Comité Olímpico prepara-se para LA 2028 com metas de longo prazo

Fernando Gomes, presidente do COP
Fernando Gomes, presidente do COPRODRIGO ANTUNES/LUSA

A preparação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 está a ser conduzida com uma lógica que ultrapassa o imediatismo das medalhas, garante a secretária-geral do Comité Olímpico de Portugal (COP), Diana Gomes, em entrevista à Lusa.

“O nosso trabalho atualmente não se rege pelo número de medalhas. (…). A ambição é sempre melhorar a última edição, que já foi a melhor de sempre. (…) Mas nós sentimos que a nossa ação tem que passar exatamente pela melhoria das condições (estruturais)", afirma.

A dirigente reconhece que existe a expectativa de superar Paris-2024, onde Portugal conquistou quatro medalhas, mas defende igualmente uma estratégia que olha para vários ciclos olímpicos.

“Muitas das medidas que nós estamos a tomar e a desenvolver dentro do programa de preparação olímpica já são a pensar em Brisbane 2032. É um trabalho que é continuado na melhoria da base sólida da qualidade da performance do atleta, que vai potenciar esse número final que tanto se quer de mais medalhas, mais diplomas, mais lugares em finais”, aponta.

O Programa de Preparação Olímpica (PPO) para Los Angeles, que decorre entre janeiro de 2026 e dezembro de 2029, introduz algumas mudanças, como o reforço da equipa multidisciplinar que acompanha atletas e federações.

“Está a ser feito um trabalho de aumento da equipa multidisciplinar, portanto os médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, que vão acompanhar as esperanças olímpicas e os atletas do projeto olímpico. Estamos a robustecer essa equipa exatamente para ajudar as federações”, realça.

Outra alteração estrutural é a inclusão de bolsas para treinadores em todos os níveis do programa: “Uma das grandes diferenças deste programa de preparação olímpica é que nos quatro níveis que temos, o último, que antigamente se chamava acesso à qualificação, que agora se simplificou e se chamou nível de qualificação, não tinha dotação de bolsa para os treinadores, neste contrato-programa já tem”, explica.

A relação entre o COP, as federações e os atletas também está a ser fortalecida.

“Estamos muito mais próximos das federações. Temos tido um cuidado redobrado em explicar o que nós estamos a querer fazer e como queremos lá chegar. E a mostrar-lhes que o COP não chega aos Jogos Olímpicos, sem uma relação muito boa com as federações, porque são elas que trabalham os atletas muito mais diretamente com os seus clubes e com os seus treinadores no seu dia-a-dia”, lembra.

Segundo a secretária-geral, o feedback recebido demonstra que a “relação está muito mais solidificada”.

Em dezembro de 2025, o COP assinou com o Governo os contratos de programa para o ciclo olímpico, num pacote que inclui também o Paralímpico e o Surdolímpico, com um valor global de 45 milhões de euros.

O aumento orçamental – acima dos 20% anunciados – está a permitir expandir apoios e reforçar a estrutura técnica.

“Essa percentagem de aumento que o Governo anunciou e que se verificou neste bloco orçamental, já a vamos aplicar nas bolsas aos treinadores do nível que não tinha, vamos aplicá-lo diretamente na equipa multidisciplinar, vamos robustecer as verbas que os atletas vão receber. E agora estamos em reuniões constantes com as federações para o desenvolvimento do programa até aos Jogos (Olímpicos) - do que é que as federações precisam para a preparação dos atletas até a LA 2028”, indica.

Apesar de recusar metas numéricas, a ambição mantém-se: melhorar resultados, aumentar finais, diplomas e, naturalmente, medalhas.

Mas sempre com uma visão que ultrapassa Los Angeles e projeta o desporto português para pelo menos os próximos seis anos.

Atletismo