Mundial-2026: Gattuso desvaloriza ambiente na Bósnia e diz que "adeptos não marcam golos"

Gattuso, um dia antes do jogo frente à Bósnia
Gattuso, um dia antes do jogo frente à BósniaREUTERS / Amel Emric

O selecionador de Itália, Gennaro Gattuso, minimizou as preocupações quanto ao estado do relvado e ao ambiente que a sua equipa irá encontrar na Bósnia para a final do play-off do Mundial, garantindo que nunca sofreu um golo de um adepto.

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Gattuso carrega a responsabilidade do futebol italiano numa altura em que a equipa procura chegar à fase final pela primeira vez desde 2014. Depois de vencer a Irlanda do Norte em casa na meia-final, a seleção italiana defronta agora a Bósnia como visitante em Zénica, na terça-feira.

A Itália viu-se obrigada a alterar os seus planos depois de a neve e a chuva terem levantado dúvidas sobre o estado do relvado na Bósnia, pelo que treinou em Florença antes de viajar.

"Isso é uma desculpa. Se o campo estiver em mau estado, está para ambas as equipas, o jogo tem de ser disputado na mesma. Se começarmos a pensar no relvado, na bancada... não, isso é para fracos. Vi o campo e está em boas condições. Sinceramente, mesmo que estivesse mal, pouco poderíamos fazer. O respeito que temos pela Bósnia é enorme, pelo que demonstram dentro de campo. Quanto aos adeptos, eles não marcam golos, isso nunca me aconteceu", afirmou Gattuso aos jornalistas.

Gattuso substituiu Luciano Spalletti no início da fase de qualificação, depois de a derrota frente à Noruega ter complicado as aspirações da equipa.

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Menos vistosos, mais sólidos

Apesar de o jogo frente à Irlanda do Norte ter estado longe da perfeição, o selecionador viu muitas melhorias desde que assumiu o comando.

"Taticamente, no outro dia cometemos erros. Há sete meses não éramos esta equipa. Sofríamos perante os adversários, chegavam facilmente à nossa baliza, criavam-nos oportunidades. No início sofríamos golos absurdos, éramos frágeis, custava-nos manter a organização", reconheceu Gattuso.

"Talvez não pratiquemos um futebol ultraofensivo e possamos ser menos brilhantes, mas agora prefiro uma equipa sólida, que sofra menos, mesmo que isso signifique sermos menos vistosos", acrescentou.

A última vez que a Itália ergueu o Mundial foi em 2006, e Gattuso, que fez parte dessa equipa, quer ver esse mesmo espírito neste grupo.

"Vamos entrar em campo com vontade e agressividade. Esse é o aspeto mais importante da nossa história futebolística. Fomos campeões não por sermos os mais fortes, mas pelo nosso carácter competitivo e pela nossa capacidade de sofrer. Dizia-se que a esta equipa faltava orgulho, que ninguém se importava, mas vejo-o todos os dias, e sinceramente espero, não por mim, mas por estes rapazes, que consigamos alcançar este objetivo. Tenho orgulho neles, estou satisfeito com eles, mesmo que as coisas corram mal. Espero que não seja o caso", afirmou.

E se as coisas não correrem bem?

"Não é o momento para falar disso. Seria uma desilusão, um duro golpe. Teria de assumir a responsabilidade porque sou o treinador, mas disso falaremos depois. Há pessoas a quem cabe decidir o que irá acontecer. Os meus pensamentos guardo-os para mim", respondeu Gattuso.