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FIFA faz novo ataque à UEFA: "Acusações falsas, querem influenciar as eleições"

O presidente da FIFA, Gianni Infantino
O presidente da FIFA, Gianni InfantinoREUTERS / Kacper Pempel

A FIFA acusou a UEFA de conduzir uma "campanha de desinformação" e de tentar influenciar a corrida à presidência, enquanto o organismo que tutela o futebol mundial instou um tribunal norte-americano a rejeitar um pedido de obtenção de provas relacionado com uma controversa proposta de investimento.

No mês passado, a UEFA pediu a um tribunal federal norte-americano autorização para obter depoimentos e documentos que pretende utilizar numa queixa-crime que tenciona apresentar na Suíça contra o presidente da FIFA, Gianni Infantino, relacionada com um plano entretanto abandonado para transferir os direitos comerciais do Mundial para uma subsidiária denominada FIFA Forward Enterprise (FFE).

Na resposta ao requerimento apresentado na segunda-feira, a FIFA afirmou que o documento da UEFA continha "numerosas declarações falsas ou enganosas sobre a FIFA e Infantino".

"Sem qualquer fundamento, a UEFA dá a entender que o senhor Infantino tentou obter um lucro pessoal com a proposta da FFE", declarou a FIFA numa peça apresentada no Distrito Sul da Florida, opondo-se ao pedido da UEFA para obter provas.

"Conforme explicado, o plano da FFE estava sujeito à aprovação tanto das associações filiadas na FIFA ⁠como do Conselho da FIFA, e a FFE ficaria sob a supervisão de ambos os órgãos dentro da FIFA. As insinuações da UEFA de que o senhor Infantino teria violado uma lei ​ou um princípio ético são categoricamente infundadas".

A UEFA não respondeu de imediato ao pedido de comentários da Reuters.

Avaliação da FFE

A UEFA sustentou que Infantino tinha desenvolvido a proposta em segredo, com um grupo restrito de consultores e investidores, contornando os processos normais de tomada de decisão da FIFA e sem consultar o Conselho da FIFA, as confederações regionais ou as associações filiadas.

O requerimento consultado pela Reuters pedia a um tribunal norte-americano autorização para obter provas junto da FIFA (AMERICAS), Inc e da FWC2026 US, Inc, duas entidades da FIFA sediadas na Florida.

No documento legal, a UEFA afirmou que os investidores teriam pago 4,2 mil milhões de dólares por uma participação na FIFA Forward Enterprise, avaliando a empresa em cerca de 20 mil milhões de dólares.

Acrescentou que essa avaliação subestimava significativamente os direitos comerciais da FIFA e defendeu que a operação não tinha sido submetida a um leilão aberto nem avaliada por um perito independente.

"A UEFA, deliberadamente ou por ignorância, confunde o valor do capital próprio com o valor da empresa", declarou a FIFA.

"É indiscutível que a 'avaliação inicial do capital próprio'da FFE — ou seja, 'o valor que resta aos acionistas depois do pagamento de eventuais dívidas' — era de 20 mil milhões de dólares. Contudo, os materiais distribuídos às associações filiadas na FIFA revelam que o 'valor da empresa' total da FFE — ou seja, o 'valor integral da atividade' — era muito superior a 30 mil milhões de dólares... Na realidade, o valor da empresa da FFE era muito mais do dobro do valor do capital próprio e, por isso, bastante acima do montante que a UEFA considera justo".

Tentativa de influenciar as eleições?

O projeto da FFE foi abandonado em julho, depois da oposição de algumas confederações, entre as quais a UEFA, a CONCACAF e a Confederação Asiática de Futebol, devido à falta de consultas. A disputa alimentou os pedidos de alterações à governação da FIFA.

Na semana passada, Infantino escreveu às 211 associações filiadas, propondo uma revisão independente dos processos de tomada de decisão do organismo que tutela o futebol.

O dirigente suíço vai recandidatar-se em março do próximo ano e a FIFA sustenta que as iniciativas legais da UEFA foram uma tentativa de influenciar essa eleição.

"Precisamente antes das eleições da FIFA, a UEFA apresentou este requerimento 1782 (e outros três), difundindo desinformação ⁠sobre o senhor Infantino", declarou a FIFA.

"Este tribunal ⁠deveria rejeitar qualquer tentativa de influenciar ‌a eleição do presidente da FIFA com base nestes argumentos".

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