Basta recordar a final do Mundial de Clubes, frente ao Paris Saint-Germain, para perceber o talento do inglês a destacar-se.
Palmer brilhou no Mundial de Clubes
Dois golos praticamente idênticos e uma assistência para João Pedro justificaram as celebrações 'geladas' que se seguiram.
Um pouco mais de um mês depois, no entanto, uma lesão na virilha no início da época 2025/26 obrigou-o a parar durante três semanas.
Uma semana após regressar desse problema, lesionou o dedo do pé, ficando afastado por mais dois meses, antes de dois períodos mais curtos, em torno da época festiva, o terem deixado de fora por falta de condição física e necessidade de descanso.
Uma lesão na coxa, já perto do final de janeiro, só agravou as dificuldades de Palmer e, por esta altura, já se tinha habituado ao facto de um dos seus maiores apoiantes, Enzo Maresca, ter sido afastado do clube de forma abrupta e substituído pelo inexperiente Liam Rosenior.

Chelsea sofreu a pior derrota de sempre
O italiano saiu com os Blues na quinta posição da Premier League e, apenas dois meses e meio depois, Rosenior supervisionou a derrota mais pesada de sempre da equipa na Liga dos Campeões (8-2 no agregado frente ao PSG) e, apesar de um início promissor, fez os Blues recuarem para o sexto lugar.
Apesar de ainda estarem perto de alcançar o top quatro, a verdade é que, com oito jogos da Premier League por disputar, já não dependem apenas de si próprios.
Felizmente para Palmer, o seu novo treinador - que pode ser dispensado após a humilhação na Liga dos Campeões - partilha o mesmo apreço pelo talento do médio ofensivo que o seu antecessor.
O único problema é que o jogador, com 23 anos, não tem estado a render ao máximo ao longo desta época, mesmo quando está totalmente recuperado.
Menos eficaz em golos
Para além de um hat-trick frente ao último classificado Wolverhampton, um golo e uma assistência no jogo seguinte contra o Leeds e mais um golo frente ao Aston Villa, Palmer só marcou mais três golos desde meados de setembro do ano passado.
Em muitos jogos, pareceu estar fora de ritmo e, tendo jogado os 90 minutos completos apenas em seis ocasiões em todas as competições desde setembro, não é de admirar que também tenha dado sinais de desinteresse em algumas partidas.

Os proprietários, BlueCo, nunca toleraram incompetência, seja de jogadores ou treinadores, e certamente não hesitariam em vender Cole Palmer se acharem que já não está motivado em Stamford Bridge. Especialmente se conseguirem um bom valor pelo seu passe.
Com um contrato válido até junho de 2033, os Blues podem definir o preço que quiserem.
O que perderia o Chelsea se Palmer fosse vendido?
Mas o que perderiam se sequer considerassem tal cenário?
Para começar, ninguém se aproxima dos 53 golos e 31 assistências de Palmer em todas as competições desde que chegou aos West Londoners vindo do Manchester City em 2023.
Uma precisão de remate de 60,2% só é superada por Nicolas Jackson (60,5%) e Timo Werner (61,4%), mas tendo em conta o rendimento inferior destes, os números de Palmer, no contexto, são muito mais impressionantes.

Apesar de a sua taxa de conversão ser de 14,6%, o que não é o melhor, ao analisar os detalhes percebe-se que essa percentagem é, na verdade, enganadora.
Os 363 remates realizados são 111 a mais do que o seu rival mais próximo, Enzo Fernández, e 168 a mais do que Kai Havertz, terceiro na lista dos jogadores do Chelsea com mais remates desde a chegada de Palmer.
Mesmo assim, as suas taxas de conversão, 11,1% e 11,3% respetivamente, são inferiores às dos colegas, com Romelu Lukaku a registar 16,9%, o melhor da equipa, mas fruto de apenas 77 remates, quase 300 menos do que Palmer.
A pior decisão possível...
Uma taxa de passes completos de 83,5% ao longo das três épocas em Stamford Bridge é aceitável, mas curiosamente, fica aquém de outros jogadores importantes do plantel do Chelsea.
Os 62 grandes oportunidades criadas são pelo menos 16 a mais do que qualquer outro jogador do Chelsea e os 77 passes em profundidade só são superados por Enzo Fernández (98).
Com o argentino ex-Benfica a sugerir, após o desastre frente ao PSG, que pode estar a pensar em novos desafios depois do Mundial, os Blues não podem admitir a saída de Palmer na mesma janela de transferências – especialmente se se destacar nos Estados Unidos, este verão.
No final de contas, mesmo que se tenha tornado mais propenso a lesões e por vezes pareça ter uma atitude displicente dentro e fora do relvado, é evidente que Cole Palmer continua a ser o jogador mais criativo do Chelsea.
A BlueCo já tomou decisões arriscadas desde que assumiu o clube, mas permitir a saída do seu número 10 seria, sem dúvida, a pior de todas.

