Dois golos de Erling Haaland decidiram o duelo dos oitavos de final no MetLife Stadium a favor da Noruega, depois de Bruno Guimarães ter desperdiçado um penálti logo no início. O penálti convertido por Neymar já perto do fim serviu apenas de consolação, pois os outrora poderosos brasileiros - que tiveram apenas 34 por cento de posse de bola - caíram na sua eliminação mais precoce num Mundial desde 1990.
O antigo treinador do Real Madrid e do AC Milan foi nomeado em maio do ano passado e renovou recentemente contrato até 2030.
Poderia ter consciência de que vencer o Mundial deste ano seria uma tarefa difícil, mas sair tão cedo é uma enorme desilusão.
Ainda assim, garantiu que iria continuar.
"Uma derrota é o início de uma nova aventura. Agora temos de continuar a trabalhar arduamente e a melhorar", afirmou: "Isto é futebol. Isto é desporto. Só temos de lidar com isso. Vamos usar isto como motivação para o futuro."
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tentou contratar Ancelotti durante dois anos até conseguir o seu objetivo. A Seleção encontrava-se numa situação crítica após a eliminação nos quartos de final, nos penáltis, frente à Croácia no Mundial-2022.
Tite saiu e Fernando Diniz assumiu o comando para o início do qualificação deste Mundial, mas durou apenas seis jogos. Seguiu-se Dorival Júnior, mas o experiente técnico também saiu após a eliminação nos quartos de final da Copa América 2024, tendo sido dispensado em março do ano passado.
Ancelotti levou o Brasil até ao fim da fase de qualificação , embora tenham terminado em quinto lugar no grupo sul-americano de dez equipas, a dez pontos da líder Argentina. A esperança, e até a expectativa, era de que conseguissem competir ao mais alto nível neste torneio.
No entanto, mantiveram uma tendência que já dura há muito - desde que venceram o Mundial em 2002, perderam sempre que defrontaram equipas europeias nas fases a eliminar.
Nos últimos cinco Mundiais antes deste, o Brasil perdeu quatro vezes nos quartos de final e chegou uma vez às meias-finais - quando sofreu a traumática derrota por 7-1 frente à Alemanha, como anfitrião, em 2014.
Endrick vai assumir?
A derrota de domingo sugere que estão a regredir, apesar da liderança demonstrada neste torneio por Vinicius Junior, o avançado do Real Madrid que completa 26 anos na próxima semana.
"Ser eliminado de um Mundial é sempre um duro golpe", afirmou: "Mas agora temos de seguir em frente, não há muito que possamos fazer."
Isso significa que, mais cedo ou mais tarde, terão de virar atenções para a próxima Copa América em 2028, antes de começarem a preparar o Mundial-2030. Quando esse momento chegar, o país do grande Pelé estará há 28 anos sem levantar o troféu.
Ancelotti construiu uma carreira de treinador notável ao nível de clubes na Europa, conquistando a Liga dos Campeões por cinco vezes. Mas a sua relação com o Mundial tem sido menos feliz. Como jogador, falhou a campanha vitoriosa da Itália no Mundial de 1982 devido a lesão. Jogou em 1990, quando a Itália foi anfitriã mas perdeu nas meias-finais frente à Argentina.
Depois, em 1994, esteve como adjunto de Arrigo Sacchi na final perdida para o Brasil nos penáltis, nos EUA, com 35 anos.
Desta vez, garantiu que a sua equipa deixou uma boa imagem, ao passar tranquilamente a fase de grupos e recuperar para vencer o Japão nos 16 avos de final.
"Não acho que tenhamos feito um Mundial espetacular, mas foi positivo", afirmou.
A decisão de incluir Neymar foi um risco, já que o jogador de 34 anos não representava o seu país desde 2023 devido a lesões. Não resultou - fez apenas duas aparições como suplente e anunciou a sua retirada da seleção após a derrota com a Noruega.
Era um plantel envelhecido, com dez jogadores acima dos 30 anos. "Precisamos de talento fresco, jogadores de topo que possam integrar a seleção do futuro", acrescentou Ancelotti.
Endrick, a jovem promessa do Real Madrid de 19 anos, poderá liderar a próxima geração.
"A história da seleção brasileira foi marcada por grandes conquistas, mas também por momentos que nos fortaleceram para o futuro", referiu um comunicado da CBF: "Hoje despedimo-nos do Mundial, mas temos a certeza de que voltaremos mais fortes."
