Cerci é apenas o exemplo mais recente deste verão. Na semana passada, foi anunciada a transferência da avançada Nicole Anyomi do Eintracht Frankfurt para as London City Lionesses, Elisa Senß deixou as hessianas rumo ao Real Madrid. Vivien Endemann já não vai jogar pelo Wolfsburgo na próxima época, mas sim pelo Liverpool.
Outras internacionais como Sjoeke Nüsken (Chelsea), Jule Brand (Olympique Lyon) ou Lea Schüller (Manchester United) já tinham deixado a Alemanha anteriormente.
Quando o selecionador nacional Christian Wück anunciou a sua convocatória para os jogos de qualificação para o Europeu no início de junho frente à Noruega e à Eslovénia, nove das 23 jogadoras convocadas estavam sob contrato com clubes estrangeiros. Para o desenvolvimento pessoal, experiências internacionais são "definitivamente benéficas", afirmou o técnico de 53 anos na altura, mas alertou: "A Alemanha deve ser capaz de manter as suas melhores jogadoras na Liga."
Melhor ambiente ou mais dinheiro?
Porque é que isso parece já não estar a acontecer? Em especial em Inglaterra, há vários anos que se investe fortemente no futebol feminino: Os clubes da Women's Super League atraem – com o forte apoio dos grandes clubes masculinos – com salários atrativos.
A internacional Marie Müller, que joga nos Estados Unidos pelo Portland Thorns FC desde 2024, apontou ainda outros motivos: "A competitividade, os adeptos, o ambiente no geral – o desporto aqui é promovido de uma forma completamente diferente do que na Alemanha, onde os jogos são muitas vezes disputados perante cerca de 1000 espectadores", afirmou a jogadora de 25 anos à Kicker.
Ela não consegue afirmar que "quer certamente regressar à Alemanha. É preciso que muita coisa mude para que a Bundesliga se torne mais atrativa."
A FBL quer tornar-se mais atrativa
É precisamente nisso que os responsáveis estão a trabalhar. A partir de 1 de julho do próximo ano, o contrato-base entre a associação de clubes fundada em dezembro passado (FBL) e a Federação Alemã de Futebol (DFB) deverá entrar em vigor. Inspirada no modelo da Bundesliga e.V. (antiga DFL), que desde 2001 organiza e comercializa o principal escalão masculino, também a Frauen-Bundesliga deverá agora ser impulsionada para o crescimento.
"A Frauen-Bundesliga vai tornar-se mais visível, inovadora e com maior potencial de crescimento", prometeu a presidente da associação de clubes, Katharina Kiel. Inicialmente, a FBL e a DFB pretendiam criar uma joint venture para esse efeito, mas devido a divergências sobre competências decisórias, a FBL rejeitou essa ideia. Por isso mesmo, o foco está agora "na implementação e na rapidez", afirmou Kiel – também para que, no futuro, as estrelas alemãs voltem a escolher mais vezes a Bundesliga.
