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Francisco Conceição viveu uma época marcante na Juventus, onde nos últimos meses confirmou o seu estatuto de jogador capaz de abrir as defesas adversárias, criando a superioridade numérica necessária com os seus dribles curtos. Agora que se aproxima do compromisso mundialista, o seu percurso na seleção orientada por Roberto Martínez pode beneficiar bastante desta tendência recente.
O momento que marcou a sua viragem com os lusos chegou no Euro-2024. No duelo frente à República Checa, com o Portugal empatado 1-1, Roberto Martínez lançou-o em campo nos instantes finais. Poucos minutos depois, Conceição apareceu no sítio certo à hora certa e assinou o 2-1 já em tempo de compensação. Esse golo não foi apenas decisivo: foi o manifesto do que pode oferecer.
Mudança de ritmo
Ataca os espaços com agressividade e traz uma dose de imprevisibilidade que Portugal, nas fases mais estáticas, por vezes sente falta. Com Bernardo Silva provavelmente utilizado como extremo direito, a seleção orientada por Roberto Martínez terá uma qualidade requintada na circulação de bola, mas não os rasgos necessários para abrir corredores nas alas e furar as defesas rivais.
As acelerações do jogador da Juventus são recorrentes: Chico recebe e parte logo para cima do adversário, e a sua primeira opção é quase sempre vertical. Mantendo-se aberto, é também hábil a criar espaço por dentro para os colegas mais associativos. Nos duelos de um contra um, este jogador tem uma qualidade especial: obriga inevitavelmente ao apoio defensivo do adversário. Não por acaso, na última temporada da Serie A foi o primeiro jogador em dribles bem-sucedidos por jogo: 4,96.
Pai e Cristiano Ronaldo
Com os dois golos marcados frente à Roma, Conceição tornou-se o segundo jogador português a marcar à Roma nos dois jogos da temporada da Serie A. Antes dele, só Cristiano Ronaldo, também com a camisola bianconera, o tinha conseguido. E precisamente ao falar do seu ilustre compatriota, com quem vai disputar este Mundial, Chico deixou claro numa entrevista à Sport Week que conta muito com ele, apesar dos 41 anos de idade: “Muito. Independentemente da idade, faz sempre muitos golos, é um líder e continua com muita ambição, demonstra-o todos os dias”.
Também à SportWeek, Conceição confirmou que não é apenas um jogador ofensivo, mas que gosta até de recuar para ajudar. "Gosto de defender, de ganhar um duelo. São coisas que o meu pai, o meu ídolo, me ensinou quando era criança: roubar a bola é como fazer um drible ou marcar um golo, porque é precisamente esse duelo ganho que pode dar-te a possibilidade de marcar”, garantiu. E com estes propósitos, a aventura do seu primeiro Mundial pode começar.

