Dardos: Mundial em Londres é montra de uma disciplina em pleno crescimento

O Mundial de dardos está a ser disputado em Londres
O Mundial de dardos está a ser disputado em LondresPDC

O Mundial de dardos, que está a ser disputado em Londres, simboliza o crescimento de um desporto durante muito tempo restrito aos pubs, mas que atualmente se encontra em plena expansão no Reino Unido, sobretudo entre os jovens que idolatram a estrela Luke Littler, de 18 anos.

Littler atómico

Com 18 anos, Luke Littler tornou-se, no ano passado, o mais jovem campeão mundial de dardos.

Depois de se destacar na sua estreia no torneio de referência do calendário anual da modalidade, há dois anos, em que chegou à final, não demorou a conquistar o estatuto de celebridade, em parte graças à sua atividade nas redes sociais.

Conhecido como The Nuke (bomba nuclear), Littler soma 1,9 milhões de seguidores no Instagram, onde também partilha outros aspetos da sua vida para além dos dardos, como o recente sucesso no exame de condução.

Cultura britânica

Enraizado na cultura britânica e durante muito tempo associado à classe operária e aos pubs, o jogo viveu a sua época dourada nos anos 1980, quando milhões de telespetadores acompanhavam os torneios e idolatravam as estrelas da altura, como Eric Bristow ou John Lowe.

A Professional Darts Corporation (PDC), fundada em 1992, organiza atualmente torneios por todo o mundo.

O britânico Phil Taylor é o jogador mais titulado, depois de ter conquistado 14 campeonatos do mundo da PDC, seguido pelo neerlandês Michael van Gerwen, com três títulos.

Dobrar a aposta

O vencedor do campeonato vai arrecadar este ano um milhão de libras (1,14 milhões de euros), o que representa o dobro do prémio do ano passado, sinal do crescente interesse dos patrocinadores pela modalidade.

Os 128 participantes - entre os quais cinco mulheres - desta edição representam um número recorde no torneio, que está a ser disputado no Alexandra Palace, um elegante edifício vitoriano no norte de Londres.

Apesar dos rumores sobre uma eventual mudança para um recinto maior na capital britânica ou até para a Arábia Saudita, a PDC garantiu que o torneio vai manter-se no edifício conhecido como Ally Pally pelo menos até 2031.

Os bilhetes para assistir ao torneio este ano esgotaram em apenas alguns minutos após o início da venda.

Sem espaço para snobismo

Os dardos "derrotaram o snobismo desportivo", afirma Barry Hearn, cuja empresa de organização de eventos desportivos, a Matchroom Sport, desempenhou um papel fundamental no crescimento da modalidade.

"Não existem barreiras de entrada", sublinha numa recente entrevista ao jornal The Times.

"Um rapaz pode olhar para Littler e pensar: 'Não sou muito atlético, tenho o mesmo aspeto que ele, peso o mesmo e não tenho vontade de jogar futebol, por isso talvez consiga lançar os dardos como ele'", refere ainda.

Na verdade, os clubes estão a multiplicar-se no Reino Unido, segundo a PDC, e até os dardos já têm presença nas escolas, onde são valorizadas as competências de cálculo mental exigidas pelo jogo.

Enquanto as vendas de alvos magnéticos para crianças disparam, os jogadores mais velhos continuam em destaque: o veterano de Singapura Paul Lim, de 71 anos, tornou-se o mais velho a vencer um jogo no campeonato do mundo.

Neste 2025 foi lançado o primeiro álbum de cromos Panini com os principais jogadores.

Explosão de audiências

Apesar de alguns torneios serem transmitidos em canal aberto, os direitos de transmissão do Mundial de dardos pertencem em exclusivo ao canal britânico Sky, cuja subscrição é paga.

Isso não impediu que 3,71 milhões de telespetadores assistissem à primeira final de Littler, o que representou o maior pico de audiência alguma vez registado pelo canal, excetuando jogos de futebol.

Há alguns meses, a PDC assinou um contrato de 125 milhões de libras (143 milhões de euros) com a Sky para a transmissão dos torneios até 2030.