Em banda desenhada, o autor e ilustrador Vasco Parracho teve a colaboração do ex-internacional português António Simões, um dos quatro magriços ainda vivos, cujas memórias elaboraram o livro, apresentado na Cidade do Futebol, em Oeiras.
Com o prefácio escrito pelo presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, a cerimónia contou também com a presença de José Augusto e de Hilário, para celebrar os 60 anos dessa épica campanha portuguesa em Inglaterra.
“Não há tributo que pague a dívida de gratidão que a FPF, o futebol português e os portugueses devem aos magriços. Este livro protege e renova a memória do que, até hoje, é o maior feito da seleção em Mundiais, colorindo as memórias que, por muitos anos, foram desenhadas pelo preto e branco das imagens televisivas e de jornais. Esta é uma história de amor pela nossa seleção nacional, que atravessou gerações e que chega ao presente mais forte do que nunca”, frisou Pedro Proença.
O dirigente, que apenas nasceu quatro anos após esse Mundial, considerou que a história da FPF “se inicia verdadeiramente em 1966”, numa altura em que se vivia em Portugal o Estado Novo e cuja campanha “fez transbordar de alegria um povo”.
“Estamos mais prontos do que nunca para retornarmos ao palco do Mundial. Nós estamos convictos de que este ano vai dar Portugal e que acrescentaremos glória ao futebol português. Embarcaremos para os Estados Unidos com a esperança de que, se não se deu em 1966, vai dar em 2026. É um orgulho podermos lançar este tributo, que ficará guardado na nossa memória”, salientou o presidente federativo.
Os magriços serão sempre parte da história futebolística, por terem alcançado o pódio logo na primeira participação no torneio, mas António Simões partilhou da mesma esperança e tem a expectativa de poder ver Portugal a levantar este troféu.
“Estamos todos a torcer para que esta história se possa repetir, mas melhor ainda, que cheguem à final. Temos de ter o bom senso de perceber que não é fácil chegar à final de um Mundial. É um trajeto terrível, de grande esforço físico e mental. Tudo é importante, não só a representação nacional, mas ficar na história para sempre, como nós felizmente conseguimos. Nós temos a expectativa de os ver a levantar a taça. Eu tenho essa esperança”, afirmou o antigo extremo esquerdo, com 82 anos.
Campeão europeu pelo Benfica em 1961/62, António Simões confessa ter “muitas saudades” dos seus companheiros de 1966, dizendo ser uma “justa homenagem, de uma beleza espiritual e emocional enorme”, que resultou de “muita pesquisa”.
“Foram muitas horas ao telefone e algumas ‘noitadas’ com o António Simões. O que mais me facilitou o trabalho foi poder trabalhar com ele. Foi sempre de uma enorme generosidade intelectual e dava-me sempre algumas dicas. Fiz também uma grande recolha fotográfica dos jornais do verão de 1966. Isso levou à leitura de muitas obras. Foram esses pontos fortes que me permitiram ‘ressuscitar’ os feitos dos ‘magriços’ graficamente”, explicou o autor e ilustrador, Vasco Parracho.
No Mundial-1966, a seleção portuguesa de futebol venceu Hungria (3-1), Bulgária (3-0) e Brasil (3-1) na fase de grupos, superou a Coreia do Norte (5-3) nos quartos de final, após estar a perder por três golos de diferença, e perdeu com a anfitriã Inglaterra (2-1) nas meias, conquistando o bronze frente à União Soviética (2-1).
O termo magriços veio da alcunha do cavaleiro português do século XIV, Álvaro Gonçalves Coutinho, que viajou para Inglaterra com mais 11 cavaleiros lusos para defender a honra de 12 damas inglesas, em história contada na obra ‘Os Lusíadas’.
