Francisco Neto: "Somos favoritos, mas temos de ser sérios para não termos dificuldades"

Francisco Neto, selecionador de Portugal
Francisco Neto, selecionador de PortugalESTELA SILVA/LUSA

As declarações do selecionador nacional, Francisco Neto, na conferência de imprensa de antevisão à receção de Portugal à Eslováquia, referente à 2.ª jornada da fase de qualificação para o Campeonato do Mundo.

Acompanhe as incidências da partida

Análise: "Esperamos um padrão ligeiramente diferente daquele que tivemos no jogo com a Finlândia. A Eslováquia tem um padrão ofensivo distinto. A defender apresenta momentos parecidos com os que encontrámos frente à Finlândia, mas não tem jogado contra equipas como a nossa. É uma equipa audaz, agressiva e que tem procurado pressionar os adversários mais alto. Mostrámos imagens às jogadoras, embora também acreditemos que possam baixar linhas e procurar momentos de contra-ataque e ataque rápido. Têm jogadoras muito evoluídas, que atuam em bons clubes e campeonatos, por isso temos de estar de sobreaviso. É uma equipa muito solidária e teremos de ser sérios para não termos dificuldades."

Estreias: "A nossa missão é preparar o maior número possível de jogadoras para os jogos. Felizmente temos um grupo com muita qualidade e jogadoras a dar uma resposta positiva, mas sabemos que cada uma oferece coisas diferentes. Jogar com a Diana e a Jéssica é diferente de jogar com a Carolina Santiago e a Capeta, e até uma mistura entre elas traz coisas distintas. Nós sabemos o que cada uma pode dar e temos um plano de jogo definido para amanhã."

Favoritismo: "A nossa mentalidade é essa. A partir do momento em que assumimos que queremos estar no Mundial, estes são dez jogos e dez finais que queremos ganhar. Jogamos em casa, temos o ranking do nosso lado, mas sabemos que no passado também estávamos abaixo no ranking e isso não nos tirou os objetivos. Se não nos lembrarmos do nosso passado, não vamos ter sucesso."

Titularidade de Carole: "Só amanhã é que vão saber. É um número muito bonito, de alguém que trabalha muito, que se esforça para se deitar cedo, comer bem e ter uma vida regrada que lhe permite chegar a este nível com qualidade. A Carole atingiu esse número e teria todo o prazer em partilhá-lo com a Ana Borges. Temos pena de ela não estar aqui por estar lesionada. Ainda vamos ter um treino e depois decidiremos. As coisas vão acontecer naturalmente."

Eslováquia sofre poucos golos: "Temos de estar sempre ligados e não cair numa ansiedade sem sentido. Não podemos olhar para o jogo apenas num momento. Temos algumas métricas muito próximas do padrão máximo a nível internacional, métricas mesmo muito fortes. É este tipo de atitude e comportamento que nos permite manter a equipa ligada. Mas sabemos que temos de estar sempre atentos, porque numa transição ou numa bola parada as coisas podem acontecer contra nós."

Jogo mais físico: "O nosso padrão, fruto das características da jogadora portuguesa, é fugir um pouco a esse tipo de jogo. Mas temos de ter noção de que num jogo internacional isso vai acontecer. Foi um dos aspetos em que fomos inferiores à Finlândia, porque perdemos mais duelos do que queríamos. Ainda assim, há outras métricas que podem compensar isso."

Confiança depois de não sofrer golos: "É sempre importante. Sabemos que as equipas que não sofrem golos estão sempre mais perto de ganhar. São raros os jogos em que não criamos oportunidades, mesmo em jogos mais difíceis. Fomos consistentes. Lembro-me de poucas vezes em que Portugal tenha sido obrigado a entrar em organização defensiva contra a Finlândia, e isso para mim é muito importante. Faz parte da nossa identidade e do nosso ADN, e queremos que aconteça cada vez mais vezes. Mas, se sofrermos um golo, o mundo não acaba e teremos de marcar dois."

Nível de exigência na seleção: "É algo que temos vindo a sentir. Não quero que seja o culminar, porque temos margem para crescer. Já conseguimos quase encher o Estádio do Dragão e gostávamos de andar sempre nesse registo. Mas também sabemos que temos de ser consistentes nas nossas exibições e vitórias. Temos de seguir em frente nas fases de grupos das grandes competições e, quem sabe, lutar por títulos. Crescemos muito nos últimos anos, estamos num excelente patamar e tem sido importante manter essa consistência. Agora temos de voltar a crescer para que os adeptos queiram continuar a caminhar connosco."

Gestão e integração das mais jovens: "Trabalham muito nos clubes para chegar à convocatória e, claro, aquilo que fazem aqui também pode aproximá-las das próximas chamadas. Há dois critérios muito fortes: a performance no treino e a performance no grupo. Isso dá-nos boas dores de cabeça, porque as jogadoras trabalham muito bem."