A seleção do Irão vai participar no Mundial2026 de futebol e disputará os jogos do Grupo G da primeira fase nos Estados Unidos, apesar da guerra entre os dois países, afirmou hoje o presidente da FIFA, Gianni Infantino.
“O Irão vai estar no Campeonato do Mundo. Estamos aqui para isso e estamos muito contentes, porque é uma seleção muito forte. Os jogos serão realizados onde têm de ser, de acordo com o sorteio”, disse o dirigente ítalo-suíço, em declarações à agência noticiosa francesa AFP.
Infantino falava ao intervalo da vitória do Irão sobre a Costa Rica (5-0), num jogo particular disputado sem adeptos em Antalya, na Turquia, de preparação dos asiáticos para a fase final da principal prova internacional de seleções.
Ali Gholizadeh, Mehdi Taremi, Mohammad Mohebi, que passou pelo Santa Clara, e o recém-entrado Mehdi Ghaedi fizeram os golos do Irão, tendo o capitão e ex-avançado do FC Porto ‘bisado’ na conversão de dois penáltis.
“Vi a equipa e falei com os jogadores e o treinador, então está tudo bem”, revelou o líder da FIFA, que, ao contrário do previsto, surgiu nos camarotes do estádio pouco antes do início do jogo e esteve ao lado de membros da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) durante a cerimónia protocolar.
Gianni Infantino esteve ladeado ainda pelo embaixador do Irão na Turquia, com o vice-presidente da FFIRI, Mahdi Mohammadnabi, a garantir que os persas “vão cumprir todas as decisões da FIFA”, mas a advertir que “cada país anfitrião da competição “assumiu compromissos e deve respeitá-los”.
A 23.ª edição do Campeonato do Mundo realiza-se de 11 de junho a 19 de julho e conta pela primeira vez com 48 seleções, numa inédita organização tripartida entre Canadá, México e Estados Unidos, sede dos três jogos dos iranianos no Grupo G, formado também por Bélgica, Egito e Nova Zelândia.
Apurado pela sétima vez, e quarta seguida, Irão defronta os neozelandeses e os belgas em Los Angeles, em 16 e 21 de junho, respetivamente, e fecha a primeira fase diante dos egípcios, no dia 27 do mesmo mês, em Seattle.
O Irão é um dos países cujos residentes estão impedidos de entrar nos Estados Unidos pela administração de Donald Trump, que já prometeu isentar jogadores, equipas técnicas e outros funcionários antes do torneio, mas também desaconselhou a presença iraniana para sua segurança.
Após o ataque militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão em 28 de fevereiro, que matou Ali Khamenei, líder supremo do país asiático desde 1989, os persas anunciaram estar em negociações com a FIFA que os seus encontros na fase de grupos fossem deslocalizados para o México.
“Estamos a preparar-nos para o Mundial. Estamos a boicotar os Estados Unidos, mas não o Campeonato do Mundo”, assegurou o presidente da FFIRI, Mehdi Taj, em 19 de março.
Através da presidente Claudia Sheinbaum, o México manifestou-se pronto a receber o Irão, mas a FIFA revelou o desejo de manter inalterado o calendário do Campeonato do Mundo, no qual também vai estar Portugal.
Em 11 de março, Gianni Infantino disse ter recebido garantias de Donald Trump, com quem tem uma relação próxima, de que o Irão terá permissão para entrar nos Estados Unidos, país onde se realizam 78 dos 104 jogos do Mundial2026, incluindo a final em East Rutherford, em Nova Jérsia.
Desde que sofreu a ofensiva conjunta, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e retaliou contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região, num conflito que está a abalar a economia mundial e causou, pelo menos, mais de 1.000 mortos e 10.000 feridos, de acordo com o último balanço oficial das autoridades iranianas.
Os jogadores do Irão homenagearam hoje as vítimas de um ataque aéreo atribuído aos Estados Unidos contra uma escola primária em Minab, no primeiro dia da guerra no Médio Oriente, ao exibirem fotografias dos mortos, incluindo de crianças, e do local afetado durante o hino nacional.
Na sexta-feira, antes da derrota frente à Nigéria (2-1), num duelo particular disputado também em Antalya, os persas entraram em campo com fumos negros e mochilas escolares adornadas com fitas, colocando-as aos seus pés aquando da execução do hino, em tributo às vítimas do ataque em Minab, que matou, pelo menos, 170 pessoas, incluindo alunos e professores, segundo fontes locais.
