“Relativamente a Portugal, neste momento não me parece muito simples um regresso. Só um projeto extraordinário me poderia fazer pensar nisso, pois, perante a dimensão de tudo o que consegui, só mesmo os melhores clubes portugueses são capazes de o proporcionar”, afirmou Miguel Cardoso, em entrevista à Lusa.
Uma semana depois de ter vencido a principal competição africana de clubes, o técnico de 54 anos considera que entrou numa fase da carreira em que pretende continuar a competir por títulos.
“Regressar para qualquer outra situação não faz sentido nenhum quando jogamos para ganhar títulos. É essa a continuidade de carreira que eu quero e é certamente isso que vou procurar”, explicou.
Miguel Cardoso, que orientou o Rio Ave na Liga portuguesa e passou ainda por clubes como Nantes, Celta de Vigo e AEK Atenas, considerou que os últimos anos lhe permitiram consolidar um percurso competitivo marcado por conquistas na Tunísia e na África do Sul.
“Felizmente, consegui nestes últimos três anos acumular um conjunto de conquistas absolutamente arrebatadoras e fazer jus àquilo que é a aspiração de um treinador com uma carreira de vinte e muitos anos ao mais alto nível”, afirmou.
Miguel Cardoso destacou ainda a capacidade de adaptação dos técnicos portugueses, embora tenha deixado uma nota crítica quanto ao reconhecimento interno.
“O lóbi do futebol funciona muito claramente, e quando conseguimos vir para o estrangeiro e nos igualamos em condições a tantos outros, naturalmente conseguimos produzir resultados como os demais”, referiu.
Quanto ao futuro imediato, o treinador revelou que ainda terá de reunir com a administração do Mamelodi Sundowns para definir os próximos passos, apesar da recente conquista da Liga dos Campeões africana e da liga sul-africana.
“Há muitas coisas para conversar com o meu clube, naturalmente. Estou aberto ao futuro. Estou muito satisfeito com estes dois anos aqui. Vamos ver o que é que ambas as partes entendem relativamente ao futuro”, disse.
O técnico português explicou que existe uma relação sólida com a estrutura do clube sul-africano, embora reconheça que há aspetos a clarificar.
“Há um conjunto de coisas que é preciso alinhavar, pois nem tudo foi perfeito, mas temos uma relação muito boa, o que permite algumas conversas”, acrescentou.
Miguel Cardoso lembrou ainda a competitividade do mercado de treinadores, sublinhando que qualquer decisão terá de ser tomada em entendimento com o clube.
“O mercado de treinadores é extremamente agressivo. O meu clube tem opção sobre mim, mas também é claro que ninguém quer trabalhar com ninguém contrariado”, observou.
Para o técnico português, a prioridade passa agora por perceber quais são as intenções da direção do Mamelodi Sundowns.
“Acima de tudo, neste momento, é fundamental sentar-me com o meu presidente e perceber qual é a intenção do clube. A partir daí, veremos o que temos pela frente”, concluiu.
