Feminino: Futebolistas sul-coreanas ameaçam fazer greve contra a discriminação

A seleção sul-coreana em julho de 2025
A seleção sul-coreana em julho de 2025KOJI WATANABE/GETTY IMAGES VIA AFP

As jogadoras da seleção sul-coreana ameaçam boicotar jogos a poucas semanas da Taça Asiática em março, em protesto contra as "condições discriminatórias" que, segundo elas, foram impostas pela Federação Nacional de Futebol (KFA), de acordo com documentos tornados públicos esta terça-feira.

A Associação Coreana de Jogadores e Jogadoras Profissionais tornou pública uma declaração conjunta com as jogadoras da seleção nacional, enviada à KFA em setembro de 2025. Nesta petição, queixam-se das "más condições" em que se encontram na seleção nacional: lamentam as longas viagens extenuantes de autocarro e de avião em classe económica, bem como o facto de serem obrigadas a ficar em alojamentos "inadequados", longe dos campos de treino.

Além disso, as jogadoras têm de pagar do seu próprio bolso algumas despesas, nomeadamente os transfers desde o aeroporto ou os equipamentos de treino.

Segundo as próprias, existem "diferenças evidentes e inegáveis" em relação às condições de que beneficia a seleção masculina.

A declaração, datada de 26 de setembro, indicava que as jogadoras iriam boicotar os jogos e "suspender a sua participação em todos os treinos relacionados com a próxima Taça Asiática feminina" caso a KFA não respondesse até 17 de outubro.

Um responsável da KFA afirmou esta terça-feira à AFP que a federação "analisou internamente as melhorias fase a fase e tem debatido a questão internamente desde a receção da declaração".

A Taça Asiática feminina, que vai reunir 12 equipas, realiza-se na Austrália de 1 a 21 de março. O sorteio colocou a Coreia do Sul na fase de grupos com a Austrália, o Irão e as Filipinas.

A declaração das jogadoras referia ainda que "durante muitos anos, as jogadoras da seleção feminina suportaram em silêncio condições precárias e irrazoáveis, movidas apenas pelo orgulho de representar o seu país".