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Protagonista no Real Madrid, Vini não tem conseguido replicar o mesmo nível exibicional quando representa a seleção brasileira.
Frente à França, o avançado recebeu nota 6,5 do Flashscore — superior às de Raphinha (6,4) e Martinelli (6,1), mas abaixo, por exemplo, de Bremer. O central foi o melhor do Brasil no desaire, com uma avaliação de 7,1 na nossa base estatística.

Curiosamente, Bremer deverá começar no banco frente à Croácia esta terça-feira, quando Marquinhos deverá regressar ao onze inicial da equipa orientada por Ancelotti. Vinicius, apesar da irregularidade, manter-se-á no onze.
Com oito golos e seis assistências pela seleção brasileira em 48 jogos, Vini Jr. registou seu melhor desempenho médio com a camisola verde e amarela apenas em dois torneios — Mundial-2022 (7,6) e Copa América de 2024 (7,5).
A sua melhor nota pela seleção ocorreu na goleada sobre o Paraguai por 4-1 na Copa América de 2024 — 8,9, —, quando marcou dois golos. Antes daquela partida, Vini possuía apenas três tentos pela seleção e há muito procurava uma grande exibição. Livre, leve e solto, bailou para cima dos defesas do Paraguai, incomodados com a ousadia do 7 brasileiro.
Mas este nível de exibição é mais exceção do que regra no caso de Vini com a camisola verde e amarela. O Flashscore aponta alguns motivos que podem ajudar a explicar este fenómeno negativo para os adeptos brasileiros.
A diferença no apoio do lateral esquerdo
No Real Madrid, Vini Jr. habituou-se a jogar com laterais que oferecem um apoio muito específico. Seja através de subidas agressivas no corredor ou de posicionamentos que arrastam a marcação, raramente fica isolado.
Na seleção brasileira, a ligação com os laterais esquerdos ainda não atingiu esse mesmo nível de sintonia. Sem esse apoio constante para tabelas ou para abrir espaços, Vini acaba por ser obrigado a resolver muito mais jogadas no um para um, partindo muitas vezes de zonas mais recuadas e enfrentando defesas mais compactas e preparadas para lhe fazer marcação dupla.

A falta de um avançado na seleção do Brasil
Vini Jr. atingiu o seu auge no clube ao partilhar o ataque com jogadores de características muito específicas. Karim Benzema, por exemplo, saía da área para criar espaços e funcionava como ponto de apoio para as movimentações do brasileiro.
Na seleção, a posição de ponta de lança tem sido alvo de constantes testes e adaptações. Sem uma referência ofensiva fixa que dite o ritmo e arraste os centrais para longe da ala esquerda, os espaços para as arrancadas de Vini tornam-se bastante mais reduzidos.

Tempo de treino vs. mecanização de movimentos
Apesar de Ancelotti conhecer Vinicius como poucos e saber como potenciá-lo, o contexto de uma seleção é muito diferente do quotidiano de um clube.
No Real Madrid, trabalharam juntos diariamente durante anos, o que permite uma mecanização de movimentos quase perfeita com os colegas, sobretudo no meio-campo. Na seleção, os períodos de estágio são curtos. Falta ainda essa “memória muscular” coletiva que só o trabalho contínuo pode proporcionar.

Ancelotti mantém confiança em Vini Jr.
O “enigma” Vini Jr. na seleção brasileira continua a intrigar os adeptos, habituados às suas exibições de alto nível na Liga dos Campeões. Desde que começou a disputar a principal competição europeia de clubes, o internacional brasileiro apresenta uma média superior a 7,0, atingindo o pico na época 2023/2024, com 7,9.
Ainda assim, a situação não parece preocupar Ancelotti, que confia na melhor versão de Vini no Campeonato do Mundo, tal como acredita noutro jogador frequentemente contestado na seleção: Raphinha, do Barcelona.
“A seleção tem Raphinha e Vinícius Jr., que estão entre os melhores jogadores do mundo neste momento e acredito que estarão entre os melhores no Campeonato do Mundo”, afirmou Ancelotti.

“Vamos fazer com que mostrem toda a qualidade que têm demonstrado nos clubes, ao serviço da equipa, para fazermos um bom Mundial. Eles vão consegui-lo porque têm grande caráter e personalidade”, concluiu o treinador.
O Brasil defronta a Croácia esta madrugada, à 01:00 (hora de Portugal continental), no Camping World Stadium, em Orlando, na Florida, num amigável internacional — o último antes da divulgação da convocatória final para o Mundial.

