Mundial-2026: Federação alemã vai decidir possível boicote de forma independente

O logótipo da DFB
O logótipo da DFBMICHAEL BRANDT/DPA PICTURE-ALLIANCE VIA AFP

A federação alemã de futebol (DFB) e a federação internacional (FIFA) tomarão de forma totalmente autónoma a decisão de boicotar ou não o Mundial, que este verão será organizado maioritariamente nos Estados Unidos, indicou o governo alemão à AFP após apelos nesse sentido em resposta às ameaças de Donald Trump.

"Esta avaliação cabe, portanto, às federações em causa, neste caso à DFB e à FIFA. O governo federal aceitará essa decisão", afirmou a secretária de Estado do Desporto, Christiane Schenderlein, num comentário enviado por e-mail à AFP, que questionou o governo sobre a possibilidade de um boicote ao Mundial organizado no Canadá, nos Estados Unidos e no México (11 de junho - 19 de julho).

"O governo federal respeita a autonomia do desporto. As decisões relativas à participação em grandes eventos desportivos ou ao seu boicote são da exclusiva responsabilidade das federações desportivas competentes, e não do poder político", acrescentou ainda a senhora Schenderlein, membro da CDU, o partido conservador do chanceler Friedrich Merz.

Perante as tensões provocadas pela intenção dos Estados Unidos de anexar a Gronelândia e pelas ameaças de aumento das taxas aduaneiras contra os Estados europeus que se opõem, começaram a surgir na Alemanha, grande potência do futebol, nos últimos dias, as primeiras vozes a defender um boicote – ou mesmo o cancelamento – do Mundial.

Se Donald Trump concretizar as suas "ameaças relativas à Gronelândia e desencadear uma guerra comercial com a UE, custa-me imaginar que os países europeus participem no Mundial", declarou o influente deputado conservador Roderich Kiesewetter esta terça-feira ao jornal Augsburger Allgemeine.

Outro deputado da CDU, Jürgen Hardt, porta-voz do seu grupo para os assuntos externos, referiu ao jornal Bild um possível "cancelamento do torneio" como "último recurso para levar o presidente Trump à razão".

Defendendo uma "resposta unida" da Europa, o deputado social-democrata (SPD) Sebastian Roloff mencionou ao jornal económico Handelsblatt a hipótese de "ponderar a desistência da participação no Mundial".

De acordo com uma sondagem do instituto Insa para o Bild, realizada na quinta e sexta-feira junto de 1.000 pessoas, quase metade dos alemães (47 %) aprovaria um boicote ao Mundial caso Washington anexasse efetivamente a Gronelândia. Um pouco mais de um terço (35 %) manter-se-ia contra essa ideia.

Quatro vezes campeã do mundo, a seleção alemã não falha um Mundial desde o imediato pós-guerra (1950).

Donald Trump tem demonstrado ultimamente uma grande proximidade com o presidente da FIFA Gianni Infantino, que lhe entregou um "Prémio da Paz da FIFA" recentemente criado, durante o sorteio do Mundial no mês passado.