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Quando vestiu a camisola do AC Milan e da seleção italiana, muito pouco assustou Gennaro Gattuso.
Como treinador, o vencedor do Campeonato do Mundo de 2006 tem um perfil um pouco mais moderado. Desde que assumiu o comando da Itália, em junho passado, no lugar de Luciano Spalletti, ele tenta incutir na equipa um cocktail de serenidade misturado com a fome de vencer.
"Uma nação inteira está à nossa espera, mas temos de estar calmos, ter a mentalidade certa e mostrar ao nosso país e a esta camisola todo o amor que temos por eles", explicou na Vivo Azzurro TV, o canal de televisão da federação italiana.
O método de Gattuso parece estar a dar frutos: desde a sua nomeação, que suscitou algumas reservas devido aos seus fracassos como treinador de clubes, a seleção disputou seis jogos e venceu cinco.

Dupla derrota contra a Noruega
É verdade que não consefuiram destronar Erling Haaland e companhia, que se qualificaram diretamente para o Campeonato do Mundo na América do Norte após a sua campanha perfeita (24 pontos em oito jogos, com duas vitórias sobre a Itália; 3-0 em casa e 1-4 em San Siro), mas a squadra azzurra deu aos seus adeptos motivos de esperança com 19 golos marcados.
"A nossa obsessão deve ser jogar este Campeonato do Mundo, para voltarmos ao lugar onde estivemos por muitos anos, muitas vezes como os principais protagonistas", lembrou Gennaro.
Apesar do seu historial (quatro títulos mundiais em 1934, 1938, 1982 e 2006), duas coroas continentais (1968 e 2021) e um estatuto de membro indiscutível da elite, a equipa italiana está agora em 13.º lugar no ranking da FIFA.
Desde a conquista do título mundial em 2006, em Berlim, a Itália venceu apenas um jogo do Campeonato do Mundo, uma vitória por 2-1 sobre a Inglaterra na fase de grupos do Campeonato do Mundo de 2014, no Brasil, do qual foi eliminada após apenas três jogos.
Desde então, a squadra azzurra ficou de fora da Rússia e do Catar (depois de ter participado em todos os Mundiais entre 1934 e 2014, com exceção do de 1958), perdendo nos play-offs contra a Suécia (1-0 em Estocolmo e 0-0 em San Siro) em 2017 e contra a Macedónia do Norte em Palermo (0-1) em 2021, dois traumas que ainda pairam sobre a seleção.
"Já não há jogos fáceis"
"Não devemos ver fantasmas na primeira dificuldade" durante o jogo contra a Irlanda do Norte (69.º no ranking da FIFA), avisou Gattuso.
"Mas também não podemos cometer o erro da Macedónia do Norte há quatro anos. No futebol moderno já não há jogos fáceis, qualquer adversário pode colocar-nos em apuros. O importante é saber reagir e não se deixar abater se algo negativo acontecer", disse Rino.
Os fracassos dos clubes italianos na Liga dos Campeões deste ano reacenderam os receios em relação ao play-off. O Inter de Milão, finalista da Liga dos Campeões em 2023 e 2025, perdeu nos oitavos de final contra o pequeno Bodo/Glimt, enquanto a Atalanta foi humilhada pelo Bayern de Munique (1-6 na primeira mão e 4-1 na segunda).
Mas Gattuso, de 48 anos, não se deixa abalar por isso.
Para regressar ao palco mundial, não revolucionou a seleção italiana e está a contar em grande parte com o mesmo grupo que os seus antecessores Roberto Mancini (2018-2023) e Spalletti (2023-2025).
Apesar de ter considerado a possibilidade de chamar Marco Verratti, cuja 55.ª e última convocatória remonta a junho de 2023, a sua equipa para o play-off não oferece surpresas.
"Temos jogadores com fome, rapazes que estão prontos para fazer todos os sacrifícios", disse ele. Como se ele estivesse se referindo ao jogador Gattuso...
