Diplomacia e desporto
Os dois países vizinhos estão tecnicamente em guerra desde o conflito de 1950-1953, que terminou com um armistício e não com um tratado de paz.
A cooperação no âmbito desportivo revelou-se útil no passado: o Norte enviou atletas, cheerleaders e uma delegação de alto nível ao Sul por ocasião dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang em 2018, o que permitiu iniciar um degelo nas suas relações.
Pela primeira vez, Seul e Pyongyang formaram então a sua primeira equipa conjunta: uma seleção feminina de hóquei no gelo.
No entanto, as relações deterioraram-se desde o fracasso em 2019 das conversações entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte sobre a desnuclearização da península.
Pyongyang considera-se agora uma potência nuclear "irreversível".
Logística
As jogadoras do Naegohyang F.C. devem chegar no domingo à Coreia do Sul num voo proveniente de Pequim.
27 jogadoras e 12 membros da equipa técnica integram a comitiva, segundo o Ministério sul-coreano da Unificação.
A expedição ficará alojada num hotel em Suwon, a cerca de 30 km a sul de Seul, onde a equipa local também deverá instalar-se.

No entanto, os espaços de refeição e os percursos das diferentes equipas serão distintos, segundo a imprensa.
O encontro terá lugar no complexo desportivo de Suwon, com cerca de 12.000 lugares.
Lei
A lei sul-coreana em matéria de segurança nacional proíbe possuir e exibir uma bandeira da Coreia do Norte ou tocar o seu hino nacional em público.
Também é obrigatório para os sul-coreanos obter a aprovação do Ministério da Unificação antes de contactarem qualquer norte-coreano.
Como foi autorizado o deslocamento da equipa do Norte, tal como informou um responsável governamental à AFP, não será ilegal para as sul-coreanas, por exemplo, cumprimentar as suas adversárias.
Segundo Lim Eul-chul, especialista em Coreia do Norte na Universidade Kyungnam, no Sul, Pyongyang provavelmente "tentará evidenciar o que considera uma superioridade esmagadora em termos de desempenho desportivo".
"E aproveitará para enviar uma mensagem forte e mostrar que é superior à sua rival", a quem classifica como "Estado hostil", afirmou à AFP.
Um clube de destaque
A Coreia do Norte é uma potência no futebol feminino: as suas seleções jovens conquistaram vários Mundiais nos últimos anos.
O Naegohyang F.C., de Pyongyang, é um clube de referência no país, segundo o próprio Ministério sul-coreano da Unificação.

Criado em 2012, o clube terminou pela primeira vez no topo da Liga nacional na época 2021/22.
Em novembro, na fase de grupos da Liga dos Campeões Asiática, o clube venceu o seu próximo adversário por 3-0.
Adeptos
Não se espera a presença de adeptos norte-coreanos no Sul, uma vez que lhes está proibida a travessia da fronteira.
No entanto, a equipa de Pyongyang contará igualmente com apoio: o Ministério sul-coreano da Unificação vai gastar 300 milhões de wons (172.000 euros) para permitir a grupos sul-coreanos apoiar ambas as equipas durante o jogo.
Este montante servirá para cobrir o custo dos bilhetes, das faixas e dos acessórios dos adeptos, precisou um responsável ministerial, segundo o qual o evento poderá contribuir para promover "a compreensão mútua" entre os dois países.
São esperados cerca de 2.500 destes adeptos, de acordo com o Ministério da Unificação.
O Governo vai emitir diretrizes, dada a "natureza particular" do evento, segundo um responsável ministerial, sobre as faixas e os lemas dos adeptos.
"Vemos nisto uma troca pouco frequente e significativa entre jovens sul-coreanas e norte-coreanas", afirmou em declarações à AFP Hong Sang-young, secretário-geral da ONG Korean Sharing Movement.
"Os lemas ou mensagens políticas podem causar mal-entendidos, por isso pretendemos focar-nos no futebol em si e apoiar estas jovens das duas Coreias que partilham o mesmo espaço", acrescentou.
