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Desde então, a seleção pentacampeã mundial tem vivido um ciclo que não corresponde às cinco estrelas que ostenta ao peito. Passaram quatro treinadores diferentes, houve falta de liderança e muita incerteza. A eliminação nos quartos de final da Copa América e a derrota por 4-1 frente à Argentina são episódios emblemáticos deste período.
Os carrascos do Brasil, por outro lado, viveram um ciclo de estabilidade. Não tiveram o brilho que muitos poderiam esperar depois de um segundo e de um terceiro lugar em Mundiais, é certo, mas mostraram consistência.
Para o confronto desta madrugada, contra o Brasil, os croatas chegam embalados por uma série de nove jogos sem perder, com oito vitórias nesse período.
O Euro-2024 foi dececionante. Numa grupo com Itália e Espanha, os croatas foram logo eliminados. Ainda assim, a equipa, orientada desde 2017 por Zlatko Dalić, reagiu e venceu o seu grupo de qualificação para o Mundial com enorme facilidade: terminou com mais seis pontos do que a segunda classificada, a República Checa.
Na última quinta, pouco depois da derrota do Brasil com a França no Gillette Stadium, em Foxborough, a Croácia venceu, com uma reviravolta, a seleção colombiana por 2-1, em Orlando.
Uma das principais forças desta seleção é a manutenção da base que alcançou tanto sucesso nos dois últimos Mundiais. Em relação ao plantel semifinalista de 2022, há 13 jogadores que se mantêm entre os atuais convocados.
Por um lado, há um envelhecimento do grupo. Luka Modrić (40), o rosto dessa geração, vai para o seu último Mundial. Outros nomes de peso, como o guarda-redes Livakovic (31), o médio Pašalić (31) e os avançados Perišić (37), Kramarić (34) e Budimir (34), já passaram da barreira dos 30 anos.
Por outro, há, aos poucos, a introdução de jovens talentos, dando início à renovação da seleção croata.

Os veteranos
Modrić ainda é uma estrela. O vencedor do prêmio The Best da FIFA em 2018 continuar a jogar ao mais alto nível no Milan, aos 40 anos. É a sua primeira temporada longe do Real Madrid após 13 anos. Se entrar em campo contra o Brasil, chegará a incríveis 196 jogos com a seleção, podendo alcançar os 200 no Mundial.
Livaković, grande nome da campanha de 2022 ao defender quatro penáltis — incluindo o de Rodrygo contra o Brasil —, segue como homem de confiança de Dalic na baliza. Chegou a viver um momento de incerteza no início da temporada, quando era suplente no Girona, onde estava emprestado pelo Fenerbahçe.
Quando foi chamado a jogo, recusou alinhar, uma vez que isso poderia comprometer uma transferência e reduzir as suas hipóteses de ser convocado. Acabou por se transferir para o Dínamo Zagreb, onde é titular.
Ivan Perišić está no PSV, onde soma 19 participações em golos esta temporada, média de uma a cada dois jogos. Mario Pašalić está na sua oitava temporada como titular na Atalanta e, mesmo faltando um mês e meio para o fim, já vive o seu terceiro ano mais concretizador pelo clube italiano, com nove golos marcados.

Andrej Kramarić, que tem 113 jogos e 36 golos pela seleção, já marcou 11 vezes esta temporada pelo Hoffenheim, além de somar sete assistências. É o oitavo na lista de melhores marcadores da Bundesliga.
Por fim, Ante Budimir vive um grande momento no Osasuna. O croata mantém uma média de 0,52 golos por jogo nas últimas três temporadas e procura repetir o sucesso do clube na seleção, onde possui uma média de 0,17 golos por partida.
Os restantes jogadores que estiveram no plantel de 2022 e estão presentes na atual convocatória são: Vlašić, Luka Sučić, Stanišić, Šutalo, Majer, Jakić e Erlić.
A renovação croata
No que toca à renovação, há alguns destaques. O primeiro deles está na defesa. No último amigável contra a Colômbia, Dalic iniciou a partida com uma linha de três defesas e, fazendo o papel de líbero, estava Luka Vušković, jogador de apenas 19 anos que atua no Hamburgo, da Alemanha, e marcou o golo do empate logo aos seis minutos de jogo.
Aliás, tem fama de defesa matador. Só esta temporada, balançou a rede cinco vezes em 24 jogos da Bundesliga. Na temporada passada, foram sete golos em 36 jogos pelo Westerlo, da Bélgica.

Com 1,93m, o defesa croata é visto como a nova promessa do país, sendo comparado a Gvardiol. O seu desempenho já desperta o interesse de gigantes como Barcelona, Liverpool e Chelsea.
Falando em jovens avançados, Igor Matanović, 23 anos, autor do segundo golo da Croácia contra a Colômbia, é outro exemplo. Joga no Fribrugo, da Alemanha, país onde nasceu. Vive um momento de ascensão no clube, onde conquistou a titularidade ao longo da temporada.
Filho de refugiados da guerra da antiga Jugoslávia — croatas que viviam na Bósnia —, Matanović representou a Alemanha nas camadas jovens, mas um convite de Dalić, em 2022, levou-o a optar pela Croácia.
Na seleção, teve as suas primeiras oportunidades como titular durante a Liga das Nações de 2024, mas só voltou a ser chamado por Dalic na última lista de 2025. Assim como no clube, tem vindo a ganhar espaço e foi titular contra Montenegro, na última partida da qualificação, e contra a Colômbia no amigável mais recente.

Apesar de a titularidade ainda pertencer aos veteranos Kramarić e Budimir, é um sinal claro de que Dalić já prepara o futuro, tendo em vista o Mundial-2026.
Outra surpresa contra a Colômbia foi ver Modrić no banco — mais um teste de Dalic. Na vaga do veterano, atuaram Nikola Moro e Petar Sučić pelo meio. Sučić tem apenas 22 anos, é titular do Inter na sua primeira temporada no clube italiano e também na seleção. É um dos grandes símbolos dessa renovação.
Moro, de 28 anos, também joga em Itália: está há quatro temporadas no Bolonha e deve disputar o seu primeiro Mundial.
Atletas em recuperação
Para os amigáveis contra Brasil e Colômbia, Dalic não pode contar com dois nomes de peso que atuam no Manchester City. O primeiro deles é Mateo Kovačić. O médio jogou apenas 37 minutos esta temporada e não joga desde outubro.
Demorou a estrear-se após uma cirurgia ao tendão de Aquiles na última pré-época e, pouco depois de regressar, sofreu uma lesão no tornozelo que obrigou a nova intervenção. Está perto do regresso e, se tudo correr bem, deverá estar no Mundial.
O outro ausente é Joško Gvardiol, que sofreu uma fratura na fíbula da perna direita em janeiro e dificilmente voltará a jogar pelo Manchester City esta época. A sua presença no Mundial, contudo, é incerta.

Dalić deixou claro que considera Gvardiol indispensável e pretende convocá-lo mesmo sem ritmo competitivo, utilizando os amigáveis de preparação para o colocar em forma. A previsão é que regresse aos treinos no final de abril.
O amigável entre Brasil e Croácia colocará frente a frente uma seleção em crise de identidade e outra marcada pela consistência, estabilidade e renovação planeada.
Apesar da eliminação nos penáltis em 2022, o Brasil nunca perdeu frente à Croácia: em cinco jogos, soma três vitórias e dois empates. O duelo de terça-feira será um teste importante a esse histórico.

A partida realiza-se no Camping World Stadium, em Orlando.
