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"Eles ainda estão no torneio," Kirkland afirma em exclusivo ao Flashscore: "Sim, gostaríamos de ter vencido o Gana. Tivemos quase 80% de posse de bola e simplesmente não conseguimos sair da segunda velocidade. Lutámos, mas não conseguimos."
O mérito, insiste, tem de ser dado ao Gana, que "mereceu o empate no final" depois de defender com muitos jogadores durante 90 minutos.
Mas a observação mais incisiva é que a Inglaterra fez o seu melhor numa correria frenética nos minutos finais, em vez de mostrar um verdadeiro plano de jogo.
Três remates enquadrados, mas nenhum até ao minuto 57, e foi o primeiro jogo de todo o torneio em que nenhuma das equipas obrigou o guarda-redes a intervir na primeira parte.
"Dizem que eles só recuaram e defenderam, mas isso é muito difícil de fazer durante 90 minutos, e no final mereceram o empate," diz ele.
Toques a mais atrás
Depois há o dado de Marc Guehi: 125 passes, o maior registo de sempre de um jogador inglês num jogo de Mundial, mas todos passes laterais de um central. Isoladamente, parece impressionante, mas o número deixa Kirkland algo preocupado.
"Gostaria que fosse um dos teus médios a fazer tantos passes, aí sim estarias por cima do jogo," argumenta: "Contra uma das melhores equipas, tudo bem, o teu central vai ter de iniciar mais jogadas. Mas contra o Gana? Isso devia ser feito por um dos teus jogadores da frente. Devia ser um dos médios ofensivos, um dos extremos – são esses que queres a ter tantos toques. Isto mostra bem porque é que foi tudo tão apático e arrastado, porque tivemos toques a mais atrás."

O calor, acredita, também tem sido um fator importante que as pessoas estão a subestimar. "Dás cinco passos e toda a gente diz, 'Meu Deus, isto é horrível.' Estejas num escritório ou noutro sítio qualquer, o calor desgasta-te. Eles vão estar ali, com sorte, mais quatro ou cinco semanas, e mesmo assim não se vão habituar. Demora muito tempo a adaptar-se a um clima diferente."
Isso não explica totalmente os 19 toques de Harry Kane, o menor registo em qualquer presença de 80 minutos de Kane por Inglaterra em torneios. Sobre se Tuchel devia tê-lo tirado, Kirkland é claro.

"Não podes tirar o Harry Kane com 0-0. Enquanto ele não sinalizar que tem algum problema, tem de ficar, porque pode marcar um golo do nada. Se estiver 3-0 ou 4-0, tudo bem, descansa-o, mas com 0-0, não. Michael Owen era igual. Não fazia nada durante 88 minutos e, de repente, dois golos. A final da Taça de Inglaterra é o exemplo, contra o Arsenal. Jogadores desse calibre, não se podem tirar."
Sorte nas decisões
Dois lances de arbitragem merecem, provavelmente, mais atenção do que aquela que tiveram, pelo menos na imprensa inglesa. O lance de Ezri Konsa que não foi assinalado passa quase despercebido.
"Para mim, o Gana podia perfeitamente ter tido um penálti. Se fosse ao contrário, um jogador inglês a cair assim, estaríamos todos a protestar. Escapámos. Ele não toca na bola, derruba-o, contribui para a queda. O VAR erra tanto – há lances tão óbvios. Se fosse a nosso favor, todo o país estaria a protestar."

A saída de Pickford, em que a falta acabou por ser assinalada a favor da Inglaterra, também podia ter dado muito mais que falar.
"Às vezes é complicado," diz: "Sais da baliza e pensas, 'Estou mal posicionado.' Ficas ali, sem saber o que fazer. Se não chegas à bola, tiras o homem do lance ou deixas que ele passe e marque? Se isso também é falta, então já são duas em que tivemos sorte."
A conversa sobre Phil Foden e Cole Palmer continua, com muitos a acreditar que qualquer um deles poderia ter encontrado passes mais curtos para desbloquear o bloco baixo do Gana.
Mas Kirkland recusa-se a entrar em análises retrospetivas e mantém que ambos estiveram "cinco e meio, seis em dez" ao nível de clubes esta época.
"Se o Tuchel os tivesse colocado, diriam que não têm estado bem no City ou no Chelsea, porque é que estão ali? Se tivesse deixado o Anthony Gordon de fora para entrar Palmer ou Foden, diriam que o Gordon fez melhor época. Não se pode agradar a todos. Depende dos jogadores que estão lá."
"É ir para cima deles"
A pensar já no jogo de sábado com o Panamá, Kirkland quer ver o esquema tático repensado para se adaptar melhor ao adversário.
"Não precisas de dois médios defensivos contra o Panamá. Quando colocas dois jogadores mais recuados, isso condiciona a forma como jogas. Contra equipas melhores, sim, vais precisar disso. Equipas como o Gana não são iguais. Se o Declan estiver com dificuldades no tornozelo ou na barriga da perna, pode ser ele a descansar. Se não vencermos o Panamá, há algo muito errado."
O seu onze traz Nico O'Reilly e John Stones de volta ao lado de Guehi, com Reece James a manter-se se estiver apto. Elliot Anderson joga sozinho à frente da defesa. Jude Bellingham, Gordon, Morgan Rogers e Ollie Watkins à frente dele, com Kane na frente. O objetivo deve ser uma ameaça ofensiva positiva.

"Eu ia para cima deles", diz Kirkland: "Eles não nos deviam causar grandes problemas. Se causarem, temos mais do que suficiente para marcar dois, três ou quatro golos. Quero ver uma equipa mesmo, mesmo ofensiva. Mais intenção ofensiva. Colocar a bola rapidamente nas alas, jogar mais rápido para a frente. Meter a bola nesses espaços curtos. Em vez de mais um passe, jogar logo para a frente. Às vezes jogamos demasiado para o lado. A transição da defesa tem de ser muito mais rápida."
Ignorar o ruído exterior
Recomenda também que todos no grupo dos Três Leões façam tudo para ignorar o ruído exterior, embora, historicamente, isso seja mais fácil de dizer do que de fazer.
A imprensa, como seria de esperar, faz o que costuma fazer: carrega no botão do pânico com títulos sensacionalistas para gerar cliques e vender jornais. Kirkland já anda nisto há tempo suficiente para conhecer o ciclo e sente que isso tem muitas vezes um impacto negativo na seleção.
"A Inglaterra podia ganhar a final do Mundial por 4-0, e parte da imprensa diria que devia ter sido 5-0. Isto acontece em todos os torneios. Uma exibição apagada e logo caem em cima dos jogadores. Nunca gostei disso – não ajuda. Nem os jogadores, nem o grupo, nem os adeptos, porque os adeptos pegam nisso e começam a repetir opiniões que nem são deles. É o mundo em que vivemos."
A Inglaterra lidera atualmente o Grupo L e, muito provavelmente, vai continuar no topo também no sábado.
Se isso terá importância quando chegarem as fases a eliminar e os verdadeiros candidatos aparecerem, é a grande questão.

