Recorde aqui as incidências do encontro
Thomas Tuchel promoveu duas alterações no onze da Inglaterra face ao duelo com o México, lançando John Stones e Noni Madueke para os lugares do suspenso Jarell Quansah e de Bukayo Saka. Do lado da Noruega, Ståle Solbakken operou apenas uma troca em relação ao jogo com o Brasil, colocando o benfiquista Andreas Schjelderup no lugar de Antonio Nusa.

Magia de Schjelderup e a resposta de Bellingham à falta de frieza
Os primeiros minutos foram marcados por uma seleção inglesa a querer mandar no jogo, ditando um ritmo lento e tentando monopolizar a posse de bola. Apesar disso, a Noruega revelou ter a lição bem estudada e assustou com duas aproximações perigosas nos primeiros 10 minutos. Os Três Leões só responderam aos 23 minutos, mas Nico O'Reilly não conseguiu dominar nem desviar para a baliza deserta, seguindo-se um livre direto de Harry Kane por cima da trave.
Pouco depois, John Stones facilitou dentro da própria área e teve muita sorte: Martin Odegaard conseguiu desviar o esférico para Erling Haaland, mas o avançado do City não reagiu a tempo de aproveitar. A frouxidão inglesa acabou mesmo por ter consequências aos 36 minutos, quando, depois de uma perda de bola em zona proibitiva de Harry Kane, Schjelderup, em zona de cruzamento, enganou tudo e todos - principalmente Pickford - com um disparo cruzado que ainda bateu no poste antes de entrar, assinando um golaço que inaugurou o marcador para os nórdicos.
O golo galvanizou os nórdicos, que podiam ter feito o segundo quando Sorloth e Haaland avançaram em superioridade numérica desde o meio-campo, mas o avançado do Atlético de Madrid demorou demasiado tempo e permitiu o corte do bloco defensivo. A máxima de que "quem não marca, sofre" materializou-se nos descontos da primeira parte. Pouco depois, Jude Bellingham fez o que melhor sabe fazer: com uma receção fantástica, invadiu a área e desferiu um remate cruzado que bateu Nyland, restabelecendo o empate.
Em cima do recolher dos balneários, o médio do Real Madrid voltou a fazer um trabalho excelente ao isolar Kane, mas o avançado estava fora de jogo e a picadinha para a reviravolta não contou. O descanso chegou com estatísticas reveladoras: 0,22 golos esperados (xG), 68% de posse de bola e 337 passes concluídos (95% eficácia) por parte dos britânicos, ao contrário dos 0,35 xG, 32% de posse de bola e 146 passes efetuados (83% de eficácia) pelos nórdicos.
Golo anulado, bola ao ferro e calafrios nos descontos
Tuchel surpreendeu no regresso dos balneários com duas substituições a envolver quatro jogadores do Arsenal: Declan Rice e Noni Madueke deram lugar a Eberechi Eze e a Bukayo Saka. Pouco depois do reatamento, houve novo golo anulado, desta feita à Noruega, porque Haaland atropelou Elliot Anderson antes da bola estar a rolar. Logo a seguir, Stale Solbakken respondeu à contrariedade da lesão sofrida por Ryerson com o lançamento de outro benfiquista na partida, Fredrik Aursnes, que voltou a atuar como lateral direito.

Esse lance parece ter feito soar o alarme em ambas as equipas, que se tornaram expectantes e deixaram de arriscar a meia hora do fim, dando início ao xadrez dos bancos. Aos 76 minutos, os nórdicos voltaram a ameaçar, quando Kristoffer Ajer desviou para a barra um remate enrolado de Aursnes e, no seguimento, Konsa fez um corte crucial para evitar a recarga. Recém-lançado, o jogador das águias viria a revelar-se aposta acertada também a defender quando, aos 87', tirou o pão da boca a Eze depois de um cruzamento rasteiro de Bukayo Saka.
Em tempo de descontos, viveram-se dois sustos para os noruegueses. Primeiro, o guarda-redes Nyland pontapeou a bola contra Djed Spence, com esta a passar perto da baliza e, já no último lance, as dificuldades físicas de Torbjorn Heggem levaram-no a derrubar Bellingham num lance caricato, arriscando a expulsão. Contudo, o árbitro afastou os protestos e confirmou o tempo extra.
Sexto sentido de Bellingham fechou a balada
À entrada para o prolongamento, era notória a frescura física dos ingleses, que não perderam tempo em visar a baliza contrária. Dois minutos volvidos e Harry Kane obrigou Nyland a uma grande defesa com a ponta dos dedos para evitar o golo. Na insistência, Morgan Rogers atirou muito forte do meio da rua, o guarda-redes não conseguiu agarrar o esférico e o inevitável Jude Bellingham reagiu mais rápido para chegar primeiro à recarga e confirmar a reviravolta. Foi o seu sexto golo neste torneio.
Em vantagem, os britânicos entregaram a iniciativa a uma Noruega desgastada, controlando as incidências até ao apito final, mesmo depois de o VAR ter revertido uma grande penalidade sobre Djed Spence. Strand Larsen rendeu Haaland para a segunda parte do prolongamento, em que a Inglaterra ficou muito perto de dilatar a vantagem, mas Nyland travou os remates de Djed Spence e Saka. O melhor que os nórdicos conseguiram foi um remate de ressaca de Oscar Bobb dentro de área, que saiu por cima da trave.
Com este resultado, Tuchel, Kane, Bellingham e companhia aguardam pelo desfecho do Argentina-Suíça, enquanto a Noruega despede-se com a cabeça erguida neste regresso ao grande palco do futebol mundial.

Melhor em campo Flashscore: Jude Bellingham (Inglaterra).

