Análise: Esplendor do desporto italiano contrasta com a crise do seu futebol

Moise Kean lamenta uma ocasião desperdiçada no Bósnia e Herzegovina-Itália
Moise Kean lamenta uma ocasião desperdiçada no Bósnia e Herzegovina-ItáliaGIACOMO COSUA / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

A eliminação de Itália na final do playoff de acesso ao Mundial abalou o mundo do futebol. A azzurra, que se sagrou campeã da Europa em 2021, falha a sua terceira presença consecutiva no Mundial.

Recorde as incidências da partida

nazionale conta com jogadores de destaque no panorama internacional, como Donnarumma, Dimarco, Tonali, Barella ou Kane. No entanto, os resultados desde a conquista do Europeu têm estado ausentes. A derrota nos penáltis frente à Bósnia foi a gota de água, depois de a Macedónia do Norte, em 2022, também ter afastado Itália do Mundial do Catar.

A isto soma-se a situação dos clubes italianos nas competições europeias. Apesar de o Inter de Milão ter sido vice-campeão europeu em 2023 e 2025, nesta edição da Champions não há equipas italianas nos quartos de final. Apenas a Atalanta chegou aos oitavos de final, mas foi goleada pelo Bayern.

Na Liga Europa, o Bolonha continua em prova, depois de eliminar a Roma nos oitavos de final, e na Liga Conferência a Fiorentina mantém-se em competição. Com exceção dos títulos da Roma (Liga Conferência em 2022) e da Atalanta (Liga Europa em 2024), o último troféu europeu de uma equipa italiana foi a Champions conquistada por José Mourinho com o Inter de Milão, em 2010.

O "boom" dos Jogos

Esta realidade contrasta com o excelente momento do desporto italiano. O grande impulso surgiu em Tóquio 2020, onde os atletas azzurri conquistaram um total de 40 medalhas: 10 de ouro, 10 de prata e 10 de bronze. O atletismo, com Marcell Jacobs, Massimo Stano, Gianmarco Tamberi ou Antonella Palmisano, foi um dos grandes destaques. Mas também a esgrima e a natação contribuíram. Em Paris-2024, Itália voltou a alcançar as 40 medalhas, provando que nada foi obra do acaso, embora a distribuição tenha sido diferente: 12 de ouro, 13 de prata e 15 de bronze.

Nos últimos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, Itália somou 30 medalhas, das quais 10 de ouro, seis de prata e 14 de bronze.

Sinner, Taça Davis, Billie Jean King Cup e voleibol

Por outro lado, o ténis transalpino atravessa o seu melhor período. Itália venceu as três últimas edições da Taça Davis e as duas mais recentes da Billie Jean King Cup. A nível individual, Jannik Sinner já soma quatro Grand Slams no seu palmarés, com Lorenzo Musetti e Flavio Cobolli a acompanhá-lo no Top 20 do ranking ATP.

No voleibol, a seleção feminina é a atual campeã olímpica e mundial, enquanto a equipa masculina detém o título mundial e é vice-campeã da Europa.

Bezzecchi e Antonelli

Nos desportos motorizados, 2026 começou em grande para Itália. Marco Bezzecchi lidera o Mundial de MotoGP depois de vencer as últimas cinco corridas (as duas de 2025 e as três primeiras de 2026), enquanto Kimi Antonelli comanda o Mundial de Fórmula 1 após triunfar nos dois Grandes Prémios mais recentes.

Como se isto não bastasse, Itália está a crescer de forma notável noutros desportos. No râguebi, no atual Seis Nações, derrotou a Inglaterra pela primeira vez na sua história. No basebol, no clássico mundial, a azzurra chegou às meias-finais depois de eliminar os Estados Unidos nos quartos de final.