Feminino: Três concussões podem afetar a capacidade de atenção em futebolistas, indica estudo

Os resultados do estudo foram divulgados esta quinta-feira
Os resultados do estudo foram divulgados esta quinta-feiraMolly Darlington / GETTY IMAGES EUROPE / Getty Images via AFP

Futebolistas profissionais que sofreram três ou mais concussões podem apresentar uma diminuição da capacidade de atenção, de acordo com um estudo liderado pelo sindicato global de jogadores FIFPRO e divulgado esta quinta-feira.

A investigação, integrada no Drake Football Study, um estudo de 10 anos ainda em curso, avaliou a função neurocognitiva de 68 jogadoras.

As jogadoras que relataram pelo menos três concussões tiveram desempenhos "significativamente piores" em tarefas que exigem atenção, em comparação com aquelas que sofreram menos ou nenhuma concussão, referiram os investigadores. No futebol, estas competências estão associadas ao acompanhamento da bola e das adversárias, à manutenção da perceção posicional e à capacidade de reagir rapidamente em situações de jogo.

Quarenta e três por cento das jogadoras inquiridas já tinham sofrido pelo menos uma concussão, sendo a incidência mais elevada nas defesas, com 50% a registar uma ou mais concussões.

"De um modo geral, o estudo sugere que as futebolistas não apresentam problemas cognitivos generalizados ao longo da carreira, mas as concussões repetidas podem ter um impacto relevante na atenção", afirmou Vincent Gouttebarge, Diretor Médico da FIFPRO.

Acrescentou ainda que são necessários mais estudos para determinar se devem ser introduzidas novas recomendações de saúde.

As jogadoras apresentaram resultados dentro dos valores normais da população geral em 11 dos 12 domínios cognitivos avaliados, destacando-se acima da média na velocidade motora – a rapidez com que o cérebro envia sinais ao corpo – algo que os investigadores atribuíram às exigências neuromusculares do futebol de alto rendimento.

Não foi identificada qualquer deficiência cognitiva generalizada durante a carreira ativa das jogadoras.

Os resultados refletem os de uma análise paralela realizada em jogadores profissionais masculinos e publicada em 2024, que também concluiu que as concussões repetidas estavam associadas a diminuições na atenção simples e complexa, mas não noutras áreas da função cognitiva, explicou Gouttebarge.

"O futebol feminino tem sido historicamente pouco representado na investigação sobre concussões no desporto, o que faz com que este estudo traga provas valiosas e específicas para as mulheres", acrescentou Gouttebarge.

Apesar de não terem sido detetados défices generalizados, sublinhou que os resultados reforçam a necessidade de uma gestão rigorosa das concussões e de protocolos de regresso à competição, sobretudo em casos de lesões repetidas na cabeça.

O Drake Football Study foi lançado em 2019 em coordenação com a FIFPRO e está a acompanhar a saúde física e mental de 170 futebolistas, homens e mulheres, de todo o mundo, durante e após as suas carreiras.