Análise: Luis Díaz brilha, mas Colômbia continua a girar em torno de James Rodríguez

Luis Díaz em ação frente à Croácia
Luis Díaz em ação frente à CroáciaReuters

O selecionador da Colômbia, Néstor Lorenzo, tem duas opções em cima da mesa a poucos meses do início do Mundial: construir uma equipa em torno de Luis Díaz, figura consolidada no futebol europeu, ou de James Rodríguez, uma lenda com pouco ritmo de jogo.

Até agora, o 10 continua a impor-se como símbolo da seleção colombiana, apesar de, neste ano, somar apenas 39 minutos de jogo pelo Minnesota United, da MLS norte-americana.

Luis Díaz, por outro lado, chega num excelente momento ao Bayern Munique, onde registou 22 golos e 18 assistências esta época. No entanto, aos 29 anos, ainda não assumiu totalmente o papel de líder absoluto da equipa colombiana.

O debate sobre quem deve ser o principal referente dos cafeteros intensificou-se após a derrota por 1-2 frente à Croácia no amigável de quinta-feira, em Orlando.

James Rodríguez foi titular pela primeira vez desde novembro, quando saiu do Club León, do México, mas a Colômbia mostrou-se sem ideias para ultrapassar a defesa europeia. Será titular no domingo no jogo de preparação frente à França de Kylian Mbappé em Landover, Maryland?

O médio de 34 anos, considerado por muitos o melhor futebolista da história do país, apresentou-se lento e voltou a deixar dúvidas na reta final da preparação para o Mundial-2026.

Luis Díaz, por sua vez, foi o jogador mais desequilibrador do ataque colombiano, mas o seu papel secundário contrasta com o excelente momento que atravessa na Alemanha, a menos de três meses da estreia no Mundial, frente ao Uzbequistão, a 17 de junho.

Após a derrota, Lorenzo saiu em defesa do capitão e melhor marcador do Mundial-2014. "Sei que lhe faltam minutos, mas também sei que fisicamente tem trabalhado, (...) penso que esteve bem", afirmou na quinta-feira após a derrota diante dos croatas.

Continuará Luis Díaz a ser ofuscado pelo principal referente colombiano?

Balança 

Os argumentos de ambos os lados são fortes. James Rodríguez chega com uma falta de ritmo semelhante à que apresentava antes da Copa América 2024, na qual acabou por ser o melhor jogador do torneio. A sua influência no grupo e a capacidade de organizar o jogo continuam a mantê-lo na seleção.

Luis Díaz atravessa uma das melhores épocas da sua carreira num clube que se destaca na Europa. No Bayern Munique é dono do corredor esquerdo, embora na seleção atue mais próximo do avançado para aproveitar os espaços criados por James Rodríguez.

Entretanto, a falta de regularidade do capitão e os problemas físicos que têm condicionado a sua carreira nos últimos anos começam a preocupar. No entanto, Lorenzo mantém-se sereno.

"O James não vai sair do onze inicial, por muito mal que esteja fisicamente, não podemos lutar contra isso", afirmou o antigo avançado cafetero Víctor Hugo Aristizábal no canal ESPN.

De carácter humilde, Luiz Díaz nunca contestou a sua posição perante quem considera um ídolo. "Fiz-lhe saber que ele sempre foi o meu ídolo", confessou numa ocasião, em lágrimas.

Precedentes 

O passado também pesa. No Mundial da Rússia 2018, com José Néstor Pekerman como treinador e Lorenzo como adjunto, a Colômbia construiu uma estrutura em torno de James Rodríguez, apesar das suas limitações físicas.

A aposta acabou por correr mal, já que o médio saiu lesionado ainda na primeira parte do terceiro jogo da fase de grupos e falhou o duelo dos oitavos de final frente à Inglaterra, em que os cafeteros foram eliminados.

A equipa, pouco habituada a jogar sem ele, dependeu dos golos de cabeça do defesa Yerry Mina.

Hoje, os alertas do Minnesota United sobre as queixas físicas de James Rodríguez voltam a causar preocupação. Mas Lorenzo insiste que a situação não é grave.

"É o tempo ideal para ajustar a sua condição antes do Mundial", garantiu na quinta-feira, a caminho da preparação de um dos torneios mais exigentes de sempre.