Rui Borges: "É importante referir que todos erram. No dia a seguir, vi em vários órgãos de comunicação social que teria havido uma reunião da administração da SAD em que se estava a decidir o futuro de Rui Borges. Acontece. Vocês podem ser levados ao engano. Não houve reunião alguma. O lugar de Rui Borges nunca esteve em causa."
Vantagens perdidas por 17 vezes com Rui Borges: "Está a falar-me de um dado estatístico, a 17.ª vez em que o Sporting perde vantagem em ano e meio. É um facto, não há como desmentir. Posso dizer outros dados. É o treinador com mais vitórias em casa na Champions, treinador com mais vitórias seguidas em Alvalade, com uma percentagem de derrotas menor na história do Sporting. Fez duas épocas, fez sempre 82 pontos, uma vez campeão nacional, ganhou uma Taça de Portugal. O dado estatístico dos 17 jogos é relevante, um pormenor. Mas se perguntar a qualquer sócio e adepto do Sporitng se gostaria que todos os treinadores que passaram pelo Sporting tivessem estes dados estatísticos, o museu estaria espetacular."

Contestação dos adeptos: "A contestação faz parte do futebol. Quem não quiser ter contestação, então está no sítio errado. Faz parte da emoção, o adepto tem o privilégio de se sentir defraudado, angustiado e mostrar essa frustração. E também tem o privilégio de mudar de opinião uma semana depois. No meu caso, tenho de viver com isso. Se a contestação está na base da decisão? Não. Francisco Trincão andou dois anos a ser contestado. Era um flop. Paulinho chegou e não fazia golos, era flop. Fresneda era um patinho feio. Ruben Amorim terminou um ano em quarto lugar e foi contestado. Suárez começou a época a ser contestado e um mês depois gritam o nome dele. O Sporting não toma decisões com base em contestação, mas numa base objetiva e racional. Se estamos contentes? Se estamos contentes? Não. Enquanto presidente faço uma análise do momento, uma análise racional e objetiva. Nos dois primeiros empates, o Sporting foi futebolisticamente muito superior ao adversário. A terminar os jogos o Sporting sofre 2 autogolos em 2 remates que não vão à baliza. No terceiro empate, estamos a fazer um ótimo jogo frente ao Arouca. Estava 2-0, podia estar 3 ou 4. O Sporting foi muito superior até ao minuto 55 e de repente um jogador, com uma entrada completamente negligente, exclui-se do jogo e vê um cartão vermelho justo. Se eu alguma vez vou despedir um treinador à 7ª jornada com 3 empates em que aconteceu isto? Não, não vou despedir."
Planificação da temporada pode ser posta em causa? "Discordo de todo. Se há algo que corre bem é a qualidade dos jogadores que chegaram ao Sporting. Os reforços têm uma média de 21 anos. Têm uma qualidade inegável. A administração e o treinador estão muito contentes com o plantel. O Ba foi uma decisão consciente. Vinha pronto para setembro. Perdemos um jogador influente na defesa. Investimos 21 milhões num defesa que vai ser o novo Diomande. Ba estaria teoricamente disponível para setembro. Ele teve de se sacrificar e jogar antes. Vai estar apto, convocado e jogar a jornada seguinte. Foi uma decisão consciente. O Sporting tem Eduardo Quaresma."
Mercado não pode ser motivo para este mau momento? "Se há coisa que corre muito bem foram os reforços que vieram a substituir peças fundamentais. Vocês veem a qualidade de quem veio. Se aos 17 jogos em que o Sporting cede a vitória, se isso me faz despedir o treinador? Não. Se a estatística positiva me faz pensar que ele é ad eternum? Não. Mas o Sporting joga bem. Em 3 jogos que acabei de dizer, houve autogolos e expulsões, automutilações que não podem acontecer. O que define a continuidade de Rui Borges não é o contrato, é acreditarmos no processo e na forma como a equipa joga."

"Não quero ter o meu treinador a fazer as figuras que outros fazem"
Qual a margem de manobra para Rui Borges? "O Sporting acredita no seu treinador e que o seu treinador tem condições para atingir os objetivos, que é lutar pelos títulos e qualificar-se para a Champions. Era tão fácil o meu treinador nas duas últimas jornadas e ir para a conferência de imprensa agarrar-se a coisas externas do clube, como outros treinadores e outras figuras fazem com as quais não me identifico. Peço ao treinador para não fazê-lo, ele não faz. Tiro-lhe o chapéu. Não quero ter o meu treinador a fazer as figuras que outros fazem."
"Hoje alguém fala do Hjulmand?"
Revolução do plantel teve o aval de Rui Borges? "Fizemos o mercado que quisemos, com grande antecipação. Tivemos um desafio em que queríamos substituir determinados jogadores com qualidade inquestionável. Hoje alguém fala do Hjulmand? Já temos grandes jogadores ali. O Sporting joga bem, cria muitas ocasiões, marca muitos golos. Não quero ter o meu treinador a falar de coisas que não controlamos. Quero os jogadores mais focados. Não podemos ter entradas como a do Debast, os jogadores têm de evitar fazer autogolos, esse é o foco do meu treinador."
Se não ganhar em Braga a continuidade de Rui Borges fica em causa? "Se todos os treinadores ganhassem o que Rui Borges ganhou... O nosso selecionador nacional (Jorge Jesus) é dos melhores treinadores com quem trabalhei. Ganhou o que Rui Borges ganhou? Quantos treinadores ganharam o que Rui Borges ganhou? Vocês também têm de ter alguma responsabilidade no que dizem. Rui Borges é campeão, dobradinha, foi quem levou o Sporting mais longe na Liga dos Campeões. Estamos contentes por termos perdido 6 pontos? Não. Temos potencial para mais, o treinador acha que vai fazer mais e acreditamos no processo. Quero que vocês analisem como foram os três empates."

Contestação não pode tornar o ambiente insustentável? "O melhor exemplo é a contestação no meu mandato. Eu tinha saído há seis ou sete anos. E o Sporting ganharia o que ganhou? A contestação existe no desporto. Então na cultura portuguesa... muito. No Sporting? Muitíssimo. O que seria do Sporting se os presidentes decidissem com base na contestação."
Porque não fala em arbitragem? "Elogio o meu treinador, peço ao meu treinador para não falar e ele não fala. Percebo o adepto mas entendemos que este é o caminho que o futebol português deve ir. É fácil? Não. É justo? Não."
