O belga da Lotto Intermarché isolou-se ao quilómetro três dos 180,4 entre Périgueux e Bergerac e, devido a um erro de cálculo dos perseguidores, foi apanhado a apenas 1.400 metros da meta, no momento exato em que as equipas dos ciclistas mais velozes lançaram o sprint.
Tal como no dia anterior, Merlier veio de trás para ganhar a etapa, somando a sua quinta vitória em três presenças no Tour ao bater o eritreu Biniam Girmay (NSN) e o neerlandês Olav Kooij (Decathlon), que foram, respetivamente, segundo e terceiro com as mesmas 03:52.50 horas.
“Definitivamente, a minha Volta a França está feita”, reconheceu o ciclista de 33 anos, que ganhou duas das três chegadas ao sprint desta edição da Grande Boucle e já é segundo na classificação da regularidade, a apenas 15 pontos do camisola verde Mads Pedersen (Lidl-Trek).
Quem voltou a falhar foi Jasper Philipsen, desta vez quarto após o trabalho exemplar da Alpecin-Premier Tech e, sobretudo, do estelar Mathieu van der Poel, demasiado discreto neste Tour.
Em nova jornada sem história, que antecedeu os 185,5 quilómetros acidentados que, no domingo, vão ligar Malemort a Ussel na nona etapa, o esloveno Tadej Pogacar (UAE Emirates) conservou as diferenças na geral, continuando a ter o dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) a 02.42 minutos, na segunda posição.
O seu jovem colega mexicano Isaac del Toro fecha o pódio a 03.27, numa geral em que o único português em prova, Nelson Oliveira (Movistar), é 65.º, após ter chegado no pelotão este sábado.
Mais combativo da etapa, Liam Slock foi o primeiro a isolar-se, aos três quilómetros, recebendo prontamente a companhia de Thibault Guernalec (Total Energies) e Jakub Otruba (Caja Rural), em fuga pelo segundo dia consecutivo.
O pelotão, novamente comandado pela Soudal Quick-Step e pela Alpecin-Premier Tech, autorizou que o trio ganhasse cerca de dois minutos da vantagem, uma diferença suficiente para que a fuga, em que todos os elementos procuravam conquistar a primeira vitória em grandes Voltas, rolasse sem alterações até aos derradeiros 41 quilómetros.
Quase ao mesmo tempo que Guernalec descolou, homens como Kasper Asgreen (EF Education-EasyPost) e Jonas Abrahamsen (Uno-X) tentaram a sua sorte no Côte du Buisson-de-Cadouin, a contagem de quarta categoria que também condenou Otruba, mas não conseguiram destacar-se.
As equipas dos sprinters subvalorizaram Slock, de 25 anos, e foram obrigadas a acelerar para apanhar o ciclista da Lotto Intermarché, que foi absorvido a apenas 1.400 metros da meta.
“Neste momento, obviamente que estou desiludido. Este é o meu sentimento agora. Quando estás tão próximo, claro que queres ganhar. Ainda faltava muito, mas foi por pouco”, lamentou o belga.
Slock só deixou de acreditar “entre os 10 e os seis quilómetros finais”, quando o ritmo no pelotão era “realmente elevado”.
“Ali, senti que se estavam a aproximar e que estava a perder tempo, além de que a força nas pernas estava a desaparecer”, resumiu o valente do dia, que confessou não se sentir orgulhoso após uma fuga de mais de 170 quilómetros. “Isso virá esta noite”, concluiu.
A desilusão de um belga foi a alegria de outro, com Merlier a reconhecer que, antes da curva final, estava tapado e quase caiu.
“Pensei que tinha acabado, mas ainda assim tentei apanhar os rapazes”, descreveu o ciclista da Soudal Quick-Step, que agora tem nove vitórias em etapas em grandes Voltas (tem quatro no Giro).
