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Deu a sua primeira entrevista após a transferência para Praga ainda com máscara, pois uma nova vaga de covid estava a alastrar-se na República Checa. "O Slavia é um grande clube, será uma honra jogar por ele. Acho que esta transferência vai aproximar-me ainda mais da seleção nacional", disse na altura. Palavras notáveis. Não era (nem é) habitual ver jogadores da Europa Ocidental virem para a República Checa com o objetivo de conquistar um lugar na seleção.
Mas Bah conseguiu-o. No último Europeu, foi titular pela Dinamarca e, dois anos antes, também esteve presente no Mundial do Catar. E mesmo tendo recuperado recentemente de uma grave lesão no joelho, que o afastou dos relvados durante pouco mais de um ano, devido às várias ausências na defesa dinamarquesa, regressou de imediato ao onze inicial. Esta noite, em Letná, vai defrontar a seleção checa na final do play-off de acesso ao Mundial.
Passou um ano e meio em Praga. Com o Slavia, celebrou logo o título na época em que chegou, sem conhecer o sabor da derrota no campeonato. "Não podia ser melhor", exclamou radiante depois de a sua equipa golear o Plzeň por 5-1 em casa, garantindo o troféu de campeão, ele próprio marcando o seu primeiro golo pelo clube. "Eu sou bonito golo", disse a sorrir numa entrevista à televisão do clube, num checo encantador, incentivado pelo colega Ondřej Kúdela.

Com a camisola vermelha e branca, conquistou também a taça e jogou os quartos de final da Liga Europa frente ao Arsenal. Um sonho. "Transferir-me para o Eden? A melhor decisão que tomei na vida", festejou. E tinha razão. Assinou um contrato de quatro anos, mas cumpriu apenas um ano e meio. Depois, o Benfica apareceu com muitos milhões. Bah evoluiu imenso em pouco tempo e o conjunto encarnado não hesitou em pagar oito milhões de euros.
Ou seja, mais de quatro vezes o valor pelo qual chegou à República Checa. "A sua contratação foi como um jackpot. Um exemplo perfeito de como o scouting deve funcionar. Os rapazes fizeram um trabalho excelente ao observá-lo. Chegou exatamente o jogador que esperavam, aquele que a equipa técnica desejava após a saída do Coufal", contou à magazine do clube Halftime Petr Hurych, antigo chefe do scouting do Slavia e atual diretor da academia.
Raramente acontece todos os scouts, analistas e treinadores de um clube concordarem que determinado jogador será uma mais-valia. No caso de Bah, foi assim. E ele próprio também beneficiou com a transferência, tal como planeado. Mesmo passados alguns anos, não esqueceu de onde partiu para o universo do futebol repleto de estrelas. Quando, há dois anos, o Slavia e o Sönderjyske se defrontaram num estágio no Algarve, foi cumprimentar os antigos colegas. E abraçou calorosamente o treinador Jindřich Trpišovský. "Fez muito por mim, ensinou-me imenso", revelou Bah.
No último Natal, a direção do conjunto checo anunciou que Trpišovský e a sua equipa técnica renovaram contrato até 2029. O lateral dinamarquês foi um dos que felicitou. "Os treinadores viam em mim uma pessoa, não apenas um futebolista. Ajudaram-me a evoluir dentro e fora de campo. Deram-me muita confiança e prepararam-me para cada jogo. Sabia exatamente o que tinha de fazer. Ajudaram-me a dar o próximo passo", afirmou então num vídeo.
No Slavia, celebrou conquistas ao lado dos atuais internacionais checos Tomáš Holeš, Lukáš Provod e David Jurásek. Usava o número cinco na camisola, herdado de Coufal, tal como o lugar no onze. Qual deles vai dar agora o passo rumo ao Mundial?

