Após mais de dois anos no mar, o atleta recordista mundial de kitesurf regressou, com a sua mulher, Margarida Lufinha e com os seus dois filhos, Francisco e Vera, agora com sete e cinco anos, respetivamente, da viagem de circum-navegação, no veleiro catamaram chamado ‘Zinga’, de 1996, que a família restaurou.
No regresso a Lisboa, a família foi recebida em apoteose por centenas de pessoas em terra e por dezenas de embarcações no rio Tejo, entre as quais se destacava a icónica caravela ‘Vera Cruz’.
“Não estávamos a espera desta receção. É surreal. Eu já fiz umas quantas chegadas depois de desafios extremos de kitesurf e esta, em família, tem um significado muito maior por estar com os meus filhos e mulher”, afirmou Lufinha.
À agência Lusa, o ‘kitesurfer’ destacou que a forma como foi recebido faz com que “valha a pena partilhar a vida pessoal” porque se torna numa forma de “inspirar as pessoas”, destacando que a viagem faz parte de “um modo de vida muito cansativo, mas bom” e que agora irá “voltar ao sistema”, admitindo que já está a “pensar em outras coisas”.
Francisco Lufinha salientou que a viagem nem sempre foi fácil pois “um barco é uma fonte de problemas” e que como o “mar é duro, tudo começa a falhar”.
“Tudo começa a falhar, porque o mar é duro. É muito desgastante e o barco não para: fez 35.000 milhas, é muito. Há barcos que não fazem isso em 50 anos. O barco era a minha preocupação número um, pois se falha a minha família está em perigo”, afirmou.
“Há muita gente a mandar-se ‘à maluca’ para o meio do mar, não recomendo. Eu tenho muita experiencia. É preciso respeitar o mar. Com respeito estamos numa tranquilidade brutal e leva-nos a sítios únicos, e, respeitando esses sítios, conseguimos usufruir e seguir para os próximos. Este mundo é muito giro, e uma das coisas boas foi 'dar mundo' aos miúdos. Não vimos nada, que o mundo nunca acaba, mas tivemos experiências que lhes vão ficar na memória”, vincou Lufinha.
Na viagem seguiram os dois filhos do atleta, que salientou que para estes, terem os pais a acompanhá-los 24 horas por dia “é um luxo” e que procurou “atribuir responsabilidades” às crianças, algo que considera que os “marcou e deixará mais humildes”, alertando, contudo, que a exposição “pode levá-los para outro lado”, mas que Lufinha, em conjunto com a mulher, Margarida, iriam “ter rédea curta”.
Lufinha salientou, também, que esta é a “altura certa” para os filhos voltarem e terem “o que mais faltou durante a viagem”, regressando à escola o que, considera o ‘kitesurfer’, “vai contribuir bem para a parte social” destes.
No mar desde setembro de 2023, os filhos, Francisco e Vera, estiveram ausentes da escola, tendo Lufinha destacado o papel da sua mulher para colmatar este fator.
“A minha mulher, Margarida, agarrou a tarefa escolar e a partir do momento em que o Francisco entrou na primeira classe começou a dar-lhe aulas. Estavam ali duas, três, às vezes quatro horas por dia. Tinham aulas de matemática, de português e também alguns trabalhos manuais. É difícil quando temos uma onda para ‘surfar’ ao lado ter de obrigar um miúdo a estar ali na aula, mas funcionou. Ele está preparado e é uma curiosidade que tenho ver como é que ele se vai adaptar”, afirmou.
