Marie-Louise Eta, a primeira treinadora da Bundesliga, sempre acreditou que "seria possível"

Marie-Louise Eta, treinadora do Union Berlim
Marie-Louise Eta, treinadora do Union BerlimČTK / imago sportfotodienst / Matthias Koch

Marie-Louise Eta é uma pioneira ao tornar-se a primeira treinadora principal na Bundesliga e pode vir a ser uma figura determinante para abrir caminho a muitas outras mulheres no futebol. O diretor executivo do Union Berlim, Horst Heldt, deixou em aberto a possibilidade de a treinadora interina poder continuar no Union Berlim para além da presente época. "Neste momento, não faria sentido excluir qualquer possibilidade."

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O papel de pioneira não é uma novidade para Marie-Louise Eta. Quando fez história como primeira treinadora adjunta na Bundesliga, já acreditava firmemente que seria possível ir ainda mais longe.

"Um dia será possível ocupar o cargo de treinadora principal, mas é difícil apontar um momento concreto", chegou a dizer, em 2024, ao Tagesspiegel.

Agora, pouco mais de dois anos depois, esse momento chegou e Eta pode abrir portas que antes pareciam fechadas às mulheres.

Aos 34 anos, encarregue de garantir a manutenção do Union Berlim, há muito que sente que a Bundesliga está prestes a aceitar mulheres no banco.

"Ao longo dos anos percebi que é possível, mesmo quando surgiam vozes a dizer: 'Isso não é para mulheres', ou 'No balneário fala-se outra linguagem', ou ainda 'Isso não vai acontecer nos próximos 20 anos'", explicou Eta, que vai orientar o seu primeiro treino já esta terça-feira.

Calendário do Union Berlim
Calendário do Union BerlimFlashscore

Eta sobe na carreira

O desejo de ser treinadora sempre foi claro para Eta. Para isso, terminou a carreira de jogadora em 2018 no Werder Bremen, depois de conquistar três campeonatos e a Liga dos Campeões em 2010. Com apenas 26 anos decidiu parar, também porque, após várias lesões, não queria comprometer o seu percurso como treinadora.

Começou por treinar os sub-13 do Werder, seguindo depois para a Federação Alemã de Futebol (DFB), onde também trabalhou na formação.

"Ela é treinadora de corpo e alma", afirmou Franziska Kromp, atualmente treinadora da equipa feminina do Werder, ao ZDF-Morgenmagazin – e antiga colega de Eta nas sub-17 alemãs.

"Para ela só há um tema: futebol." Eta é "muito meticulosa" enquanto treinadora e não se deixa afetar pelo atual entusiasmo mediático à sua volta.

Na verdade, esta atenção não é novidade para Eta. Em novembro de 2023, após a saída de Urs Fischer, tornou-se a primeira treinadora adjunta da história da Bundesliga, passando da equipa sub-19 para a formação principal do Union. Juntamente com o treinador interino Marco Grote, conseguiu salvar o clube da descida.

Depois regressou aos sub-19, que orientou desde o início da época até agora. Na próxima temporada, vai assumir a equipa feminina na Bundesliga, mas antes surgiu um novo encontro com a história, desta vez no futebol masculino.

Popp celebra "passo fantástico"

De repente, Eta está à frente da equipa nos cinco jogos finais da época. A sua estreia, no sábado frente ao Wolfsburgo, importante para a manutenção da equipa do português Diogo Leite, vai ser seguida com atenção para lá das fronteiras da Alemanha – o impacto mediático da notícia de que Eta vai substituir o treinador Steffen Baumgart é enorme desde o anúncio no final de sábado.

Baumgart teve de abandonar o cargo devido às preocupações com a descida
Baumgart teve de abandonar o cargo devido às preocupações com a descidaREUTERS/Lisi Niesner

"É mesmo um passo fantástico", disse a ex-internacional Alexandra Popp à Sport1, que jogou com Eta nas camadas jovens. Por isso, Popp sabe "o quão inteligente já era como futebolista." O seu sucesso mostra "que também pode provar o seu valor como treinadora". Agora, espera, "que nos próximos anos mais algumas sigam o mesmo caminho" e os passos de Marie-Louise Eta.

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