O grupo de rock Dubioza Kolektiv adaptou um dos seus temas para o torneio e, na terça-feira, esta nova versão já ultrapassava vários milhões de visualizações nas diferentes plataformas, estando a caminho de se tornar uma das músicas desta edição, que começa a 11 de junho.
No videoclipe publicado no final de maio, os músicos fintam com camisolas amarelas nas costas e instrumentos nas mãos enquanto preparam ćevapi, uma especialidade de carne grelhada típica dos Balcãs.
"O nosso vídeo, que deve ter custado seis marcos (três euros), foi gravado no bairro, que de certa forma é equivalente a uma favela na Colômbia ou no Brasil. Acho que as pessoas reconheceram essa estética: o futebol é isso, uma bola feita em pedaços e uma baliza pintada numa parede, e os pobres a jogar futebol", explicou à AFP Brano Jakubovic, de 47 anos, músico e autor da letra.
Milhões de visualizações nas redes
Resultado: um milhão de visualizações no YouTube, números semelhantes no Instagram e impacto em todo o mundo.
"Estamos presentes nas redes sociais. Mas hoje é muito mais difícil alcançar esse milhão de cliques, gostos e visualizações do que há cinco ou dez anos (...) por isso, quando um milhão de pessoas vê o vídeo numa semana e chega a pessoas de todo o mundo, ficas satisfeito", explicou Vedran Mujavic, baixista do grupo.
Isto apesar de a canção não ser nova: U.S.A., lançada em 2011, falava inicialmente sobre a forma como "os bósnios ou outros habitantes da Europa de Leste emigram para os Estados Unidos à procura de uma vida melhor e do sonho americano", conta Bruno.
"No final da canção, os bósnios regressam a casa porque percebem que o sonho americano já não existe", comentou.
O refrão, "I am from Bosnia, take me to America", ("Sou da Bósnia, levem-me à América", em tradução livre) ganhou um novo significado no final de março, quando a seleção da Bósnia conseguiu qualificar-se para o Mundial ao eliminar a Itália no play-off europeu.
Em repetição
"Foi uma loucura total. A canção tocava em repetição, uma e outra vez, não sei quantas dezenas de milhares de pessoas" estavam reunidas à espera dos jogadores após a vitória no estádio de Zenica, a 70 km da capital, recordou Brano Jakubovic, em Sarajevo.
Poucos dias depois, o grupo decidiu acrescentar uma estrofe em bósnio, para recordar o "trauma coletivo nacional" de 2014.
Na edição disputada no Brasil, que até agora era a única participação no Mundial, a Bósnia viu um golo anulado a Edin Dzeko por fora de jogo inexistente no segundo jogo da fase de grupos, frente à Nigéria.
A seleção europeia acabou por perder esse jogo por 1-0 e, como consequência, ficou sem hipóteses de avançar para os oitavos de final.
"Os psicólogos ganharam muito dinheiro depois desse fora de jogo, e as empresas farmacêuticas também enriqueceram, porque todos os bósnios passaram para as drogas pesadas. De uma forma ou de outra, era preciso dar vazão a esse trauma na canção", brincou Brano.
A Bósnia, 65.ª classificada no ranking FIFA, vai disputar o seu primeiro jogo do Mundial a 12 de junho contra o Canadá.

