No futebol, os jogos das duas mãos dos oitavos de final da zona oeste da Liga dos Campeões asiáticos 1 foram adiados pela Confederação Asiática (AFC), que replicou a decisão nos quartos da segunda e terceira provas continentais de clubes, mas não remarcou nenhuma partida na região este.
Os sauditas do Al Ittihad, treinados pelo português Sérgio Conceição, e os emiradenses do Shabab Al Ahli, do compatriota Paulo Sousa, enfrentariam os emiradenses do Al Wahda e os iranianos do Tractor nas duas primeiras semanas de março para a Liga dos Campeões asiáticos 1, respetivamente.
Já na segunda prova asiática, os sauditas do Al Nassr, orientados por Jorge Jesus e com Cristiano Ronaldo e João Félix no plantel, vão ter pela frente os emiradenses do Al Wasl, de Rui Vitória, em data a designar.
Vários campeonatos nacionais prosseguem no Médio Oriente, estando os organismos a aplicar protocolos de segurança e a monitorizar a cada dia a guerra, a partir da qual houve jornadas adiadas no Bahrain, no Líbano e no Catar, um jogo reagendado na Arábia Saudita e a suspensão de toda a atividade desportiva no Irão e em Israel, onde alinham alguns portugueses.
Os persas avaliam ainda a participação no Mundial-2026 de futebol, que se realiza entre 11 de junho e 19 de julho e contará pela primeira vez com 48 seleções, numa inédita organização tripartida de Canadá, México e Estados Unidos, sede dos três encontros do conjunto iraniano no Grupo G.
“Certo é que, após este ataque, não podem esperar que encaremos o Mundial com esperança”, disse o presidente da federação local (FFIRI), Mehdi Taj.

O Irão é um dos países cujos residentes estão impedidos de entrar nos Estados Unidos pela administração de Donald Trump, que prometeu isentar atletas, equipas técnicas e restantes funcionários antes do torneio.
Desde sábado, os iranianos encerraram o estreito de Ormuz e retaliaram contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países do Médio Oriente, havendo também incidentes perto da região.
A insegurança fez cancelar torneios de ténis na Turquia e nos Emirados Árabes Unidos, onde o luso Frederico Silva deveria atuar no challenger de Fujairah, com o encerramento do espaço aéreo e a anulação de milhares de voos a afetarem a deslocação de desportistas para outros continentes e o regresso de praticantes, técnicos e outros agentes do setor a Portugal.
Incapaz de rumar até Itália, o esquiador Aboulfazl Khatibi Mianaei foi forçado a desistir dos Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina e deixou o Irão sem representantes na sexta-feira, dia da Cerimónia de Abertura.
Os persas instaram o Comité Olímpico Internacional (COI) a sancionar os Estados Unidos e Israel pelos ataques, que provocaram mais de 1.000 mortos - na maioria iranianos, incluindo atletas - e destruíram infraestruturas desportivas no país, violando a trégua olímpica em vigor.
Os problemas logísticos afetaram ainda as escuderias de Fórmula 1, sem impedir a chegada à Austrália antes de sexta-feira para o início do Mundial.

Em abril, a principal categoria do automobilismo vai ter Grandes Prémios seguidos no Bahrain e na Arábia Saudita, mas a Federação Internacional (FIA) equaciona mudanças, tal como fez na primeira etapa do Mundial de resistência, que acontecerá no próximo mês em Itália, ao invés do Catar.
Outro efeito colateral foi a retirada ao fim de dois jogos dos Estados Unidos do torneio de acesso ao Mundial masculino de hóquei em campo, no Egito, face ao pedido de Washington para que os cidadãos norte-americanos saíssem das proximidades das zonas de conflito.
Donald Trump projetou “várias semanas” de ofensiva e exigiu a “rendição incondicional” do Irão, sendo expectáveis mais alterações no calendário desportivo internacional e novidades na Finalíssima masculina de futebol.
A campeã europeia Espanha tem jogo marcado em 27 de março, no Catar, com a campeã mundial e bicampeã sul-americana Argentina, detentora do troféu e opositora da seleção local num duelo particular quatro dias depois.
Na primeira metade do ano, os qataris acolhem igualmente uma corrida de MotoGP, prova rainha do motociclismo de velocidade, a etapa inaugural da Liga Diamante de atletismo e a última série da Taça do Mundo de ginástica artística.
O Médio Oriente tem crescido em influência no desporto mundial na última década, já que países como Arábia Saudita e Catar recebem e patrocinam competições, financiam clubes e empregam alguns dos melhores atletas.
Esses investimentos visam promover a diversificação económica, social e cultural e diluir a dependência das receitas do petróleo, apesar das críticas contra as nações em causa por causa do desrespeito pelos direitos humanos e da tentativa de melhorar a imagem pública através do desporto.
A Arábia Saudita planeia acolher os Jogos Olímpicos na próxima década e garantiu a realização em 2034 do Mundial de futebol, cuja última edição aconteceu pela primeira vez no Médio Oriente há quatro anos, no Catar.
