Salgueiros projeta estádio em Paranhos para emendar problema histórico

Salgueiros projeta estádio em Paranhos para emendar problema histórico
Salgueiros projeta estádio em Paranhos para emendar problema históricoSport Comércio e Salgueiros

O Salgueiros entregou à Câmara Municipal do Porto uma proposta de construção de um novo estádio em Paranhos, visando retificar um “problema histórico”, disse esta quinta-feira o presidente do clube do Campeonato de Portugal de futebol, quarto escalão nacional.

A nível de espaços de treino, estamos organizados. Falta a peça onde as pessoas se possam juntar com boas condições. Tenho a certeza de que o regresso a Paranhos vai alavancar muito o clube, a freguesia e a própria cidade. Havendo um campo numa zona central, boas acessibilidades e envolvência, vamos voltar a pintar a freguesia de vermelho todos os fins de semana em que jogarmos em casa”, referiu à agência Lusa Pedro Seixas.

Na quarta-feira, o Salgueiros informou ter apresentado há uma semana o projeto do novo recinto numa reunião com a Câmara do Porto, na sequência de conversações entre as partes ao longo dos últimos meses.

Após as eleições autárquicas, pedimos uma reunião e perguntámos como estava o processo do espaço em Arca d’Água, que era essencial para nós. Houve trabalho muito importante feito pelos antigos presidentes do clube, Gil Almeida, e da Junta de Freguesia, Alberto Machado, no sentido de manter este complexo desportivo no Plano Diretor Municipal (PDM)”, notou.

O Salgueiros idealizou um estádio com 5.000 lugares sentados e relvado natural, em detrimento do sintético do Complexo Desportivo de Campanhã, onde evoluem vários escalões do clube, entre os sub-15 e a equipa sénior.

Além do usufruto desportivo, o Salgueiros prevê outras funcionalidades no espaço inserido na Unidade Operativa de Planeamento e Gestão (UOPG) número 7, que contempla uma área de jardim na ligação com Arca d’Água.

Mantivemos o lago dimensionado nesse projeto, mas reduzimo-lo um bocadinho, e colocámos em redor um parque urbano, mantendo a área de construção prevista, que há de ser sempre uma zona privada de prédios. Elevámos o estádio à cota mais alta para construir uma área de comércio e serviços de apoio ao parque, que ajude o clube a sustentar o complexo”, expôs Pedro Seixas, falando num investimento exclusivamente municipal.

O plano foi recebido “com interesse e proximidade” pela Câmara do Porto, cujos departamentos de Desporto e Urbanismo receberam documentação do Salgueiros e estudarão a viabilidade e concretização da infraestrutura.

Também está previsto um parque de estacionamento subterrâneo, com dois pisos e cerca de 700 lugares, que contribui para tirar carros do centro da cidade e utilizar transportes públicos. Essa foi sempre uma das propostas da coligação PSD/CDS-PP/IL (liderada por Pedro Duarte)”, frisou, convicto de que a concessão ou exploração do espaço “vai ajudar a pagar a obra em relativamente pouco tempo”.

Ainda sem custos estimados, Pedro Seixas adiantou que uma das quatro bancadas tem quase 3.500 assentos e concentrará a área operacional do futebol, ficando no lado poente, de frente para o jardim, com o topo sul a destinar um edifício de três andares à parte administrativa de clube e SAD.

Não temos datas estipuladas, mas Porto e Vila Nova de Gaia são Capital Mundial do Desporto em 2028 e haverá o Mundial-2030 (coorganizado por Portugal, Espanha e Marrocos). Acreditamos que esses momentos ajudam a alavancar o projeto, mas, enquanto o terreno continuar na esfera privada, pode demorar algum tempo. Agora, para quem esperou 20 anos, acho que conseguimos sobreviver se tivermos de esperar mais um ou dois”, afirmou.

A infraestrutura ficaria a 10 minutos a pé da sede do Salgueiros, sem recinto próprio desde que o Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro - onde jogava como anfitrião desde 1932 e nas suas 24 participações na divisão principal - foi demolido em 2006 para dar lugar a uma estação de metro.

O novo campo deveria ter sido construído nos terrenos de Arca d’Água, cedidos pela Câmara do Porto ao Salgueiros em 1997 e situados a praticamente 1,5 quilómetros do Vidal Pinheiro, entre a Via de Cintura Interna (VCI) e a Rua de Monsanto, tal como preconiza o atual projeto.

Bloqueios financeiros, administrativos e políticos impediram a conclusão da obra, por entre alguns processos judiciais, tendo nascido no lugar dos alicerces escavados um lago natural conhecido por Charca de Salgueiros.

Volvida a despedida da Liga, em 2001/02, o Salgueiros jogou nas últimas duas décadas em diversos estádios dos concelhos limítrofes do Porto, até celebrar com a autarquia em 2018 um acordo de cedência do Complexo de Campanhã, numa altura em que já tinha ressurgido com o nome, emblema e palmarés do clube fundador, extinto em 2005 por problemas financeiros.

É um campo curto para as ambições do Salgueiros. Queremos continuar a mantê-lo como centro de treino para as equipas de nível superior, mas falta uma peça central neste puzzle. A concretização do projeto é de uma justiça histórica”, finalizou Pedro Seixas, líder do clube desde setembro de 2025, após a demissão de Gil Almeida, e coordenador do futebol de formação.

A três jornadas do fim da Série B do Campeonato de Portugal, o Salgueiros é sexto classificado, com 31 pontos, três acima da zona de despromoção, sendo que está arredado da fase de subida à Liga 3 e procura evitar o regresso ao futebol distrital portuense pela primeira vez desde 2019/20.