Recorde as incidências da partida
O regresso da seleção espanhola a Barcelona, quatro anos depois (a equipa nacional tinha jogado apenas três partidas na Catalunha no último quarto de século, todas entre 2000 e 2004), foi uma verdadeira festa, com lotação esgotada nas bancadas do RCDE Stadium, o que demonstra o entusiasmo que havia para ver Espanha na região.
No entanto, o jogo ficou manchado pelos cânticos de um setor da bancada ("quem não salta é muçulmano"), além dos assobios de parte dos adeptos ao hino egípcio (uma prática lamentável que também já se repetiu em finais da Taça ou em jogos internacionais noutros países). Todos estes comportamentos foram condenados de forma veemente pela RFEF e o seu presidente, Rafael Louzán, desceu à zona mista após o encontro para se pronunciar sobre o sucedido.
"Isto não pode voltar a acontecer. A sociedade espanhola é, na sua maioria, um exemplo, este é um caso isolado. Viemos cá num tempo recorde, uma vez que a Finalíssima não se realizou no Catar, e por isso agradeci ao presidente da federação egípcia por ter estado presente e pedi-lhe desculpa", afirmou.
Mais tarde, o jornal El Mundo publicou uma notícia em que referia que o grupo Barcelona con la Selección teria adquirido 1.900 bilhetes para o amigável, através de um canal exclusivo que oferecia um desconto de 40% em relação ao preço oficial. A maioria desses ingressos corresponderia a lugares situados no Gol Cornellá inferior, precisamente a zona onde se originaram os cânticos.
Grupo afasta-se dos incidentes
O grupo Barcelona con la Selección, por sua vez, demarca-se de tudo o que aconteceu.
"Queremos desmentir categoricamente que a nossa associação tenha adquirido ou gerido bilhetes nos termos publicados. Barcelona con la Selección não comprou nem geriu bilhetes em momento algum, nem dispõe dos recursos financeiros necessários para assumir uma operação dessa dimensão", referiu o grupo.
"A nossa função limitou-se exclusivamente a recolher uma lista de adeptos interessados na bancada de animação, que posteriormente adquiriram os seus bilhetes individualmente através do link oficial disponibilizado pela Real Federação Espanhola de Futebol, sem qualquer intervenção direta da nossa associação no processo de compra. Foi a RFEF que geriu integralmente a venda através dos seus canais oficiais", acrescentou.
Além disso, o grupo Barcelona con la Selección afirmou que "não partilhamos nem representamos os cânticos ocorridos durante o jogo entre a seleção espanhola de Futebol e o Egito no RCDE Stadium" e reiterou que o seu objetivo é "fomentar o apoio à seleção espanhola a partir da Catalunha, numa perspetiva festiva, respeitadora e totalmente apolítica".
"Nem as pessoas que fazem parte da nossa organização e do nosso círculo direto participaram nos cânticos referidos, sendo estes totalmente alheios ao modelo de animação que defendemos e promovemos", reiteraram.
Por outro lado, denunciaram que, a uma hora do início do jogo, não lhes foi permitido utilizar megafonia, microfone ou os meios necessários para coordenar e dinamizar a bancada, pelo que não se responsabilizam pelos cânticos que possam ter ocorrido naquela zona.
Segundo a informação avançada pelo El Mundo, a RFEF ofereceu-lhes bombos para liderar a animação no estádio, mas o acordo não avançou, uma vez que os membros do grupo recusaram-se a fornecer os seus dados.
