- É norte-americano, mas tem uma forte ligação a Espanha. Que sensações teve neste estágio que a Visma | Lease a Bike realizou na província de Alicante, em La Nucía?
- As sensações são boas. Estamos a começar e ainda faltam duas semanas de treinos com a equipa, mas é sempre positivo estar com o grupo e conhecer os novos corredores. Para a época que agora se inicia, tudo corre bem. Tenho curiosidade em ver como se vão integrar os novos corredores e como se sentem na equipa. E também de perceber os objetivos um pouco diferentes que temos enquanto equipa, especialmente nas grandes voltas, no meu caso.
- Quais são os seus objetivos para 2026?
- As grandes voltas. O objetivo é apoiar o Jonas (Vingegaard) ao máximo, primeiro no Giro e depois logo se vê. Depois de correr em Itália, veremos se faço o Tour ou se participo na Vuelta.
- No caso de decidir vir à Vuelta, o que terá de acontecer para que se repita o que sucedeu em 2023?
- Bem, só guardo boas recordações desse ano. Sentia-me bem em cada etapa, conseguia descansar de um dia para o outro e penso que isso é o mais importante. Ter boa saúde em cada corrida e recuperar bem. E, sim, trata-se de desfrutar, de aproveitar cada etapa para tirar o máximo de cada um e chegar ao dia seguinte bastante fresco.
- Acredita que este ano a normalidade vai regressar à Vuelta depois de uma edição, a de 2025, marcada por inúmeros incidentes extradesportivos que prejudicaram o ciclismo?
- Sim, espero que sim. Porque, no fundo, na Vuelta o que aconteceu foi que éramos apenas peças de um jogo político. Custou ver a Vuelta afetada por isso. Porque, no fim, ninguém falava de ciclismo, foi uma pena. Mas, enfim, este ano acredito que as coisas vão correr bem, tudo estará mais ou menos normal e não teremos de recear que se repita o que aconteceu no ano passado.
- Sonha em voltar a vencê-la pela segunda vez algum dia?
- Sim, sim. Gostava, mas sei que é muito difícil. Há muitos adversários, de grande nível, como sempre, e é um percurso realmente exigente.

- Vem de um país como os Estados Unidos, que não tem, ou pelo menos não tinha, uma grande tradição no ciclismo além de Lance Armstrong e, na sua altura, Andrew Hampsten. Como nasceu a sua paixão pelo ciclismo?
- Sou de uma vila bastante ligada ao ciclismo, aos desportos de montanha. Por isso, para mim, todos os desportos desse género eram muito acessíveis. Cresci a fazer muito BTT. No entanto, só comecei a andar de bicicleta de estrada anos mais tarde, quando fui para a universidade. Mas é verdade que lá não existe a cultura, como aqui em Espanha, de ver todos os dias o Tour de France ou a Vuelta na televisão. Não há a mesma cultura, o que dificulta que os norte-americanos tenham ídolos neste desporto.
- Então, não tinha nenhum ídolo do ciclismo de estrada em pequeno?
- Não, seguia alguns corredores de BTT da minha terra, mas não. Também não era muito de seguir um ciclista ou de ter ídolos como o Armstrong ou qualquer outro corredor.
- Tem um espanhol excelente, quando teve o seu primeiro contacto com o nosso país?
- Quando me mudei para Espanha e quando comecei a minha carreira profissional. Foi em 2018, sim.
- Ganhou a Vuelta em 2023, num ano histórico para a Visma, já que os neerlandeses ocuparam todo o pódio (Vingegaard foi segundo em Madrid e Roglic terceiro) e ainda conquistaram as três grandes (o dinamarquês venceu o Tour e o esloveno o Giro). O que tem de especial a Vuelta que a distingue das outras corridas?
- Bem, para mim é a geografia de Espanha. A geografia faz com que existam estradas muito interessantes, muito desafiantes, muito duras, e há sempre muitos portos e zonas de montanha. Por isso, numa Vuelta a Espanha passa-se habitualmente por zonas de montanha e isso, para mim, como trepador, é algo muito positivo. E também a afición, penso que é muito especial. Respeita muito os ciclistas, é um público muito próximo e, para mim, isso dá um sentimento e um carinho especial à Vuelta. Há sempre um bom ambiente e, assim, os corredores podem competir de forma muito descontraída, mas ao mesmo tempo a desfrutar.
