Estudo da SIGA alerta para estagnação do progresso na igualdade de género na liderança do desporto

“Estudo SIGA 2026 sobre a Representatividade Feminina nos Órgãos Executivos de Topo das Federações Desportivas Internacionais”
“Estudo SIGA 2026 sobre a Representatividade Feminina nos Órgãos Executivos de Topo das Federações Desportivas Internacionais”SIGA

A Sport Integrity Global Alliance divulgou o “Estudo SIGA 2026 sobre a Representatividade Feminina nos Órgãos Executivos de Topo das Federações Desportivas Internacionais”, o qual conclui que o progresso em direção à igualdade de género na governação do desporto global está em risco.

O estudo analisa a representação de género nas 30 federações internacionais que integram a Association of Summer Olympic International Federations (ASOIF), oferecendo uma visão abrangente da participação feminina nos mais altos órgãos de decisão do desporto mundial.

Os resultados mostram que as mulheres ocupam atualmente 28,79% dos cargos executivos nessas federações. Embora este valor represente um aumento significativo face aos 18,3% registados em 2018, ano em que foi lançado o programa SIGAWomen, os dados mais recentes indicam que o progresso estagnou desde 2024, sinalizando que a mudança incremental já não é suficiente para promover a igualdade de género na governação do desporto.

O estudo, realizado no âmbito do Dia Internacional da Mulher 2026 e do Mês da História das Mulheres, analisou 521 cargos executivos, com uma média de 19 membros por órgão de governação, constituindo uma das bases de dados mais completas atualmente disponíveis sobre a representação de género na liderança do desporto internacional.

A análise revela igualmente que as mulheres continuam significativamente sub-representadas nos cargos de liderança de topo. Apenas 4 das 30 federações analisadas (13,33%) são atualmente presididas por mulheres, enquanto apenas 5 federações (16,67%) têm CEO ou Secretária-Geral do sexo feminino, evidenciando os obstáculos persistentes ao acesso das mulheres aos níveis mais elevados da governação desportiva.

O relatório demonstra ainda que o progresso entre federações permanece desigual. Enquanto algumas organizações se aproximam de níveis relevantes de representação feminina ao nível executivo, outras continuam muito aquém de padrões aceitáveis, refletindo diferenças nas culturas de governação, nos percursos de liderança e na adoção de políticas de diversidade e inclusão.

Entre as federações que apresentam níveis mais elevados de participação feminina nos órgãos executivos destacam-se a World Triathlon, a Fédération Équestre Internationale (FEI), a International Table Tennis Federation (ITTF) e a World Aquatics, todas com níveis de representação feminina superiores a 35%, demonstrando que níveis mais elevados de inclusão são alcançáveis quando existem reformas de governação.

A publicação do estudo surge num momento simbólico para a governação do desporto global, na sequência da eleição, em 2025, de Kirsty Coventry como Presidente do Comité Olímpico Internacional, tornando-se a primeira mulher a liderar o Movimento Olímpico. Embora este marco represente um avanço relevante, as conclusões do estudo da SIGA demonstram que estes casos continuam a ser a exceção e não a regra entre as federações internacionais.

O estudo conclui que, embora a representação feminina na governação do desporto tenha melhorado ao longo da última década, a atual estagnação evidencia a necessidade urgente de reformas estruturais mais robustas.

Em resposta, a SIGA apela às federações internacionais, organismos olímpicos, organizações desportivas e a todos os stakeholders do ecossistema desportivo global para adotarem reformas de governação mensuráveis que acelerem a igualdade de género, incluindo:

•    A implementação dos Universal Standards on Good Governance in Sport da SIGA;

•    A adoção de políticas claras de diversidade e inclusão nas estruturas de governação, desde o recrutamento até à liderança;

•    A definição de metas mensuráveis e mecanismos de responsabilização para a representação nos cargos de liderança;

•    O desenvolvimento de percursos de liderança e apoio aos programas anuais de mentoria da SIGAWomen para mulheres na governação do desporto;

•    A implementação de mecanismos regulares de monitorização e reporte público sobre a representação de género nos órgãos de decisão.

Estas iniciativas estão alinhadas com a missão do SIGAWomen, lançado em 2018 como uma plataforma global para promover a liderança feminina, a igualdade de género e a boa governação no desporto, através de programas de desenvolvimento de liderança, iniciativas de mentoria e advocacy internacional.

Não pode haver integridade no desporto enquanto a sua liderança permanecer esmagadoramente masculina. Este estudo expõe uma realidade clara: o progresso estagnou. A mudança incremental falhou", afirmou Emanuel Macedo de Medeiros, Cofundador e CEO Global da SIGA.

"As federações desportivas nacionais e internacionais, os organismos olímpicos e todos os stakeholders relevantes devem agir agora — de forma decisiva e sem demora. Não restem dúvidas: não se trata de comissões, grupos consultivos ou debates inconsequentes. Trata-se dos mais altos órgãos executivos — onde são tomadas as decisões e reside o poder real. Ponto final. Na SIGA, agimos ao consagrar limites de mandato e paridade de género na nossa Constituição, assumindo o compromisso de alcançar pelo menos 50% de representação feminina ao mais alto nível de decisão. Isto não é simbólico — é estrutural. Uma liderança inclusiva reforça a governação, protege a integridade e garante que o desporto reflete as sociedades que serve. O tempo da hesitação e das desculpas terminou. Definam metas. Estabeleçam prazos. Apresentem resultados. A credibilidade do desporto depende disso. O mundo está a observar", acrescentou.

O progresso rumo à igualdade de género exige compromisso, colaboração e vontade de investir na próxima geração de líderes. O tema deste ano do Dia Internacional da Mulher, ‘Give to Gain’, reflete um princípio que a SIGA tem promovido desde o início, através de iniciativas como o SIGAWomen Global Mentorship Programme. Através deste programa, profissionais emergentes que procuram desenvolver carreiras na indústria do desporto são acompanhadas por líderes experientes, que disponibilizam o seu tempo, partilham os seus percursos e ajudam a abrir novas oportunidades. A mudança real acontece quando quem alcançou posições de liderança contribui ativamente para apoiar outros", disse Katie Simmonds, Global Chief Commercial Officer da SIGA e Chair do Conselho SIGAWomen.

"À medida que nos preparamos para lançar a próxima edição do programa, convidamos organizações e indivíduos de todo o ecossistema desportivo global a juntarem-se a este esforço — seja como mentores, como mentees ou através de parcerias e bolsas de apoio. Expandir o acesso à mentoria e ao desenvolvimento de liderança é essencial para construir a próxima geração de mulheres líderes no desporto", acrescentou.


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