Recorde as incidências da final do Mundial-2026
O avançado Balogun foi expulso na vitória dos Estados Unidos frente à Bósnia-Herzegovina (2-0), nos 16 avos de final, com um cartão vermelho direto por uma entrada dura sobre Tarik Muharemović.
Depois de alertado pelo videoárbitro, o árbitro da partida, o brasileiro Raphael Claus, expulsou o dianteiro, mas a FIFA, numa decisão sem precedentes, não aplicou a suspensão ao jogador norte-americano, que ficou livre para defrontar a Bélgica, nos oitavos de final.
O organismo que tutela o futebol mundial explicou que a punição ficava suspensa por um período probatório de um ano, o que motivou muitas críticas, que ainda se acentuaram mais depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter confirmado que pediu ao líder da FIFA, o suíço Gianni Infantino, uma reavaliação da expulsão.
A proximidade entre Trump e Infantino é conhecida, com a decisão a criar ondas de choque enormes, com reações da federação belga e da própria UEFA, que tutela o futebol europeu e que acusou a FIFA de “ultrapassar uma linha vermelha”.
Já antes esta relação tinha sido criticada, quando, em dezembro de 2025, o presidente da FIFA entregou a Trump o inédito Prémio da Paz do organismo, em mais uma decisão que motivou muita controvérsia.
Alemanha, Países Baixos, Noruega e Suíça foram outros países que reagiram contra a decisão, que saiu da esfera do futebol e motivou a intervenção de outros setores da sociedade, condenando a interferência política no futebol.
Balogun acabou por ser mesmo titular, mas os belgas, que jogaram sob protesto, despacharam os Estados Unidos por 4-1 e seguiram em frente, num torneio em que Infantino foi alvo de diversas críticas.
O quase omnipresente líder da FIFA surgiu em vários estádios a assistir às partidas, algumas até no mesmo dia, apesar das distâncias entre locais, e até a postura adotada nas bancadas foi muitas vezes criticada.
Perante as polémicas até se colocaram dúvidas sobre alguns apoios que pareciam garantidos para a sua recandidatura no cargo em março do próximo ano, que, no entanto, não deve estar em causa.
Fora dos relvados ocorreram outros problemas, como a presença do Irão nos Estados Unidos para disputar a competição, no meio de um conflito militar entre os dois países.
Enquanto num outro ponto do globo as tensões cresciam e novos ataques militares pareciam iminentes – e acabaram por ocorrer - a seleção do Irão estava em território inimigo para disputar pela sétima vez um Mundial, numa presença que chegou mesmo a estar em causa.
Ao contrário do previsto inicialmente, o Irão optou por montar o seu quartel-general no México, apesar de jogar sempre nos Estados Unidos, e enfrentou restrições na entrada e saída do país para disputar as partidas, com alguns elementos da comitiva a serem impedidos de viajar.
O capitão Mehdi Taremi, antigo jogador do FC Porto e Rio Ave, chegou a ser interrogado pelas autoridades norte-americanas antes de um jogo e foi um dos mais críticos, acusando a FIFA e os Estados Unidos de fazerem tudo para que o Irão fosse eliminado o mais cedo possível, o que aconteceu, ao caír logo na fase de grupos.
“Nós viemos do Irão, uma terra que, durante milhares de anos, colocou a honra acima da vitória. Para nós, o futebol não é apenas uma competição por resultados, é um teste de caráter. Talvez os pontos possam ser conquistados de muitas formas, mas o respeito não”, referiu uma mensagem deixada no balneário pela seleção iraniana.
As restrições norte-americanas fizerem várias vítimas, entre elas o avançado suíço Breel Embolo, que não viajou com a equipa como previsto e que só se juntou ao grupo mais tarde, enquanto o ganês Thomas Partey, da seleção orientada pelo português Carlos Queiroz, foi impedido de entrar no Canadá e falhou a estreia frente ao Panamá.
O médio enfrenta acusações de violação em Inglaterra e viu as autoridades canadianas impedirem a sua entrada no país.
No entanto, o caso mais emblemático foi o do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan.
O juiz estava na lista final de árbitros para o torneio, mas foi impedido de entrar no país, depois de aterrar em Miami e de ser interrogado ao longo de várias horas, e teve de regressar.
A UEFA acabou depois por nomear Abdulkadir Artan para dirigir a Supertaça Europeia, entre o Paris Saint-Germain e o Aston Villa, em 12 de agosto, lembrando que o futebol tem o “propósito de unir as pessoas”.
Por fim, na meia-final entre a Argentina e a Inglaterra, que os argentinos venceram por 2-1, novo caso, com os sul-americanos a exibirem uma faixa no relvado com a inscrição “As Malvinas são argentinas”.
A imagem ganhou de imediato repercussão internacional por causa da longa disputa de soberania entre Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas, chamadas de Falklands pelos britânicos, e que levou mesmo os britânicos a pedirem à FIFA para investigar a ocorrência.
O Mundial-2026 de futebol, que começou em 11 de junho e terminou no domingo, foi o primeiro disputado por 48 seleções e decorreu nos Estados Unidos, no México e no Canadá.
