A primeira corrida de 2026 foi um enorme sucesso junto do público, com cerca de 484.000 adeptos entre quinta-feira e domingo no circuito de Albert Park, um novo recorde.
O fim de semana revelou-se igualmente um êxito desportivo, com uma prova espetacular repleta de alternativas, ultrapassagens, acidentes e suspense, sobretudo nas voltas iniciais.
Este sucesso só foi possível graças à mobilização de todos os intervenientes do paddock e, em particular, da FOM (Formula One Management, organizadora do campeonato), que se adaptou ao contexto internacional e, especialmente, ao encerramento de vários aeroportos essenciais para a F1, como Doha, Dubai, Abu Dhabi ou Barém.
"Um trabalho incrível"
Vários membros das onze equipas tiveram de passar por estes países a caminho da Austrália, tal como toneladas de material.
O CEO da FIA, Stefano Domenicalli, envolveu-se pessoalmente de forma muito intensa para ajudar as equipas.
"Sem a FOM, nunca teríamos conseguido disputar o Grande Prémio. Fizeram um trabalho incrível, sobretudo ao organizar voos charter", explicou à AFP uma equipa que preferiu manter o anonimato.
"Das cerca de 110 pessoas que se deslocam para cada Grande Prémio, tivemos de encontrar uma solução para cerca de 40 que precisavam de passar pelo Médio Oriente. Os últimos membros chegaram na noite de quarta-feira e conseguimos estar a tempo", acrescentou esta fonte.
Desde o início do conflito, no sábado, 28 de fevereiro, foram cancelados inúmeros voos e, um dia depois, a maioria dos voos comerciais que atravessavam a Ásia já estava lotada, pelo que a FOM teve de pensar num plano B.
Quatro voos charter fretados
Acabaram por ser fretados "quatro voos charter que transportaram mais de 400 pessoas", alguns passando por Singapura e outros por Dar es Salaam (Tanzânia), indicou à AFP uma fonte próxima da FOM.
As equipas Mercedes e McLaren, bem como o fornecedor de pneus Pirelli, estiveram ainda na linha da frente do conflito, já que a 28 de fevereiro estava previsto um teste no Bahrein, país que foi alvo de mísseis iranianos desde o início das hostilidades.
"Foi necessário evacuar todos rapidamente. Tiveram de fugir por estrada até à Arábia Saudita e, em alguns casos, passar uma noite no aeroporto antes de poder apanhar um voo para Londres via Egito. Felizmente, todos ficaram em segurança rapidamente", relatou à AFP outra fonte do paddock.
O material que deveria passar pelo Médio Oriente foi desviado para a Ásia e tudo chegou a Melbourne na quarta-feira.
Apesar de tudo, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) também teve de adaptar-se e mostrar flexibilidade para permitir que as equipas montassem os monolugares e os preparassem para os treinos livres previstos para sexta-feira.
Solidariedade entre as equipas
"Normalmente existe um toque de recolher na noite de quarta-feira e quinta-feira para evitar que as equipas trabalhem nos carros durante a noite. Mas, como a maioria das peças chegou mais tarde do que o previsto, decidimos suspender esse toque de recolher para permitir às equipas trabalhar até altas horas da madrugada", explicou à AFP um membro desta entidade.
A F1, no seu conjunto, demonstrou esta semana uma extraordinária capacidade de adaptação e a solidariedade que impera entre os intervenientes do paddock.
"Somos rivais na pista, mas fora dela colaboramos bastante, e ainda mais neste contexto", destacou à AFP uma equipa.
"As equipas, a FIA e a FOM trabalharam realmente em conjunto de forma muito próxima nos últimos dias e isso evidenciou a unidade que existe na Fórmula 1", acrescentou a mesma fonte.
