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Mundial-2026: FIFA deteta 240 mil mensagens abusivas nas redes sociais durante o torneio

Mundial-2026 teve lugar nos Estados Unidos, Canadá e México
Mundial-2026 teve lugar nos Estados Unidos, Canadá e MéxicoFIFA

A FIFA detetou mais de 240 mil publicações e comentários abusivos, 20% dos quais classificados como racistas, durante o Mundial-2026 de futebol, num universo de mais de 17 milhões de conteúdos analisados, anunciou esta sexta-feira o organismo.

Num relatório divulgado na véspera do Dia da Saúde Mental, a FIFA indica que mais de metade das pessoas protegidas pelo seu Serviço de Proteção nas Redes Sociais (SMPS) “recebeu pelo menos uma mensagem classificada como abusiva” e que “um em cada cinco comentários abusivos foi classificado como racista”.

Segundo o organismo, do total de publicações nas redes sociais analisadas, com recurso à Inteligência Artificial (IA), 477 mil foram encaminhadas para revisão humana e 244 mil foram confirmadas como abusivas.

O documento, no qual a FIFA alerta para o “impacto grave” que o “abuso em linha pode ter na saúde mental das pessoas visadas, podendo contribuir para a ansiedade, o stress crónico e a depressão”, mostra que abusos racistas representam 20%, seguidos das ameaças de violência (14%), e dos abusos xenófobos, que correspondem a 12% do total.

O organismo que gere o futebol mundial refere que a ferramenta de moderação do SMPS - que permite a ocultação de conteúdos indesejados antes de chegarem ao público - analisou automaticamente 60,7 milhões de mensagens de utilizadores nas plataformas oficiais da FIFA e nos canais das associações-membro participantes.

“Deste total, 9,2 milhões de mensagens — 15% de todas as interações — foram bloqueadas e ocultadas do público antes de chegarem à audiência em geral. Entre os conteúdos filtrados encontravam-se publicações que denunciavam atividade claramente fraudulenta, como comportamento semelhante ao de ‘bots’ e ‘spam’, ou conteúdos prejudiciais”, refere o relatório.

O número de publicações e comentários analisados no Mundial-2026 – cerca de 17 milhões - é, segundo a FIFA, inferior ao total de quase 20 milhões registado no Mundial-2022, disputado no Catar.

Em sentido inverso, o número total de comentários e publicações revistos por analistas humanos aumentou ligeiramente: de 434 mil na competição realizada em território árabe para 477 mil no torneio organizado conjuntamente por Canadá, Estados Unidos e México.

“Isto deve-se ao facto de um maior número de comentários e publicações ter sido intercetado automaticamente, uma vez que a ferramenta de IA se tornou mais eficaz. De facto, o SMPS está a tornar-se cada vez mais eficiente e competente na proteção dos utilizadores e seguidores”, afirma a FIFA, lembrando que “tem colaborado e mantido contactos mais frequentes com as plataformas de redes sociais”.

A FIFA refere ainda que “um total de 2.905 contas atingiu o limiar para uma possível investigação criminal, tendo 786 sido encaminhadas para as autoridades policiais para análise”.

“Destas contas, concluiu-se que 232 tinham publicado conteúdos extremamente graves e ameaçadores, suscetíveis de representar uma ameaça real à segurança, pelo que foram consideradas prioritárias para investigação”, lê-se no relatório.

O SMPS, criado em 2022 antes do Mundial disputado no Catar, é uma ferramenta da FIFA e do Sindicato Internacional de Futebolistas Profissionais (FIFPro) criada para proteger jogadores, treinadores e árbitros contra o assédio digital em grandes competições.

O sistema utiliza a IA para monitorizar contas públicas, ocultar automaticamente comentários ofensivos ou discriminatórios e denunciar os perfis abusivos às plataformas e autoridades, preservando a saúde mental dos profissionais do futebol.

O Mundial-2026, conquistado pela Espanha e que contou com a participação de Portugal, decorreu entre 11 de junho e 19 de julho, nos Estados Unidos, no Canadá e no México, e foi pela primeira vez disputado por 48 seleções, mais 16 do que nas edições anteriores mais recentes.

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