa a prova.
Qual é o problema para o esloveno? A Cipressa (5,6 km a 4,1%) e o Poggio (3,6 km a 3,8%) não são suficientemente exigentes para lhe permitir fazer a diferença.
"As leis da física"
Normalmente, há sempre pelo menos um corredor rápido disposto a agarrar-se à sua roda e depois a ultrapassá-lo ao sprint na Via Roma. Foi o que aconteceu nas três últimas edições, que terminaram com vitórias de Mathieu van der Poel, depois Jasper Philipsen e novamente Van der Poel.
"Claro que preferia que o Poggio tivesse cinco quilómetros a 10%, mas é o que existe. São as leis da física que mandam, não posso fazer magia", comentou o líder da UAE no ano passado.
Acabara de encadear ataques num final de intensidade excecional. Mas, sem conseguir afastar nem Van der Poel nem Filippo Ganna, terminou em terceiro, tal como em 2024, depois de ter sido quarto em 2023 e quinto em 2022.
Então, por onde passam as hipóteses para o tetracampeão do Tour? Uma possibilidade é atacar com tudo no Poggio, cujo topo fica a 5,6 quilómetros da meta, como fez o seu compatriota Matek Mohoric em 2022. Mas o risco é elevado e as garantias são poucas.
Ou atacar, como no ano passado, desde a Cipressa, a 25 km da meta, algo que durante muito tempo foi visto como uma loucura devido ao longo troço plano que depois conduz ao início do Poggio e favorece os reagrupamentos.
"Uma questão de tempo"
As opiniões divergem. Questionado pela Gazzetta dello Sport, Eddy Merckx, que conquistou a sua sétima vitória na Primavera há exatamente 50 anos, considera que é no Poggio que Pogacar deve atacar.
"Mesmo que consiga escapar na Cipressa, as probabilidades de ser apanhado depois são demasiado grandes", opina a lenda belga.
Apesar disso, Van der Poel afirma que espera voltar a sofrer os ataques de Pogacar na Cipressa, mesmo sem os seus gregários Tim Wellens e Jhonatan Narváez, lesionados, e apesar do ligeiro vento contrário previsto.
Mas no sábado, o esloveno vai contar com o apoio de Isaac del Toro, a nova estrela mexicana, que no ano passado terminou em 13.º.
Será suficiente para deixar para trás Van der Poel, que volta a apresentar-se como o principal adversário, à frente de Wout Van Aert ou Filippo Ganna?
"No ano passado, o Tadej esteve muito perto de vencer. Se eu estiver 1% pior na Cipressa, ele vai sozinho. É apenas uma questão de tempo até ganhar a Milão-San Remo", garante o neerlandês, determinado a adiar ao máximo esse momento.
