Em entrevista ao Flashscore, Aline conversou com Elaine Trevisan e Fran Alberto sobre a preparação para o Mundial, a expectativa de público, os estádios e, principalmente, os planos para transformar o impacto do Mundial em ações duradouras.
A preocupação com o que ficará depois de 2027 começa dentro da própria organização do Mundial. Segundo Aline, a FIFA trabalha atualmente com 68 áreas funcionais para a realização do Campeoanto do Mundo no Brasil e, pela primeira vez na história da competição, o legado passou a ser uma dessas áreas.
A ideia é fazer com que o impacto gerado pela competição não fique restrito ao período do torneio. Para isso, a FIFA estabeleceu três pilares para o trabalho no Brasil: desenvolvimento do futebol feminino, impacto social e infraestrutura.
No primeiro deles, o foco está em aproveitar o momento de crescimento da modalidade no país. Aline citou a evolução das competições nacionais, que hoje contam com três divisões do Campeonato Brasileiro, além da Taça do Brasil, da Supertaça e de torneios de formação.
Legado para lá das quatro linhas
O segundo pilar está relacionado ao impacto social. O Mundial será utilizada também como uma oportunidade para ampliar a presença feminina em posições de liderança e discutir questões que ultrapassam o futebol, incluindo a violência contra as mulheres e a necessidade de políticas públicas.
A própria estrutura da FIFA no Brasil, segundo Aline, apresenta uma maioria feminina. Dos quatro diretores executivos, três são mulheres, enquanto elas representam 66% dos colaboradores do escritório da entidade no país.

O terceiro pilar envolve a infraestrutura. A proposta não é necessariamente construir novos estádios, mas discutir como os espaços desportivos existentes podem ser mais ocupados por mulheres e meninas.
Expectativa de recorde de público em 2027
O Mundial também chega ao Brasil cercado pela expectativa de um novo recorde de público. Aline lembrou que o Campeonato do Mundo de 2019, em França, levou aproximadamente 1,1 milhão de pessoas aos estádios.
Quatro anos depois, a edição disputada na Austrália e na Nova Zelândia aproximou-se dos 2 milhões.
“A expectativa é que possa continuar a crescer”, afirmou Aline, que aposta no potencial de um Mundial disputado num dos países mais apaixonados por futebol.
A preparação dos estádios também está entre as prioridades. Embora o Brasil tenha herdado uma estrutura construída ou reformada para o Mundial-2014, já se passaram 12 anos desde o torneio masculino, e os padrões da FIFA evoluíram.
A entidade trabalha em parceria com cidades-sede, gestores dos estádios, CBF e governos para garantir que as arenas estejam preparadas para receber as melhores seleções e jogadoras do mundo.
O futuro
Mais do que números de público ou estruturas renovadas, o principal indicador de sucesso da Copa de 2027 será, para Aline, a capacidade de transformar oportunidades para meninas que querem jogar futebol.
“É enraizar o futebol feminino no Brasil. Queremos ter a certeza de que qualquer menina, esteja onde estiver no Brasil, se quiser jogar futebol, vai ter oportunidade”, afirmou.
A dirigente também espera que o futebol feminino consiga ocupar cada vez mais espaço na televisão, no streaming e nos grandes estádios, até que clubes, atletas e competições façam parte naturalmente das discussões desportivas do país.
Um dos símbolos dessa transformação estará justamente no Maracanã. O estádio vai receber a final do Mundial-2027 e será palco, pela primeira vez, de uma decisão de um Mundial feminino.
Para Aline, a competição representa uma oportunidade histórica. O desafio agora é fazer com que, daqui a cinco, 10 ou 20 anos, o Brasil ainda consiga observar os efeitos.
